domingo, maio 20, 2012

Apolo e a crise grega


Nova concepção de fila nos bancos


A última dança

Na última quinta-feira, a eterna rainha da disco music (seja lá o que isso signifique) partiu dessa pra melhor. Perdeu a batalha contra um câncer (ô doença maldita!) e contra o ostracismo pelo qual passada a um bom tempo. Nunca fui fã de Summer, mas reconheço que cantava bem tinha presença no palco e infelizmente foi estigmatizada como cantora de um estilo só - algo que considero injusto, pois não se trata de uma Ivete Sangalo ou coisa parecida. Summer tem em sua carreira uma parceria com o músico Giorgio Moroder, que resultou num trabalho de qualidade bem superior ao lixo que hoje é comercializado.
Suas músicas me fazem lembrar da minha infância, final dos anos 70 e início dos anos 80, e confesso  que às vezes - poucas vezes - me batia uma certa nostalgia de algo que ficou para traz e que ainda não consegui descobrir o que é. Talvez seja velhice mesmo! Mas enfim, fica aqui o registro.





O sentido da ciência



Qual o papel da ciência no mundo de hoje? Talvez essa seja uma pergunta extremamente incômoda e que é difícil de ser respondida nos meios acadêmicos. Pensar ciência e o seu papel, é pensar no mundo em que vivemos e como a humanidade se insere neste contexto. O filósofo Martin Heidegger oferece alguns caminhos que merecem ser analisados com mais atenção.
Heidegger afirma que a humanidade nunca conseguirá avaliar o alcance da essência da ciência enquanto for analisada apenas sob  o sentido cultural. Para ele, tanto arte quanto ciência são frutos de um desempenho cultural do homem e, aquilo que chamamos de ciência ocidental  europeia determina  a realidade na qual o homem de hoje se move e tenta sustentar-se.
A conjuntura pela qual atravessa a ciência encontra-se encoberta, dada as formas de percepção que homem tem da atividade científica dentro da sua realidade. Sendo assim, cabe então um questionamento por parte do autor:  o que significa este real?
Na ótica de Heidegger, o real na ciência moderna é entendido como o que se pode calcular de antemão, antecipadamente, o que pode ser medido. Dessa forma, a concepção de realidade adotada pela ciência moderna traz como consequência alguns princípios que na visão do autor precisam ser analisados, como a ideia de que  para a ciência o âmbito objetivo já é preestabelecido,  tornando-se praticamente uma nova religião.
Outra questão apontada por Heidegger é o fato da ciência tratar apenas dos fenômenos que são perceptíveis ao homem através do seus sentidos. O autor sustenta que o modo de pensar da ciência ignora a diferenciação entre o ser e o ente, o que impede de ser aplicado.
Heidegger  também trabalha com a ideia de diferenciação entre ser e ente a partir daquilo que se chama natureza. Para ele, a crítica reside no fato de que a concepção de representação do  fenômeno científico só pode ser considerado naquilo que é mensurável, desprezando todas as outras características.
De acordo com Heidegger, a pesquisa do real deve dedicar-se à especificidade  própria de seus objetos, o que remete a especialização. Na concepção do autor, a especialização não pode ser uma degeneração da ciência moderna, considerando-a um “mal necessário”.
A partir da caracterização daquilo que o autor nomeia como essência da ciência moderna, Heidegger questiona que conjuntura invisível se esconde na essência da ciência. Para responder a esse questionamento, ele discorre sobre  a objetividade dos diversos domínios do objetivo, tendo como exemplo  a relação da física com a natureza. A objetividade, segundo o autor, se transforma na constância da dis-ponibilidade determinada pela com-posição, onde a teoria fixa o real, a natureza no caso da física,  num domínio de objetos. No entanto essa mesma natureza já existe e funciona  através das sua própria dinâmica o que, devido a sua própria essência, torna-se incapaz de ser representada diante da percepção dos homens.
Para Heidegger, essa objetidade das ciências modernas nunca pode abarcar toda a plenitude essencial da natureza, porque  a objetividade da natureza é  um modo em que ela se expõe.
A partir dessa objetidade da natureza, o autor destaca a existência do incontornável como parte da essência da ciência e que não pode ser abarcado em sua plenitude, tal como descreveu em relação à natureza, o homem, o acontecer histórico e a linguagem. Com a impossibilidade de  encontrar o incontrolável dentro da própria ciência, Heidegger traz à tona uma questão onde o saber, a natureza, o homem, o acontecer histórico, a linguagem, tornam-se inacessíveis para a ciência e, dessa forma incontornável.
Sob esse prisma, Heidegger faz um paralelo com a “crise de fundamentos” que assola a ciência, onde o mesmo sustenta que a referida crise refere-se aos conceitos fundamentais de algumas ciências, não tratando-se de uma crise da ciência.
Por fim, Heidegger estabelece como fundamento último para a constituição de uma ciência do homem a compreensão do ser. Para ele, o homem deve caminhar numa direção onde a  essência da ciência deve ser colocar como tarefa, a compreensão do ser.

