domingo, janeiro 22, 2012

Dá uma espiadinha!


Rita stopped

Ao olhar os principais sites de notícias, descubro que Rita Lee anunciou a sua aposentadoria dos shows. Segundo declarações publicadas pela imprensa, ela alega não ter mais condições físicas para isso. em tempos de Luan Santana, Michel Teló, banda de axé e toda essa porcaria que teima em existir, essa não foi uma boa notícia. Pelo menos há um bom registro em vídeo da rainha do rock brasileiro.



Europa über alles


Sacanagem metal

A criatividade do ser humano é algo que impressiona. Principalmente quando se trata de esculhambar e fazer gozação. Acho que nisso nós, brasileiros, somos campeões, dada a quantidade de piadas e situações constrangedoras que produzimos ou que somos vítimas. O brasileiro gosta de sacanear!
Nessa linha de raciocínio, gosto de lembrar sempre aquela turma denominada por um escriba de "expoentes da piada-canção" (não lembro o nome do autor e lá se vão mais de duas décadas). Sou fã confesso do Língua de Trapo, do Premeditando o Breque e de toda o pessoal da música brega, que na minha opinião é uma das faces do povo brasileiro e de certa forma consegue romper com esses padrões impostos pela mídia e indústria fonográfica.
Acredito que o grande problema desse estilo (?) de música é a falta de renovação, já que o  aparecimento de um "Zé Graça" musical  não dura muito, seja pelo desgaste da fórmula ou por outro motivo (caso dos Mamonas Assassinas).
Dos mais recentes, acho interessante o trabalho do Massacration (do grupo humorístico Hermes e Renato), que rende boas risadas. Ao escutar algumas faixas num site de música, lembrei que fui a um show deles aqui em Vitória. Abaixo um pouco dos "cerais metal".


Discutindo o paradigma do desenvolvimento sustentável


O texto abaixo  tem como referência o livro da bióloga Rozely Ferreira dos Santos - o qual indico como livro de cabeceira para aqueles que estudam a temática ambiental. Fiz com o intuito de estudar para prova de mestrado e parece que deu certo.

Considerações sobre o paradigma do desenvolvimento sustentável
Por Erick Schunig

No cerne de debates acalorados, o termo “desenvolvimento sustentável” praticamente virou  palavra de ordem quando o assunto é discussão sobre meio ambiente. Faz referência a exploração de recursos em consonância com a preservação da natureza e desenvolvimento humano. Mas afinal,  no mundo em que vivemos é possível ter desenvolvimento sustentável? A pergunta é incômoda, mas deve ser feita, sob a responsabilidade que paira em todos os seres humanos no tocante a sobrevivência em nosso planeta.

