Friday, February 17, 2012
Thursday, February 16, 2012
Wednesday, February 15, 2012
O autoelogio do quarto poder
Assunto mais comentado nos
últimos dias, o julgamento de Lindemberg Alves, assassino da adolescente Eloá
Pimentel, ressurge após três anos do acontecimento do fato, com a mesma
intensidade e trazendo novos elementos, cuja atenção não foi devidamente dada
naquela época.
O caso teve repercussão nacional
e teve um desfecho trágico diante das câmeras de TV de todo país, causando
comoção nacional. Que Lindemberg cometeu um crime, isso é fato! Também é certa
a sua condenação, dada a torpeza do crime e as circunstâncias. Mas, saindo da
esfera do emocional e analisando a situação, chama atenção à estratégia de
defesa, capitaneada pela advogada Ana Lúcia Assad. Tratada pela imprensa como “a-advogada-que-quer-aparecer”,
Assad tocou numa ferida que a mídia não gosta e faz de tudo para rechaçá-la.
Qual a estratégia da advogada?
Pretende levar o caso para crime passional, o que beneficiaria o réu. Mas não
venho aqui tratar do juridiquês nem tão pouco discutir de forma pormenorizada a estratégia da defesa
nesse caso. Isso eu deixo para os ilustres causistas e suas portas de cadeia. O
que chama a atenção nesse episódio é fato de que a advogada em questão
levanta a responsabilidade da polícia –
cuja ação foi além do que desastrosa – e o papel da mídia nesse caso.
A defesa levanta a possibilidade
de que a cobertura do caso pela mídia tenha influenciado no desenrolar dos
acontecimentos. Exagero? Nem tanto, considerando que uma apresentadora de TV
conseguiu entrevistar o seqüestrador (Lindemberg) ao vivo, mantendo a
adolescente em cárcere. Quer mais? O excesso de informações de detalhes
policialescos, durante 24 horas,
proporcionou a criação de um ambiente de comoção nacional, onde o
acusado possivelmente deve ter sido influenciado, o que pode ter contribuído definitivamente
para o desfecho do seqüestro. O que eventualmente deveria ser algo que chamasse
a atenção e que poderia ser resolvido de uma forma mais simples tomou
proporções incontroláveis.
O julgamento trouxe à tona o
debate envolvendo a participação da mídia na cobertura de eventos dessa
natureza. Há muito vem sendo usada a expressão “espetacularização da notícia”,
termo mais do que apropriado para tratar a forma com que os meios de
comunicação se comportam diante da divulgação de fatos e o uso deles perante a
opinião pública. Hoje, a mesma mídia que lutava para mostrar todos os detalhes
do seqüestro, chegando até mesmo a entrevistar o seqüestrador, se arvora em
justiceira e já estabeleceu a sentença antes mesmo do Poder judiciário
proferi-la. Lindemberg foi condenado antes mesmo de pisar no tribunal.
É irresistível a comparação do
caso com o filme “O Quarto Poder”, do diretor Constantin Costa Gavras. Nele, um
segurança de um museu perde o emprego e, desesperado, volta armado ao local de
trabalho a fim de pressionar sua antiga empregadora, acabando por seqüestrá-la,
juntamente com um grupo de crianças, além de dar um tiro acidental num
ex-colega de trabalho. O caso ganha proporção quando um repórter inescrupuloso
percebe que poderia manipular a situação em prol de picos de audiência. O
desfecho do filme é trágico e exemplifica a forma inescrupulosa como a
mídia trata fatos dessa natureza em prol
de audiência.
Tal como numa novela de horário
nobre, a advogada de Lindemberg parece ser a mais nova vilã do Brasil, culpada
por proferir inverdades e tecer ilações que não condizem com a verdade construída
pela mídia. Deverá ser achincalhada por alguns dias, até outro fato ganhar o
status de “espetáculo” e levar comoção a
opinião pública, concedendo a ela o papel de juiz e carrasco, sob a geração de picos de audiência conseguida.
Wednesday, February 08, 2012
Baixa na música brega
A música brega sofreu um pesada baixa nesta quarta-feira com a morte do cantor e colecionador de calcinhas Wando. O coração do obsceno (assim ele se intitulava num de seus shows) não resistiu, levando-o a óbito. A Du Loren e outras fábricas de calcinha podiam fazer um homenagem para aquele que tornou essa peça íntima do vestuário feminino, uma de suas marcas registradas durante as apresentações.
