quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Wando RIP


A abundância no carnaval


O autoelogio do quarto poder

Assunto mais comentado nos últimos dias, o julgamento de Lindemberg Alves, assassino da adolescente Eloá Pimentel, ressurge após três anos do acontecimento do fato, com a mesma intensidade e trazendo novos elementos, cuja atenção não foi devidamente dada naquela época.
O caso teve repercussão nacional e teve um desfecho trágico diante das câmeras de TV de todo país, causando comoção nacional. Que Lindemberg cometeu um crime, isso é fato! Também é certa a sua condenação, dada a torpeza do crime e as circunstâncias. Mas, saindo da esfera do emocional e analisando a situação, chama atenção à estratégia de defesa, capitaneada pela advogada Ana Lúcia Assad. Tratada pela imprensa como “a-advogada-que-quer-aparecer”, Assad tocou numa ferida que a mídia não gosta e faz de tudo para rechaçá-la.
Qual a estratégia da advogada? Pretende levar o caso para crime passional, o que beneficiaria o réu. Mas não venho aqui tratar do juridiquês nem tão pouco discutir  de forma pormenorizada a estratégia da defesa nesse caso. Isso eu deixo para os ilustres causistas e suas portas de cadeia. O que chama a atenção nesse episódio é fato de que a advogada em questão levanta  a responsabilidade da polícia – cuja ação foi além do que desastrosa – e o papel da mídia nesse caso.
A defesa levanta a possibilidade de que a cobertura do caso pela mídia tenha influenciado no desenrolar dos acontecimentos. Exagero? Nem tanto, considerando que uma apresentadora de TV conseguiu entrevistar o seqüestrador (Lindemberg) ao vivo, mantendo a adolescente em cárcere. Quer mais? O excesso de informações de detalhes policialescos, durante 24 horas,  proporcionou a criação de um ambiente de comoção nacional, onde o acusado possivelmente deve ter sido influenciado, o que pode ter contribuído definitivamente para o desfecho do seqüestro. O que eventualmente deveria ser algo que chamasse a atenção e que poderia ser resolvido de uma forma mais simples tomou proporções  incontroláveis.
O julgamento trouxe à tona o debate envolvendo a participação da mídia na cobertura de eventos dessa natureza. Há muito vem sendo usada a expressão “espetacularização da notícia”, termo mais do que apropriado para tratar a forma com que os meios de comunicação se comportam diante da divulgação de fatos e o uso deles perante a opinião pública. Hoje, a mesma mídia que lutava para mostrar todos os detalhes do seqüestro, chegando até mesmo a entrevistar o seqüestrador, se arvora em justiceira e já estabeleceu a sentença antes mesmo do Poder judiciário proferi-la. Lindemberg foi condenado antes mesmo de pisar no tribunal.
É irresistível a comparação do caso com o filme “O Quarto Poder”, do diretor Constantin Costa Gavras. Nele, um segurança de um museu perde o emprego e, desesperado, volta armado ao local de trabalho a fim de pressionar sua antiga empregadora, acabando por seqüestrá-la, juntamente com um grupo de crianças, além de dar um tiro acidental num ex-colega de trabalho. O caso ganha proporção quando um repórter inescrupuloso percebe que poderia manipular a situação em prol de picos de audiência. O desfecho do filme é trágico e exemplifica a forma inescrupulosa como a mídia  trata fatos dessa natureza em prol de audiência.
Tal como numa novela de horário nobre, a advogada de Lindemberg parece ser a mais nova vilã do Brasil, culpada por proferir inverdades e tecer ilações que não condizem com a verdade construída pela mídia. Deverá ser achincalhada por alguns dias, até outro fato ganhar o status de “espetáculo” e levar  comoção a opinião pública, concedendo a ela o papel de juiz e carrasco, sob a geração de  picos de audiência conseguida.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Baixa na música brega

A música brega sofreu um pesada baixa nesta quarta-feira com a morte do cantor e colecionador de calcinhas Wando. O coração do obsceno (assim ele se intitulava num de seus shows) não resistiu, levando-o a óbito. A Du Loren e outras fábricas de calcinha podiam fazer um homenagem para aquele que tornou essa peça íntima do vestuário feminino, uma de suas marcas registradas durante as apresentações.
Com a morte de Wando acho bom a rapaziada da música brega fazer um check up e ver se está tudo bem. Te cuida Reginaldo Rossi!

