sábado, novembro 03, 2012

Metaaaallll


Tempos modernos



Depois de um longo período ausente, resolvi dar uma passada aqui no blog. Ficou bastante difícil manter o ritmo de postagens que outrora fazia, devido ao mestrado, cirurgia, trabalho e um porrilhão de coisas que vem acontecendo comigo. E olha que tem as mídias sociais que também não tenho conseguido fazer atualizações constantes.
Às vezes sinto uma certo cansaço - não sei se tem um termo adequado para isso - em relação a essa necessidade  de expressão na internet. Parece um contrasenso  falar em cansaço num dos  períodos onde o ser humano vem conseguindo cada vez mais  se expressar, mas parece que virou obrigação você ter um perfil nas mídias sociais, um blog, saber das últimas novidades tecnológicas, etc. Percebe que a quantidade de informações é tamanha a ponto de algumas pessoas - conheço gente que se enquadra neste rol - não terem mais contato ou evitarem o máximo a aproximação com o chamado ciberespaço.
Além dos simulacros e simulações (copyright Jean Baudrillard) que tornam a nossa vida cada vez mais fake, direcionando os contatos humanos através do virtual, percebo também a escravização que  vem sendo encaminha através do ciberespaço.
O que é um telefone celular senão um mecanismo de controle? E se tiver internet então? Poderão acha-lo em qualquer parte e seu tempo de ócio acaba por ficar alienado, ante as exigências profissionais ou compromissos sociais.
Dia desses estava lendo um livro que fazia referência a concepção de prisão do Foucault, o panótipo. O autor em questão fez essa relação com o mercado de trabalho, de como somos controlados. Antigamente você ia para um local de trabalho e tinha uma carga horária e outros mecanismos de controle para que a produção fosse executada. Hoje  há formas mais sofisticadas através da tecnologia. O seu local de trabalho por ser sua casa e não terá horas a cumprir. Entretanto terá que ser produtivo e isso demandará o tempo necessário que pode incluir às 24 horas se preciso for. O pior de tudo é que isso vem sendo feito a partir do consenso e muitos, como era o pensamento deste que vos escreve, acham maravilhoso. Tempos modernos!

domingo, agosto 19, 2012

Têtes raides

Uma outra banda francesa que descobri a pouco tempo.





Intinity aporrinhação

Para quem é cliente de uma certa operadora, cujo slogam prega internet ilimitada, sabe bem o que significa essa charge.

Ódio infinito a problemas no computador

Computador novo, garantia de maior tempo de visa do produto sem que haja stress, certo? Errado, meu computador, quem não tem ainda dois anos começou a dar problemas causados - acredito eu - por software. Resultado: provavelmente terei que formata-lo e perderei todos os arquivos. Não é uma maravilha?

O ataque de Luisa

O título não tem nenhuma conotação com aquela bizarre envolvendo uma jovem chamada Luisa e o Canada. Louise Attaque é o nome de uma banda francesa que mistura chanson francaise e folk, temperado por um violino bem executado.
Descobri depois de uma pesquisa pela internet, na tentativa de criar uma playlist de música francesa. Para quê? Simplesmente porque estou aprendendo francês e aquela pronúncia é algo bem complicado de se entender - e olha que o francês tem orgiem no latim.
Gostei do som da banda, principalmente porque cantam em francês e pela mistura. Entretanto, descobri também que a banda está inativa, com seus membros se dedicando a outros projetos, mas enfim ainda dá para ouvi-los na internet. Abaixo um pouco do ataque de Luisa e na sequência vem Ali Dragon, um dos projetos paralelos de integrantes da banda.

domingo, junho 03, 2012

Assim caminha a humanidade

Só resta um (Bee Gees)

Parece que o pessoal que fez sucesso nos anos 70 e 80 está começando a morrer. Depois de Donna Summer, agora foi a vez de Robin Gibb que, juntamente com seus irmãos formaram os Bee Gees. Para quem era fã do grupo, agora ficou difícil um retorno, já que outro irmão também faleceu há algum tempo. Fica o registro.
  

Animal farm in Brasília


Liberdade de empresa

Ao ler  os dois maiores jornais de circulação no ES, constato um número considerável de matérias dando cacete no ex-presidente Lula, PT e tudo mais que se aproxime de chamada "esquerda" - se é que isso ainda existe. Salvo os articulistas - muito bem pagos para fazer esse trabalho, do qual não perco um segundo do meu tempo para ler - percebo que a maioria das matéria não tem assinatura dos jornalistas, somente os seguintes dizeres: de Brasília, de São Paulo, etc.
Parece que existe uma tendência no jornalismo de "editorializar" a matéria, manifestando a opinião dos donos e deixando de lado aquele  negócio de imparcialidade. Será isso uma tendência? Não sei, talvez seja vergonha do jornalista em assinar essa encomenda a mando do patrão. Enfim, ler jornal neste país é um exercício constante para manter a sanidade e o senso crítico. E viva a liberdade de imprensa!