Com a morte de Wando acho bom a rapaziada da música brega fazer um check up e ver se está tudo bem. Te cuida Reginaldo Rossi!
Com a morte de Wando acho bom a rapaziada da música brega fazer um check up e ver se está tudo bem. Te cuida Reginaldo Rossi!
É carnaval em Salvador!
Perguntinha básica: diante da possibilidade da greve de PMs se estender a outros estados e lembrando que a Constituição Federal proíbe greve de militares, as autoridades competentes estão negociando o quê?
Monday, February 06, 2012
Sunday, February 05, 2012
Ainda existe rock'n roll no Brasil
Uma das poucas bandas de rock que ainda prestam nesse país. A banda Velhas Virgens faz um som que transita entre o rock clássico e o blues. Abaixo, um pequena amostra.
Espaço, região e território: elementos basilares da geografia
Por Erick Schunig
A geografia se apresenta como um
dos campos científicos mais versáteis em relação a sua área de atuação,
oferecendo um importante cabedal para usos diversos que vão desde a análise
epistemológica da relação entre o homem e a natureza até o fornecimento de subsídios
para o planejamento ambiental.
Entretanto, há temas fundamentais
que são pilares na discussão do conhecimento geográfico e que apontam caminhos
importantes para entender o mundo atual e suas mudanças. Nesse sentido, há de
que seja feita uma discussão sobre as diversas concepções que envolvem três
elementos inerentes da geografia: espaço, região e território. É sobre esse
tripé que iremos discorrer e que tentaremos fornecer subsídios para melhor
entendimento sobre como cada um se
apresenta dentro das escolas de pensamento geográfico e quais as implicações
envolvidas.
Geografia tradicional ou clássica
Para geografia tradicional,
espaço pode ser apresentado através de uma simples definição como uma porção da
superfície do nosso planeta, composta pela natureza e por todos elementos que a
caracterizam (clima, relevo, vegetação, hidrografia, etc.), sob influência das
ações humanas. Partindo dessa definição simplista, espaço pode ser visto
através de uma ótica mais apurada, envolvendo as escolas de pensamento
geográfico.
De acordo com Correa (1995), a
geografia tradicional ou clássica tratava espaço de uma forma superficial,
aparecendo em obras de geógrafos como Friederich Ratzel e Hartshorne. Paisagem
e região não tinham uma abordagem mais sofisticada, limitando-se bastante a
descrição. Ratzel desenvolve dois conceitos fundamentais envolvendo território
e de espaço vital. O primeiro vincula-se à apropriação de uma porção do espaço
por um determinado grupo, enquanto o segundo expressa às necessidades territoriais
de uma sociedade em função de seu desenvolvimento tecnológico, do total de
população e dos recursos naturais. A preservação e ampliação do espaço vital, constitui,
na formulação de Ratzel, como a própria razão de ser do Estado.
O espaço na visão de Hartshorne é
o espaço absoluto, um conjunto de pontos que tem existência em si, sendo
independente de qualquer coisa. É um quadro de referência que não deriva da
experiência, sendo apenas intuitivamente utilizado na experiência. Trata-se de
uma visão kantiana, por sua vez influenciada por Newton, em que o espaço (e o
tempo) associa-se a todas as dimensões da vida. Sob essa ótica o espaço é visto
como um receptáculo que contém elementos.
Segundo Gomes (1995), para essa escola de pensamento, o conceito de região
surge da ideia de que o ambiente tem um
certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade. A partir da
perspectiva possibilista, as regiões existem como unidades básicas do saber
geográfico, não como unidades morfológica e fisicamente pré-constituídas, mas
sim como resultado do trabalho humano em
determinado ambiente.
É forte a influência de
concepções elaboradas por geógrafos alemães e franceses, onde a região pode
preservar a unidade fundamental do campo da geografia, instituída sob o formato
de discussão relação homem-meio. A região era vista como um conceito capaz de
promover o encontro entre as ciências da natureza e as ciências humanas, o
produto-síntese de uma reflexão verdadeiramente geográfica. Trabalha-se com a
ideia de regiões homogêneas e regiões funcionais ou polarizadas, o que gerou
uma série de críticas a esse pensamento.