É carnaval em Salvador!

Perguntinha básica: diante da possibilidade da greve de PMs se estender a outros estados e lembrando que a Constituição Federal proíbe greve de militares,  as autoridades competentes estão negociando o quê?

domingo, fevereiro 05, 2012

Ainda existe rock'n roll no Brasil

Uma das poucas bandas de rock que ainda prestam nesse país. A banda Velhas Virgens faz um som que transita entre o rock clássico e o blues. Abaixo, um pequena amostra.




Bom é quando faz mal.... às vezes!

Espaço, região e território: elementos basilares da geografia


Por Erick Schunig

A geografia se apresenta como um dos campos científicos mais versáteis em relação a sua área de atuação, oferecendo um importante cabedal para usos diversos que vão desde a análise epistemológica da relação entre o homem e a natureza até o fornecimento de subsídios para o planejamento ambiental.
Entretanto, há temas fundamentais que são pilares na discussão do conhecimento geográfico e que apontam caminhos importantes para entender o mundo atual e suas mudanças. Nesse sentido, há de que seja feita uma discussão sobre as diversas concepções que envolvem três elementos inerentes da geografia: espaço, região e território. É sobre esse tripé que iremos discorrer e que tentaremos fornecer subsídios para melhor entendimento sobre  como cada um se apresenta dentro das escolas de pensamento geográfico e quais as implicações envolvidas.

Geografia tradicional ou clássica
Para geografia tradicional, espaço pode ser apresentado através de uma simples definição como uma porção da superfície do nosso planeta, composta pela natureza e por todos elementos que a caracterizam (clima, relevo, vegetação, hidrografia, etc.), sob influência das ações humanas. Partindo dessa definição simplista, espaço pode ser visto através de uma ótica mais apurada, envolvendo as escolas de pensamento geográfico.
De acordo com Correa (1995), a geografia tradicional ou clássica tratava espaço de uma forma superficial, aparecendo em obras de geógrafos como Friederich Ratzel e Hartshorne. Paisagem e região não tinham uma abordagem mais sofisticada, limitando-se bastante a descrição. Ratzel desenvolve dois conceitos fundamentais envolvendo território e de espaço vital. O primeiro vincula-se à apropriação de uma porção do espaço por um determinado grupo, enquanto o segundo expressa às necessidades territoriais de uma sociedade em função de seu desenvolvimento tecnológico, do total de população e dos recursos naturais. A preservação e ampliação do espaço vital, constitui, na formulação de Ratzel, como a própria razão de ser do Estado.
O espaço na visão de Hartshorne é o espaço absoluto, um conjunto de pontos que tem existência em si, sendo independente de qualquer coisa. É um quadro de referência que não deriva da experiência, sendo apenas intuitivamente utilizado na experiência. Trata-se de uma visão kantiana, por sua vez influenciada por Newton, em que o espaço (e o tempo) associa-se a todas as dimensões da vida. Sob essa ótica o espaço é visto como um receptáculo que contém elementos.
Segundo Gomes (1995), para  essa escola de pensamento, o conceito de região surge da  ideia de que o ambiente tem um certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade. A partir da perspectiva possibilista, as regiões existem como unidades básicas do saber geográfico, não como unidades morfológica e fisicamente pré-constituídas, mas sim como resultado do trabalho humano  em determinado ambiente.
É forte a influência de concepções elaboradas por geógrafos alemães e franceses, onde a região pode preservar a unidade fundamental do campo da geografia, instituída sob o formato de discussão relação homem-meio. A região era vista como um conceito capaz de promover o encontro entre as ciências da natureza e as ciências humanas, o produto-síntese de uma reflexão verdadeiramente geográfica. Trabalha-se com a ideia de regiões homogêneas e regiões funcionais ou polarizadas, o que gerou uma série de críticas a esse pensamento.