O início
A discussão sobre a questão ambiental é relativamente nova, tendo ocupado lugar de destaque em fóruns como a conferências como a do clube de Roma (1968) e Estocolmo (1972).
Eventos desse porte deram a tônica das bases envolvendo planejamento ambiental.  Em seu livro “Planejamento Ambiental – teoria e prática”, a bióloga Rozely Ferreira dos Santos lembra que nos pós-guerra, surge nos EUA, uma visão diferenciada de planejamento ambiental, a partir da exigência  de estudos de impactos ambientais, contanto com a participação das universidades e criação de um marco legal.
Na década de 60, ganha destaque no EUA a ideia de não haver um modelo único de desenvolvimento, sendo melhor aquele que a própria sociedade decide, com satisfação de suas necessidades segundo sua representatividade social.  Surgem modelos alternativos de desenvolvimento, considerando  benefícios desvinculados do aspecto puramente econômico, envolvendo qualidade de vida, conforto, higiene, educação, bem como características negativas do chamado mundo desenvolvido, como poluição e degradação ambiental.
O marco das preocupações  do homem moderno com o meio ambiente deu-se em 1968, com o clube de Roma, onde foram incorporadas questões sociais, políticas, ecológicas e econômicas com uso racional dos recursos.  A autora cita  o relatório  chamado “Limites de Crescimento” e o NEPA (elaborado pelos EUA) como instrumentos decisivos para pressionar os governos da época e iniciar a configuração de um marco jurídico para área ambiental.
No fim dos anos 70 retomaram-se os fundamentos de decisão multicriterial desenvolvidos para planejamentos de recursos hídricos na década de 1930. No final dos anos 70 e início da década de 80, a conservação e a preservação dos recursos naturais e o papel do homem integrado ao meio passaram a ter função muito importante na discussão da qualidade de vida da população. Nesse período, os conceitos sobre planejamento, influenciados pelos estudos  de impacto, sofreram uma reformulação, na qual a questão ambiental foi amplamente contemplada.
Rozely lembra  que a questão ambiental tem sua inserção de fato entre os anos 1950 e 1990, por meio de propostas de gerenciamento de recursos naturais, cuja preocupações iniciais eram essencialmente de controle ambiental, elaborado através de regulamentos legais, mas não de mudança de postura diante da utilização dos recursos naturais.
Para a geografa Bertha Becker, a concepção de desenvolvimento sustentável revela uma nova feição da geopolítica mundial. Em sua abordagem, a autora discorre sobre a proposta de cooperação internacional com base em nova relação sociedade-natureza, onde o tema “desenvolvimento sustentável”, exposto no Relatório Bruntland (1987), apresenta uma feição específica da Geopolítica contemporânea, onde revela  uma revalorização da dimensão política do espaço e dos conflitos a ela inerentes em várias escalas geográficas.
Para Becker, essa concepção é uma tentativa de ajustar o sistema capitalista por meio da conciliação das tendências da lógica da acumulação com as da lógica cultural, particularmente os movimentos ambientalistas. Conciliação, contudo, que se torna instrumento de pressão nas relações Norte-Sul, bem como de imposição de uso dos territórios nacionais.
Assume-se então uma postura onde o desenvolvimento sustentável representa um mecanismo de regulação do uso do território que  tenta ordenar a desordem global, constituindo-se num instrumento político.
A ecologia surge como novo parâmetro geopolítico. Sob o novo padrão técnico-econômico e os movimentos políticos são indicativos da desordem global, as relações Norte-Sul atestam a tentativa de manter a ordem, e a ecologia constitui um vetor desse movimento.
A complexidade da questão ambiental envolve não apenas a consciência ecológica (corresponde à preocupação legítima com a crise ambiental), como também a utopia ecológica (fortalecimento do vetor ecológico pesa igualmente o fracasso tanto do progresso capitalista como do socialismo real) e a ideologia ecológica (redução da velocidade do desenvolvimento  no momento em que o mundo gira justamente de acordo com a lógica da velocidade acelerada e a imposição de um novo estilo de desenvolvimento sustentável, cujas bases não estão claramente definidas).
Sob a proposta de harmonia espacial e equidade temporal do discurso, a sustentabilidade reside na busca de uma soma positiva, a sinergia, através de planejamento de processos produtivos miméticos aos ecossistemas, em estreita interconexão, bem como na reutilização que traduz a noção de movimento perene. São identificados três princípios básicos sob esse discurso:
Eficácia –  no uso de recursos através da utilização da informação e de novas tecnologias em atividades e produtos capazes de consumir menos matérias-primas;
Diferença – professa a necessária inovação contínua pela diversidade de mercados e recursos, bem como por condições sociais e políticas que potencializam os recursos locais, gerando valorização máxima e seletiva das potencialidades autóctones em recursos naturais e capital humano;
Descentralização - implica  não apenas na distribuição territorial da decisão, mas em uma nova forma de planejamento do governo.

O meio
Segundo Rozely Ferreira dos Santos  a estrutura  e os procedimentos em um planejamento serão definidos a partir de um ideário, norteador de todo o seu processo, que levará  os conceitos e premissas de desenvolvimentos  para um certo espaço, num determinado tempo. A autora aborda a importância do ideário semeado em 1950, através do conceito de desenvolvimento sustentável, onde havia clara preocupação  com a degradação ambiental, com a condição social dos desprivilegiados, com a falta de saneamento e com consumo indiscriminado, construindo assim a ideia de ecodesenvolvimento, presente em conferências das nações Unidas  e na Rio-92.
Destaque para criação de cinco documentos: Convenção sobre mudanças climáticas, Convenção sobre diversidade biológica, Princípios para manejo e conservação de florestas, Declaração do Rio e Agenda 21.
No Brasil, só a partir  de 1981, com a Política Nacional do Meio Ambiente, é que foi elaborada  uma carta de intensões em relação a conservação do meio. As primeiras medidas visavam a proteção dos recursos hídricos.
Pressões de bancos internacionais provocaram mudança no comportamento governamental, exigindo estudos de impacto ambiental para financiamento de projetos, além de pressões oriundas de sociedades estrangeiras ambientalistas. A partir da década de 80 é que o planejamento  ambiental foi incorporado pelos órgãos governamentais. Metodologicamente estes planejamentos expressavam seu histórico, ou seja, a conjunção entre conceitos e estruturas de planejamento urbano, estudos de impacto ambiental e plano de bacia hidrográfica.
Em 1986 foi aprovada Resolução 001 do Conama que criou a obrigatoriedade  de estudos de impacto ambiental no Brasil para uma vasta gama de atividades humanas. Secretarias  de meio ambiente desenvolveram ferramentas  de planejamento; diagnósticos de APAs.
Na década de 1990, o planejamento  ambiental foi incorporado aos planos diretores municipais.