O pensamento
teorético-quantitativo
Na concepção da geografia
teorético-quantitativa, outra escola de pensamento geográfico, o conceito de
espaço sofre uma influência da visão epistemológica da ciência, baseada nas
ciências naturais como a física. O conceito de paisagem é deixado de lado,
enquanto o de região é reduzido ao resultado de um processo de classificação de
unidade espaciais, segundo procedimentos de agrupamento e divisão lógica com
base em técnicas estatísticas. Lugar e território não são conceitos
significativos na geografia teorético-quantitativa.
O espaço é considerado sob duas
formas que não são mutuamente excludentes: planície isotrópica e a sua
representação matricial.
Críticos a esse pensamento
consideram-na uma visão limitada de
espaço, pois, privilegia-se em excesso a distância, vista como variável
independente; já as contradições, os agentes sociais, o tempo e as
transformações são inexistentes ou relegada a um plano secundário.
A região é vista sob uma
abordagem tecnicista, onde a divisão
passa a ser a palavra de ordem. São
estabelecidas regras e critérios de classificação
com o intuito de configurara espaços uniformes. A região é uma classe de área,
fruto de uma classificação geral que divide o espaço segundo critério ou
variáveis arbitrários que possuem justificativa no julgamento de sua relevância
para uma certa explicação (GOMES,1995). São identificados dois tipos
fundamentais de regiões: as regiões homogêneas e as regiões funcionais ou
polarizadas.
A concepção da geografia crítica
Com base no pensamento marxista e
originada a partir dos anos 70, a
Geografia Crítica entende espaço como o locus de reprodução das relações sócias
(CORREA,1995). O espaço é entendido como espaço social, vivido, em estreita
correlação com a prática social não deve ser visto como espaço absoluto, nem
como produto da sociedade. Santos (apud CORREA, 1995) tem sua obra marcada pela
forte presença dessa corrente de pensamento, onde o espaço é analisado através
de quatro elemento; forma, função, processo e estrutura.
Santos (2001) é um dos maiores
teóricos sobre a interferência do processo de globalização, observando a
existência de verticalidades (pontos
interligados dentro de um território que formam um espaço de fluxo, fortemente
influenciada por fatores externos) e horizontalidades (áreas de contiguidade
que forma extensões contínuas).
Gomes (1995) ressalta que para
essa corrente de pensamento, região passa a ser entendida a partir da
perspectiva histórica dos processos sociais, produto do meio de produção e
reprodução de toda vida social.
Geografia humanista e uma nova
visão espacial
De acordo com Correa (1995), essa
corrente de pensamento que tem base nas
filosofias do significado, especialmente a fenomenologia e o existencialismo e
está assentada no subjetivismo, na intuição, nos sentimentos, na experiência,
no simbolismo e na contingência, privilegiando o singular e não o particular ou
o universal. A paisagem torna-se um conceito revalorizado, assim como a região,
enquanto o conceito de território tem na geografia humanista uma de suas
matrizes.
Correa (1995) afirma que existem
vários tipos de espaços, um espaço pessoal, outro grupal, onde é vivida a
experiência do outro e o espaço mítico-conceitual que extrapola para além da
evidência sensorial e das necessidades imediatas e em direção a estruturas mais
abstratas.
Em relação a região, Gomes
(1995) destaca que essa corrente
trabalha com um novo conceito de região, vista como um quadro de referência
fundamental na sociedade. A região ganha
uma espessura e define um código social comum que tem uma base
territorial. Passa a ser vista como um produto real, construído dentro de um
quadro de solidariedade territorial.
A discussão sobre o território
O debate sobre a definição de
território envolve uma discussão referente a sua abrangência, limites e
identidades. Souza (1995) trabalha o conceito de território referindo-se a
escala nacional e em associação com o Estado como grande gestor, ressaltando
que não deve ser reduzido a associação
com a figura do Estado.
Para Souza , a ocupação do
território deve ser vista como algo gerador de raízes e identidade: um grupo
não pode mais ser compreendido sem o seu território, no sentido de que a
identidade sócio-cultural das pessoas estaria inarredavelmente ligada aos
atributos do espaço concreto. Dessa forma, os limites do território também
tornam-se flexíveis ante disputas e mudanças, na luta pela territorialidade. O
autor também cita o papel do território como instrumento ideológico para
esconder conflitos sócias dentre de um Estado.