domingo, maio 13, 2012

Mother's day and corruption


Enquanto isso em Brasilia...


Heidegger e a questão filosófica


O artigo em questão é parte de uma análise sobre o texto "O que é isto - a Filosofia?", de Martin Heidegger

Encontrar um caminho que permita o debate e a resposta sobre o que é Filosofia. Esta é a discussão proposta por  Martin Heidegger nesse texto onde a meta  é a discussão sobre o tema tratando-o sob os mais diferentes pontos de vista.
Heidegger começa tecer suas análises a partir  da ideia de que a Filosofia  não é apenas algo racional, mas a própria guarda da ratio, ou seja, da razão. Entretanto, o autor alerta para a concepção errônea de que  a Filosofia é a guarda da razão, sob a argumentação de que aquilo que se apresenta como ratio foi primeiramente e apenas fixado pela Filosofia durante  sua história. Da mesma maneira, Heidegger  também sustenta que é  duvidosa a ideia de que  a Filosofia pertence à esfera do irracional.
Na busca pelo caminho sobre o que é a Filosofia, Heidegger recorre a etimologia da palavra, onde a língua grega define-a como  algo que pela primeira vez e antes de tudo vinca a existência do mundo grego, constituindo-se na linha mestra da história ocidental-europeia.
Numa abordagem mais aprofundada sobre o tema, a Filosofia estabelece uma relação intrínseca com a ciência a partir do momento em que estão ligadas a uma tradição historial. Recorrendo novamente a etimologia, a palavra philosophia mostra a direção de um caminho ligado a transmissão, a ideia de libertar  para a liberdade do diálogo  e está ligada ao nascimento de nossa própria história.
A relação com a ciência se aprofunda ainda mais quando Heidegger coloca  como questão a ideia de que o significado da Filosofia é carregado de historicidade, cujo conteúdo é o nosso próprio destino, ou seja, a existência ocidental-europeia. Conduz para existência própria  da essência.
Ao recorrer mais uma vez o significado da palavra Filosofia, Heidegger  encontra mais indícios sobre o que é a Filosofia a partir da identificação do ser e do ente. Segundo Heidegger, a Filosofia está a caminho do ente sob o ponto de vista do ser, onde razão e causa são considerados  o ser do ente. É através da razão e causa que Heidegger mais uma vez  percebe mais relações entre Filosofia e ciência  a partir da  concepção de episteme , uma competência capaz de olhar para algo e envolver e fixar com o olhar aquilo que estuda.
Citando afirmação de Aristóteles, Heidegger diz que a  filosofia é uma espécie de competência capaz de perscrutar o ente, a saber, sob o ponto de vista do que ele é, enquanto é ente.
De acordo com Heidegger, a  Filosofia  assume a  correspondência  entre o processo de desenvolvimento entre  do ser do ente, é a filosofia. Segundo o autor,  somente aprendemos a conhecer e a saber quando experimentamos de que modo a filosofia é, ao modo da correspondência que se harmoniza e põe de acordo com a voz do ser do ente. Este co-responder é um falar e está a serviço da linguagem.

terça-feira, maio 01, 2012

1º de Maio e a histeria da mídia



Por Altamiro Borges

Já virou rotina. Sempre que se aproxima a comemoração do Dia Internacional do Trabalhador, a mídia patronal publica editoriais e “reporcagens” contra o sindicalismo. É a mesma ladainha: as leis trabalhistas são “anacrônicas” e “engessam” o crescimento econômico, há libertinagem nas greves e o Brasil caminha para uma “república sindicalista” – o refrão preferido dos golpistas de 1964.