O pensamento teorético-quantitativo
Na concepção da geografia teorético-quantitativa, outra escola de pensamento geográfico, o conceito de espaço sofre uma influência da visão epistemológica da ciência, baseada nas ciências naturais como a física. O conceito de paisagem é deixado de lado, enquanto o de região é reduzido ao resultado de um processo de classificação de unidade espaciais, segundo procedimentos de agrupamento e divisão lógica com base em técnicas estatísticas. Lugar e território não são conceitos significativos na geografia teorético-quantitativa.
O espaço é considerado sob duas formas que não são mutuamente excludentes: planície isotrópica e a sua representação matricial.
Críticos a esse pensamento consideram-na  uma visão limitada de espaço, pois, privilegia-se em excesso a distância, vista como variável independente; já as contradições, os agentes sociais, o tempo e as transformações são inexistentes ou relegada a um plano secundário.
A região é vista sob uma abordagem  tecnicista, onde a divisão passa a ser a palavra de ordem.  São estabelecidas regras e critérios  de classificação com o intuito de configurara espaços uniformes. A região é uma classe de área, fruto de uma classificação geral que divide o espaço segundo critério ou variáveis arbitrários que possuem justificativa no julgamento de sua relevância para uma certa explicação (GOMES,1995). São identificados dois tipos fundamentais de regiões: as regiões homogêneas e as regiões funcionais ou polarizadas.

A concepção da geografia crítica
Com base no pensamento marxista e originada  a partir dos anos 70, a Geografia Crítica entende espaço como o locus de reprodução das relações sócias (CORREA,1995). O espaço é entendido como espaço social, vivido, em estreita correlação com a prática social não deve ser visto como espaço absoluto, nem como produto da sociedade. Santos (apud CORREA, 1995) tem sua obra marcada pela forte presença dessa corrente de pensamento, onde o espaço é analisado através de quatro elemento; forma, função, processo e estrutura.
Santos (2001) é um dos maiores teóricos sobre a interferência do processo de globalização, observando a existência de  verticalidades (pontos interligados dentro de um território que formam um espaço de fluxo, fortemente influenciada por fatores externos) e horizontalidades (áreas de contiguidade que forma extensões contínuas).
Gomes (1995) ressalta que para essa corrente de pensamento, região passa a ser entendida a partir da perspectiva histórica dos processos sociais, produto do meio de produção e reprodução de toda vida social.

Geografia humanista e uma nova visão espacial
De acordo com Correa (1995), essa corrente de pensamento que tem base  nas filosofias do significado, especialmente a fenomenologia e o existencialismo e está assentada no subjetivismo, na intuição, nos sentimentos, na experiência, no simbolismo e na contingência, privilegiando o singular e não o particular ou o universal. A paisagem torna-se um conceito revalorizado, assim como a região, enquanto o conceito de território tem na geografia humanista uma de suas matrizes.
Correa (1995) afirma que existem vários tipos de espaços, um espaço pessoal, outro grupal, onde é vivida a experiência do outro e o espaço mítico-conceitual que extrapola para além da evidência sensorial e das necessidades imediatas e em direção a estruturas mais abstratas.
Em relação a região, Gomes (1995)  destaca que essa corrente trabalha com um novo conceito de região, vista como um quadro de referência fundamental na sociedade. A região ganha  uma espessura e define um código social comum que tem uma base territorial. Passa a ser vista como um produto real, construído dentro de um quadro de solidariedade territorial.