A ideia de território também
encaminha reflexões a respeito da influência do processo de globalização.
Haesbaert (1995) traça uma abordagem sobre a questão do território, onde é
percebida a existência de vastos espaços no mundo contemporâneo que exibem
incrível nitidez referente a efeitos dessa “modernização arrasadora”.
De acordo com Haesbaert (1995),
esses espaços são moldados sob a ótica de um modelo dominante em que muitos
preferem considerar espaços sem história, sem identidade. Com a tecnologia e a
velocidade, e transformados num ritmo alucinante, onde a paisagem é incorporada
na mesma rede hierarquizada de fluxos alinhavada em escalas que vão muito além
dos níveis local e regional.
Haesbaert (1995) chama de “nova
desordem mundial”, aquilo que considera a produção de diversos níveis de
desterritorialização. Fenômeno incorporado a globalização econômica, estimulada
por redes tecnológicas mais sofisticadas, movimentos neoterritorialistas de
(re)enraizamento, que muitas vezes promovem a (re)construção de identidades
tradicionais e a exclusão socioeconômica e cultural mais violenta.
Sobre a desterritorialização,
Santos (2001) tece alguns comentários sobre a ideia de que espaço e tempo foram
contraídos graças a velocidade, o que considera um mito.
Na visão de Santos, a
ideia de uma humanidade desterritorializada a partir do desaparecimento das
fronteiras e de uma cidadania universal, cai por terra quando percebemos que as
fronteiras mudaram de significação, mas nunca estiveram tão vivas. A existência
das fronteiras, segundo ele, está pautada no fato de que o próprio exercício das atividades globalizadas
não prescinde de uma ação governamental capaz de torná-las efetivas dentro de
um território. Portanto, a humanidade desterritorializada seria apenas um mito.
Considerações finais de uma
discussão inacabada
O artigo trouxe elementos para
discutir a visão das diversas correntes geográficas envolvendo espaço e região,
bem como as antigas e novas concepções sobre território. Há de ser considerada
a dificuldade envolvendo a abordagem de fenômenos espaciais e a sua
representação através da escala, instrumento matemático amplamente utilizado
pela geografia e que trabalha com a ideia de apreensão da realidade, através da
representação.
Outro aspecto importante e que
merece atenção é o papel exercido pelas redes dentro da dinâmica territorial,
onde estão implicadas estratégias de
circulação e de comunicação, e o papel do Estado como gestor dentro do
território e o seu lugar na geopolítica mundial.
A discussão prossegue e as
possibilidades ainda não foram esgotadas.
In memorian
O último dia 2 foi o aniversário da morte daquele que foi o crítico mais ácido da esquerda brasileira, sendo um dos poucos nesse país que tinha a capacidade de assumir que era conservador. Mesmo discordando das posições tomadas por Francis, reconheço nele um dos mais brilhantes comentaristas da TV brasileira, de um humor escrachado e corajoso. Ele era o que Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo gostariam de ser, mas nunca conseguiram devido a mediocridade que impera dentre desses dois seres. Francis tem história na imprensa brasileira e deixou um legado importante para aqueles que gostam de uma boa polêmica.
Minhas primeiras lembranças de Francis estão relacionadas as suas aparições como comentarista no Jornal da Globo, onde, devido o seu jeito pitoresco de falar, chamava bastante a atenção.
No final da vida foi assolado por um processo movido pela Petrobrás. Motivo: Durante um programa de TV, Francis declarou que os dirigentes da Petrobrás tinham uma conta secreta na Suiça, no valor de 50 milhões, chamando-os de ladrões. Abaixo, um pouco do seu "jeitinho".
Minhas primeiras lembranças de Francis estão relacionadas as suas aparições como comentarista no Jornal da Globo, onde, devido o seu jeito pitoresco de falar, chamava bastante a atenção.
No final da vida foi assolado por um processo movido pela Petrobrás. Motivo: Durante um programa de TV, Francis declarou que os dirigentes da Petrobrás tinham uma conta secreta na Suiça, no valor de 50 milhões, chamando-os de ladrões. Abaixo, um pouco do seu "jeitinho".
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