Hoje, a Folha criticou o fato das centrais sindicais receberem patrocínios oficiais para a realização dos atos do 1º de Maio. Para a mídia patronal, só os patrões deveriam receber recursos públicos – que proveem dos impostos dos trabalhadores – para realizar as suas festivas atividades. Dinheiro público para as elites empresariais, sim; para eventos dos trabalhadores, nunca!

O falso discurso da transparência

Segundo a matéria, que parece ter sido encomendada, “o governo federal dobrou, em três anos, o valor repassado às principais centrais [através de um percentual da contribuição sindical], que preparam festas milionárias para celebrar o feriado do Dia do Trabalho. O bolo destinado às centrais saltou de R$ 62 milhões em 2008 para R$ 124 milhões no ano passado”.

A Folha garante que, “apesar da origem pública, não há nenhuma fiscalização sobre o uso da verba”. Já que é tão transparente, o jornal bem que poderia publicar quanto recebe de publicidade oficial ou de isenções no papel para a impressão; também poderia informar aos leitores quanta grana as empresas e os governos destinam para financiar os seus inúmeros eventos.

Asfixiar financeiramente os sindicatos

Além de criticar os patrocínios às comemorações do Dia Internacional dos Trabalhadores, o diário da famiglia Frias aproveita para satanizar a contribuição sindical descontada na folha de pagamento. Para os empresários, o sindicalismo deveria receber menos recursos. De preferência, deveria morrer à míngua. Desta forma, não promoveria tantas lutas e greves. Não daria tanta dor de cabeça!

Segundo a Folha, o ex-presidente Lula, que teve a sua origem no sindicalismo, beneficiou as centrais ao garantir recursos para a sua atuação. “Nos primeiros quatro anos da regra, as seis centrais receberam um total de R$ 370 milhões. A exemplo do Ministério do Trabalho, todas defendem a cobrança obrigatória, à exceção da CUT”, informa jornal, que sempre pregou o fim deste “privilégio”.

Restrições ao direito de greve

No mesmo rumo da satanização do sindicalismo, editorial do Estadão de segunda-feira passada (23) criticou o aumento do poder de mobilização dos trabalhadores do setor público. Para o jornalão da famiglia Mesquita, que iniciou a sua trajetória publicando anúncios da venda de escravos, o governo deveria restringir drasticamente o direito de greve do funcionalismo.

“Números divulgados pelo Dieese chamam a atenção, mais uma vez, para a urgência de regulamentação do direito de greve de servidores públicos civis. Em 2009 houve 518 greves, o maior número no país desde 1978, com 266 no setor privado, ou 51,5% do total, número ligeiramente superior às 251 greves do setor público... Em 2010, porém, o setor público passou a liderar em número de greves, tendo deflagrado 269 paralisações, 60% do total de 448”.

Que tal o retorno à escravidão?

Para o Estadão, estes números são absurdos. Os servidores deveriam ser reprimidos – ou melhor, sumariamente demitidos. “Com tantas greves e horas não trabalhadas, a máquina do governo, que não prima pela eficiência, é ainda mais emperrada e aumentam os gastos de custeio”. O jornal da famiglia Mesquita culpa os governos Lula/Dilma por não restringirem as greves no setor público.

Sem esconder as suas predileções partidárias, o Estadão apoia descaradamente um projeto do senador Aloysio Nunes, do PSDB, que tramita no Congresso. “O projeto ataca o cerne da questão, definindo com clareza serviços que não podem ser paralisados, em hipótese alguma - abastecimento de água, fornecimento de energia, segurança pública, defesa civil, assistência médico-hospitalar, transporte coletivo, telecomunicações, serviços judiciários, etc”. Ou seja: quase todos os servidores públicos!

Como se observa, a mídia patronal não tolera as lutas dos trabalhadores. O seu desejo insaciável é para retirar direitos trabalhistas, criminalizar as greves e asfixiar financeiramente o sindicalismo. Se pudesse, até proibiria a comemoração do Dia Internacional dos Trabalhadores – como ocorre nos EUA. Ou melhor: ela imporia um decreto pelo retorno da escravidão! Seria bem mais simples.
Fonte: site Vermelho