O tributo

Depois que a MTV resolveu fazer um "tributo" a banda Legião Urbana, vários internautas clamam por um CD que relembro os grandes sucessos da banda. Abaixo, uma amostra do que vem por aí.

domingo, maio 20, 2012

Apolo e a crise grega


Nova concepção de fila nos bancos


A última dança

Na última quinta-feira, a eterna rainha da disco music (seja lá o que isso signifique) partiu dessa pra melhor. Perdeu a batalha contra um câncer (ô doença maldita!) e contra o ostracismo pelo qual passada a um bom tempo. Nunca fui fã de Summer, mas reconheço que cantava bem tinha presença no palco e infelizmente foi estigmatizada como cantora de um estilo só - algo que considero injusto, pois não se trata de uma Ivete Sangalo ou coisa parecida. Summer tem em sua carreira uma parceria com o músico Giorgio Moroder, que resultou num trabalho de qualidade bem superior ao lixo que hoje é comercializado.
Suas músicas me fazem lembrar da minha infância, final dos anos 70 e início dos anos 80, e confesso  que às vezes - poucas vezes - me batia uma certa nostalgia de algo que ficou para traz e que ainda não consegui descobrir o que é. Talvez seja velhice mesmo! Mas enfim, fica aqui o registro.





O sentido da ciência



Qual o papel da ciência no mundo de hoje? Talvez essa seja uma pergunta extremamente incômoda e que é difícil de ser respondida nos meios acadêmicos. Pensar ciência e o seu papel, é pensar no mundo em que vivemos e como a humanidade se insere neste contexto. O filósofo Martin Heidegger oferece alguns caminhos que merecem ser analisados com mais atenção.
Heidegger afirma que a humanidade nunca conseguirá avaliar o alcance da essência da ciência enquanto for analisada apenas sob  o sentido cultural. Para ele, tanto arte quanto ciência são frutos de um desempenho cultural do homem e, aquilo que chamamos de ciência ocidental  europeia determina  a realidade na qual o homem de hoje se move e tenta sustentar-se.
A conjuntura pela qual atravessa a ciência encontra-se encoberta, dada as formas de percepção que homem tem da atividade científica dentro da sua realidade. Sendo assim, cabe então um questionamento por parte do autor:  o que significa este real?
Na ótica de Heidegger, o real na ciência moderna é entendido como o que se pode calcular de antemão, antecipadamente, o que pode ser medido. Dessa forma, a concepção de realidade adotada pela ciência moderna traz como consequência alguns princípios que na visão do autor precisam ser analisados, como a ideia de que  para a ciência o âmbito objetivo já é preestabelecido,  tornando-se praticamente uma nova religião.
Outra questão apontada por Heidegger é o fato da ciência tratar apenas dos fenômenos que são perceptíveis ao homem através do seus sentidos. O autor sustenta que o modo de pensar da ciência ignora a diferenciação entre o ser e o ente, o que impede de ser aplicado.
Heidegger  também trabalha com a ideia de diferenciação entre ser e ente a partir daquilo que se chama natureza. Para ele, a crítica reside no fato de que a concepção de representação do  fenômeno científico só pode ser considerado naquilo que é mensurável, desprezando todas as outras características.
De acordo com Heidegger, a pesquisa do real deve dedicar-se à especificidade  própria de seus objetos, o que remete a especialização. Na concepção do autor, a especialização não pode ser uma degeneração da ciência moderna, considerando-a um “mal necessário”.
A partir da caracterização daquilo que o autor nomeia como essência da ciência moderna, Heidegger questiona que conjuntura invisível se esconde na essência da ciência. Para responder a esse questionamento, ele discorre sobre  a objetividade dos diversos domínios do objetivo, tendo como exemplo  a relação da física com a natureza. A objetividade, segundo o autor, se transforma na constância da dis-ponibilidade determinada pela com-posição, onde a teoria fixa o real, a natureza no caso da física,  num domínio de objetos. No entanto essa mesma natureza já existe e funciona  através das sua própria dinâmica o que, devido a sua própria essência, torna-se incapaz de ser representada diante da percepção dos homens.
Para Heidegger, essa objetidade das ciências modernas nunca pode abarcar toda a plenitude essencial da natureza, porque  a objetividade da natureza é  um modo em que ela se expõe.
A partir dessa objetidade da natureza, o autor destaca a existência do incontornável como parte da essência da ciência e que não pode ser abarcado em sua plenitude, tal como descreveu em relação à natureza, o homem, o acontecer histórico e a linguagem. Com a impossibilidade de  encontrar o incontrolável dentro da própria ciência, Heidegger traz à tona uma questão onde o saber, a natureza, o homem, o acontecer histórico, a linguagem, tornam-se inacessíveis para a ciência e, dessa forma incontornável.
Sob esse prisma, Heidegger faz um paralelo com a “crise de fundamentos” que assola a ciência, onde o mesmo sustenta que a referida crise refere-se aos conceitos fundamentais de algumas ciências, não tratando-se de uma crise da ciência.
Por fim, Heidegger estabelece como fundamento último para a constituição de uma ciência do homem a compreensão do ser. Para ele, o homem deve caminhar numa direção onde a  essência da ciência deve ser colocar como tarefa, a compreensão do ser.