A discussão sobre o território
O debate sobre a definição de território envolve uma discussão referente a sua abrangência, limites e identidades. Souza (1995) trabalha o conceito de território referindo-se a escala nacional e em associação com o Estado como grande gestor, ressaltando que não deve ser reduzido  a associação com a figura do Estado.
Para Souza , a ocupação do território deve ser vista como algo gerador de raízes e identidade: um grupo não pode mais ser compreendido sem o seu território, no sentido de que a identidade sócio-cultural das pessoas estaria inarredavelmente ligada aos atributos do espaço concreto. Dessa forma, os limites do território também tornam-se flexíveis ante disputas e mudanças, na luta pela territorialidade. O autor também cita o papel do território como instrumento ideológico para esconder conflitos sócias dentre de um Estado.
A ideia de território também encaminha reflexões a respeito da influência do processo de globalização. Haesbaert (1995) traça uma abordagem sobre a questão do território, onde é percebida a existência de vastos espaços no mundo contemporâneo que exibem incrível nitidez referente a efeitos dessa “modernização arrasadora”.
De acordo com Haesbaert (1995), esses espaços são moldados sob a ótica de um modelo dominante em que muitos preferem considerar espaços sem história, sem identidade. Com a tecnologia e a velocidade, e transformados num ritmo alucinante, onde a paisagem é incorporada na mesma rede hierarquizada de fluxos alinhavada em escalas que vão muito além dos níveis local e regional.
Haesbaert (1995) chama de “nova desordem mundial”, aquilo que considera a produção de diversos níveis de desterritorialização. Fenômeno incorporado a globalização econômica, estimulada por redes tecnológicas mais sofisticadas, movimentos neoterritorialistas de (re)enraizamento, que muitas vezes promovem a (re)construção de identidades tradicionais e a exclusão socioeconômica e cultural mais violenta.
Sobre a desterritorialização, Santos (2001) tece alguns comentários sobre a ideia de que espaço e tempo foram contraídos graças a velocidade, o que considera um mito.
Na visão de Santos, a ideia de uma humanidade desterritorializada a partir do desaparecimento das fronteiras e de uma cidadania universal, cai por terra quando percebemos que as fronteiras mudaram de significação, mas nunca estiveram tão vivas. A existência das fronteiras, segundo ele, está pautada no fato de que  o próprio exercício das atividades globalizadas não prescinde de uma ação governamental capaz de torná-las efetivas dentro de um território. Portanto, a humanidade desterritorializada seria apenas um mito.

Considerações finais de uma discussão inacabada
O artigo trouxe elementos para discutir a visão das diversas correntes geográficas envolvendo espaço e região, bem como as antigas e novas concepções sobre território. Há de ser considerada a dificuldade envolvendo a abordagem de fenômenos espaciais e a sua representação através da escala, instrumento matemático amplamente utilizado pela geografia e que trabalha com a ideia de apreensão da realidade, através da representação.
Outro aspecto importante e que merece atenção é o papel exercido pelas redes dentro da dinâmica territorial, onde estão implicadas  estratégias de circulação e de comunicação, e o papel do Estado como gestor dentro do território e o seu lugar na geopolítica mundial.
A discussão prossegue e as possibilidades ainda não foram esgotadas.



In memorian

O último dia 2 foi o aniversário da morte daquele que foi  o crítico mais ácido da esquerda brasileira, sendo um dos poucos nesse  país que tinha a capacidade de assumir que era conservador. Mesmo discordando das posições tomadas por Francis, reconheço nele um dos mais brilhantes comentaristas da TV brasileira, de um humor escrachado e corajoso. Ele era o que Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo gostariam de ser, mas nunca conseguiram  devido a mediocridade que impera dentre desses dois seres. Francis tem história na imprensa brasileira e deixou um legado importante para aqueles que gostam de uma boa polêmica.
Minhas primeiras lembranças de Francis estão relacionadas as suas aparições como comentarista no Jornal da Globo, onde, devido o seu jeito pitoresco de falar, chamava bastante a atenção.
No final da vida foi assolado por um processo movido pela Petrobrás. Motivo: Durante um programa de TV, Francis declarou que  os dirigentes da Petrobrás tinham uma conta secreta na Suiça, no valor de 50 milhões, chamando-os de ladrões. Abaixo, um pouco do seu "jeitinho".

Extinguir ou não extinguir?