O fim
Para alcançar o pretendido desenvolvimento sustentável é vital que o processo de planejamento  seja um meio sistemático de determinar em que você está, onde deseja chegar e qual o melhor caminho para chegar lá. É um  direcionador de quantidade, qualidade e da velocidade e natureza das trocas.
Segundo Rozely Ferreira dos Santos, o planejamento ambiental é um processo  contínuo que envolve a coleta, organização e análise sistematizadas  das informações, por meio de procedimentos e métodos, para chegar a decisões ou a escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos disponíveis. Implica também nas previsões, estimativas futuras e que envolvem uma série de variáveis.
Para autora, deve ser feito um questionamento sobre o adjetivo ambiental e diferenciação em relação a gerenciamento ambiental. Deve-se analisar o processo histórico em que o adjetivo se estabeleceu em razão do aumento dramático da competição por terras, água, recursos energéticos e biológicos que gerou a necessidade de organizar o uso da terra.
O planejamento ambiental tem como estratégia estabelecer ações dentro de contextos e não isoladamente, resultando maior aproveitamento do espaço físico e dos recursos naturais, economia de energia, alocação e priorização de recursos para as necessidades mais prementes e previsão de situações.
Por fim, Rozely ressalta que em muitos planejamentos, o resultado é somente uma soma, como a geração de uma metadisciplina, mas não uma interação de fato. Não apresentam de forma eficiente a realidade, nem atingem o ideário a que se propõem. O que nos leva a pensar como e de que forma está sendo utilizado o termo desenvolvimento sustentável pelos gestores.

Porque hoje é domingo

Começo a tarde desse domingo sabendo de um problema na TV a cabo da minha casa. A charge aí de cima mostra a minha alegria ao saber dessa notícia.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

