segunda-feira, abril 30, 2012

Soul alemão

Vasculhando entre os participantes do Festival Eurovison, encontro um cantor de soul alemão. Isto mesmo, Deutsche können singen Seele. E esse é dos bons! Her Max Mutzke, tem uma voz que lembra bastante as grandes feras do gênero no EUA e tem uma carreira sólida em terras germânicas. Mutzke participou do festival Eurovison em 2004 e não ganhou. Uma ucraniana cantando dance music levou o primeiro lugar, provando que mau gosto também existe além da terra brasilis. Mesmo assim vale o registro de sua performance no festival.


Da série: mitos e lendas

Seria cômico se não fosse trágico, principalmente no que tange ao nosso país.

Mais um capítulo de “Casagrande versus Senzala”




Bruto, arrojado, blindado, equipado com um canhão d’água e capaz de remover obstáculos. Não, não se trata da mais uma arma de guerra norte-americana destinada ao combate no Afeganistão, mas sim do novo “brinquedinho” adquirido pelo governo do ES na sua cruzada contra os “manifestantes-terroristas-sabotadores” que insistem em protestar contra a situação do transporte público capixaba e seus aumentos abusivos.
A novidade foi anunciada com destaque pela mídia corporativa capixaba – afinal, o pagamento de anúncios está em dia – enfatizando que além do canhão de água, a viatura terá um sistema que permite misturar tinta e agente lacrimogêneo à água. E para quê isso? Ora, com a tinta ficará mais fácil à identificação de suspeitos que participam da manifestação. Esse negócio de gás lacrimogênio é coisa do passado, diriam alguns simpatizantes da nova empreitada do governo.
O Mangueirão ou caveirão capixaba é a forma com que o atual governo estadual encara as discordâncias e os protestos. Dialogar, para quê? O negócio é baixar a porrada, pois a maior parte da mídia está no bolso, a maioria dos partidos e lideranças fazem parte da aliança política e os empresários estão apoiando. Para população, resta apenas o direito de permanecer calada e tudo que disser será usada contra ela.
O que é irônico nisso não é o fato de que esse tipo de veículo, utilizado no Rio de Janeiro para pacificar favelas, ser utilizado contra manifestantes enquanto que a segurança pública vai de mal a pior, com elevados índices de homicídios. Na minha singela opinião a ironia reside no fato de que essa medida leva a chancela do partido socialista brasileiro em plena “democracia”.
Fica então o seguinte pensamento: quando  um governo que se diz de esquerda, com graves problemas na área de segurança pública, começa a tratar manifestações populares como atos criminosos é porque há algo de errado na forma de fazer política e na concepção de governo democrático que vem sendo apregoado. A música abaixo, cuja letra parece não envelhecer, talvez ajude a entender melhor o pensamento.

quinta-feira, abril 26, 2012

Exposição demais dá nisso...

Doces sonhos rubro-negros

O último malandro

Em tempos de Brasil politicamente correto e de extrema pobreza de criatividade, recebo a notícia da morte do último malandro do samba, Dicró. Infelizmente, parece que não deixa sucessores à altura, tal como aconteceu com Moreira da Silva e Bezerra da Silva. Sem Dicró, a música brasileira ficou mais chata.


domingo, abril 15, 2012

O México é aqui!

Neste domingo ensolarado, vejo na internet um vídeo mexicano - muito bem feito por sinal - criado pela ong Nuestro Mexico Del Futuro. O vídeo é interpretado somente por crianças e retrata a atual situação do país - o que deixou muitos políticos irritados. De vez quando, algumas verdades ditas em forma de uma linguagem mais agressiva deixam as pessoas contra a parede, pois são confrontadas com o que está realmente acontecendo e não o que está sendo noticiado ou comunicado por empresas ou representantes públicos.
Como observei muita semelhança com a realidade brasileira e na crença que de que ideias boas podem ser copiadas, fica a sugestão de fazer algo similar no Brasil, apesar dos protestos dos defensores do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA para os íntimos). Eis o vídeo.