A geografia física e as taxonomias do planeta Terra


Para aqueles que desconhecem a geografia como ciência, que seguramente vai além daquilo que é ensinado nas escolas, pode-se dizer que a mesma apresenta diversos conceitos e subdivisões, que muitas vezes não tão simples de entender.
De uma forma mais genérica, podemos dizer que a geografia se divide em duas: humana e física. Esta última é que  nos interessa e que tecerei algumas considerações, já que a mesma é uma das bases dos planejamentos ambientais e ocupa lugar privilegiado nas discussões envolvendo a questão ambiental.
Para entender melhor sobre o tema e toda concepção teórica que ele traz, teremos como base o livro Ecogeografia do Brasil, do geógrafo Jurandyr Ross. Ross trabalha nesse livro com conceitos ligados a concepção de ecossistema, que serve de base para o planejamento ambiental.
Em sua abordagem, Ross tece considerações a respeito da visão sistêmica que envolve o estudo da geografia física. Essa visão deriva da Teoria Geral dos Sistemas, de Bertanlanffy, que  pressupõe que na natureza as trocas de energia e matéria se processam por meio das relações de equilíbrio dinâmico. Esse equilíbrio, entretanto, é frequentemente alterado pelas intervenções do homem nos diversos componentes da natureza, gerando um estado de desequilíbrio temporário ou permanente.
Na década de 60, geógrafos russos conceberam a Teoria dos Geossistemas, baseada na existência de geosferas e que estão inter-relacionadas por fluxos de energia. Um conceito aplicado ao planejamento do então Estado soviético, onde era preciso levar em conta as múltiplas interações e transformações. Ross cita contribuições importantes de geógrafos como Sotchava e Gerasimov. Entretanto,  a teoria da escola russa é imprecisa em relação a precisão espacial, já que trabalhava com o conceito de paisagens homogêneas.
A partir da contribuição de geógrafos franceses como Tricart e Bertrand é que a teoria dos Geossistemas ganha o formato atual. O trabalho de Jean Tricart (1965), com a sua classificação ecodinâmica dos meios ambientes, já assinala o aparecimento da teoria sistêmica na Geografia.
Tricart estabeleceu uma classificação dinâmica para as unidades de paisagens identificadas: unidades ecodinâmicas estáveis, unidades ecodinâmicas integradas e unidades ecodinâmicas fortemente instáveis. Cada um desses níveis é caracterizado por estrutura suportada pelas forças específicas. Pressupõem uma harmonia baseada na interdependência que se estabelece entre elementos da natureza, da sociedade e entre ambos.
Outro geógrafo francês, Georges Bertrand otimiza o conceito elaborado pela escola geográfica russa, dando uma conotação mais precisa, possibilitando a classificação do geossistema em função da escala caracterizando como uma unidade, um nível taxônomico na categorização da paisagem, dividida em: zona, domínio e região (unidades superiores), geossistemas, geofaceis e geótopo (unidades inferiores), sendo o geossistema proporcionado pela dinâmica entre o potencial ecológico, exploração biológica e ação antrópica.
Ross também cita a contribuição  das escolas geográficas provenientes da Austrália, com contribuição da escola dos Países Baixos, a partir da concepção do conceito de Sistemas de Terras e Unidades de Terras. Nesse sistema a escala também é fundamental, mas sob uma maior amplitude, onde os Sistemas de Terras são determinados por elementos de caráter geomorfológico e geográficos associados, formando um determinado agrupamento ou conjunto de unidades de terras. Já unidades de terras correspondem à divisão ou partes menores dos sistemas de terras. Para a delimitação, utiliza-se principalmente das formas de relevo, constituídas de sítios ou lugares ou facetas de terras ou site.

E o Brasil?
Nosso país é fortemente influenciado pela escola geográfica francesa e, como tal, os estudos de Tricart e Bertrand.
O desenvolvimento da geografia física aplicada no Brasil deu-se a partir da década de 1980, com a lei 6938/1981, institui a obrigatoriedade dos EIAs e RIMAs. A partir daí observa-se um desenvolvimento e crescimento substancial da geomorfologia.
A partir do surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável, observa-se uma redefinição dos rumos da abordagem ambientalista e de uma visão absolutamente reservacionista para uma abertura mais humanista.
Ross lembra que, para o desenvolvimento da geografia  aplicada, é necessária a compreensão integrada da dinâmica socioeconômica sob a perspectiva da dinâmica dos processos de ocupação e da relações econômicas e sociais.
Partindo da concepção sistêmica, o autor afirma que as intervenções humanas não modificam as leis da natureza, apenas interferem nos fluxos de energia e matéria, alterando suas intensidades, forçando-a a encontrar novos pontos de equilíbrio funcional.
É essa visão sistema que é amplamente difundida – e muitas vezes não alcançada – nos trabalhas de planejamento e estudos ambientais.
No entanto, é bom ressaltar que graças a esses estudos, a visão desenvolvimentista que assolou nosso país nas últimas décadas do século XX, onde crescer era sinônimo de desenvolvimento. Nas palavras de Ross, desenvolvimento econômico deve significar crescimento econômico com aprimoramento  tecnológico, melhoramento social e apropriação dos recursos naturais dentro de uma perspectiva conservacionista e preservacionista dos bens da natureza, com a preocupação de diminuir os impactos ambientais e possibilitar uma convivência mais harmoniosa entre a sociedade e a natureza.

Mais do mesmo


Depois de um período de descanso, retomo as atividades do blog num ano que tem tudo para ser pauleira (mestrado, pouca grana, etc). Para não perder o costume, algumas coisas parecem que continuam iguais como o embate "Casagrande vs Senzala". Essa foto é da última segunda-feira e mostra como estão os ânimos depois do aumento das passagens de ônibus promovido pelo governo estadual (como sempre, na calada da noite).
O que realmente impressiona é a falta de habilidade do atual governo em lidar com esse tipo de situação e a inércia em relação a discussão de mobilidade urbana na Grande Vitória. O ano promete!