sábado, abril 14, 2012

Deitado eternamente em berço explêndido


Eurovision 2012


Desde 2009 venho acompanhando o Festival de Música Eurovison, que reúne representantes de praticamente todos os países europeus e Israel. Já escrevi alguma coisa sobre isso aqui no blog e todo ano fico na expectativa do nível dos concorrentes para ver se tem alguma novidade ou pelo menos um intérprete que possa ser interessante ouvir.
No geral as coisas continuam no mesmo padrão: a maioria canta em inglês por questões mercadológicas (maldita indústria fonográfica), muita dance music, ótima produção, mas nada que fuja ao trivial.
Este ano poucas coisas chamaram a atenção. Destaco a representante da Itália (excelente), Portugal (finalmente mandaram algo que represente bem a música cantada em português), Lituânia (singer self-made para os padrões dos EUA, mas talentoso), Suiça (banda de rock razoável). Na linha da “música-que-gruda-igual-chiclete” há os representantes da Suécia, Noruega, Irlanda e França. A curiosidade fica por conta da representante da Romênia, que canta em espanhol. Entre as surpresas (boas ou más, dependendo da ótica) as representantes da Rússia (tomei um susto quando escutei), Macedônia (se escutar só a primeira vez vai achar uma droga), e da Holanda (música e interpretação boas, lembrando muito o estilo folk de Joan Baez) e do funk-rap da Austria.
Na minha humilde opinião, as decepções ficam por conta da Servia, Grécia (até nisso o país está em baixa) e Polônia. Esses países já mandaram representantes melhores. No mais, Alemanha, Espanha, Reino Unido mandaram bons cantores, mas a música não tem “pegada”. Abaixo uma playlist dos candidatos. 



domingo, abril 01, 2012

Anatomia do homem-massa e a sociedade moderna


A relação entre o homem e a ciência é o ponto de partida para análise de Ortega y Gasset sobre o tipo de ciência produzida atualmente e a concepção de civilização em que nos encontramos.
Em sua análise sobre  a civilização moderna, Ortega y Gasset estabelece o conceito de “massa”, onde tipifica  um perfil de um conjunto de pessoas não especialmente qualificadas, independente de classe social, constituindo-se num “modo de ser”.  Partindo dessa  concepção, o filósofo argumenta que a civilização do século XIX produziu um tipo de homem  moldado na  ideia de concepção de ciência forjada na especialização, hermético e satisfeito dentro das sua limitações. Um homem receptivo ao  conformismo e na aceitação de sua condição como integrante de uma sociedade  sem questionamentos, visualizando apenas o imediatismo material de sua realidade. Esse novo homem, membro de uma multidão acrítica é definido como homem-massa.
Mas é sobre a ciência e sua relação intrínseca com este novo homem, que o autor tece análises mais aprofundadas. Num primeiro momento, Ortega y Gasset discorre sobre  umas das grandes dimensões do século XIX: a técnica. Oriunda da cópula entre o capitalismo e a ciência experimental, ele chama a atenção para o fato de que nem toda técnica é científica, tese embasada pela condição da civilização chinesa, dentre outras citadas.
Mas é a partir da especialização, surgida  numa época em que o enciclopedismo, que pode ser identificado uma conexão com o homem-massa. Conexão  que pode ser percebida a partir  do conhecimento  de uma pequena parte de uma ciência, tornando-se um ativo pesquisador desse pequeno universo.
O fato é que esse novo homem, restringido à escassez de seu campo visual, no que tange a ciência, consegue fazê-la avançar, devido à mecanização, proporcionada por metodologias e aparatos que o torna conhecedor de “seu mínimo rincão de universo”, mas que “ignora radicalmente todo o resto".
Esse novo perfil de homens derivados da especialização, reduz a espécie a sua essência revelando-se naquilo que o autor chama de "sábio-ignorante.” Para Ortega y Gasset esse novo homem, moldado na especialização, é hermético e satisfeito dentro de sua limitação, mas que transcende seu pequeno universo, qualificando-se pela sociedade como  homem qualificado e que passa a atuar na política, na arte, na religião e  nos problemas gerais da vida como “verdadeiros homens da ciência”, o que segundo o autor revela a sua face presunçosa e ao mesmo tempo ignorante, diante da complexidade o que é a ciência e o mundo em que estamos inseridos.
A crítica feita pelo autor à especialização  mostra uma dualidade. Ao mesmo tempo  em que foi possível o progresso da ciência experimental pela especialização, verifica-se um desconhecimento por completo da fisiologia interna da ciência, mesmo daquela em que é especialista. Através da análise do autor, depreende-se que  o homem das ciências de hoje é o protótipo do homem-massa, cada vez mais  confinado à especialização, restrita a um campo de atuação intelectual cada vez mais estreito, onde os problemas passam a ser simplificados diante da mecânica a que são submetidos.