domingo, maio 13, 2012

Mother's day and corruption


Enquanto isso em Brasilia...


Heidegger e a questão filosófica


O artigo em questão é parte de uma análise sobre o texto "O que é isto - a Filosofia?", de Martin Heidegger

Encontrar um caminho que permita o debate e a resposta sobre o que é Filosofia. Esta é a discussão proposta por  Martin Heidegger nesse texto onde a meta  é a discussão sobre o tema tratando-o sob os mais diferentes pontos de vista.
Heidegger começa tecer suas análises a partir  da ideia de que a Filosofia  não é apenas algo racional, mas a própria guarda da ratio, ou seja, da razão. Entretanto, o autor alerta para a concepção errônea de que  a Filosofia é a guarda da razão, sob a argumentação de que aquilo que se apresenta como ratio foi primeiramente e apenas fixado pela Filosofia durante  sua história. Da mesma maneira, Heidegger  também sustenta que é  duvidosa a ideia de que  a Filosofia pertence à esfera do irracional.
Na busca pelo caminho sobre o que é a Filosofia, Heidegger recorre a etimologia da palavra, onde a língua grega define-a como  algo que pela primeira vez e antes de tudo vinca a existência do mundo grego, constituindo-se na linha mestra da história ocidental-europeia.
Numa abordagem mais aprofundada sobre o tema, a Filosofia estabelece uma relação intrínseca com a ciência a partir do momento em que estão ligadas a uma tradição historial. Recorrendo novamente a etimologia, a palavra philosophia mostra a direção de um caminho ligado a transmissão, a ideia de libertar  para a liberdade do diálogo  e está ligada ao nascimento de nossa própria história.
A relação com a ciência se aprofunda ainda mais quando Heidegger coloca  como questão a ideia de que o significado da Filosofia é carregado de historicidade, cujo conteúdo é o nosso próprio destino, ou seja, a existência ocidental-europeia. Conduz para existência própria  da essência.
Ao recorrer mais uma vez o significado da palavra Filosofia, Heidegger  encontra mais indícios sobre o que é a Filosofia a partir da identificação do ser e do ente. Segundo Heidegger, a Filosofia está a caminho do ente sob o ponto de vista do ser, onde razão e causa são considerados  o ser do ente. É através da razão e causa que Heidegger mais uma vez  percebe mais relações entre Filosofia e ciência  a partir da  concepção de episteme , uma competência capaz de olhar para algo e envolver e fixar com o olhar aquilo que estuda.
Citando afirmação de Aristóteles, Heidegger diz que a  filosofia é uma espécie de competência capaz de perscrutar o ente, a saber, sob o ponto de vista do que ele é, enquanto é ente.
De acordo com Heidegger, a  Filosofia  assume a  correspondência  entre o processo de desenvolvimento entre  do ser do ente, é a filosofia. Segundo o autor,  somente aprendemos a conhecer e a saber quando experimentamos de que modo a filosofia é, ao modo da correspondência que se harmoniza e põe de acordo com a voz do ser do ente. Este co-responder é um falar e está a serviço da linguagem.

terça-feira, maio 01, 2012

1º de Maio e a histeria da mídia



Por Altamiro Borges

Já virou rotina. Sempre que se aproxima a comemoração do Dia Internacional do Trabalhador, a mídia patronal publica editoriais e “reporcagens” contra o sindicalismo. É a mesma ladainha: as leis trabalhistas são “anacrônicas” e “engessam” o crescimento econômico, há libertinagem nas greves e o Brasil caminha para uma “república sindicalista” – o refrão preferido dos golpistas de 1964.

Hoje, a Folha criticou o fato das centrais sindicais receberem patrocínios oficiais para a realização dos atos do 1º de Maio. Para a mídia patronal, só os patrões deveriam receber recursos públicos – que proveem dos impostos dos trabalhadores – para realizar as suas festivas atividades. Dinheiro público para as elites empresariais, sim; para eventos dos trabalhadores, nunca!

O falso discurso da transparência

Segundo a matéria, que parece ter sido encomendada, “o governo federal dobrou, em três anos, o valor repassado às principais centrais [através de um percentual da contribuição sindical], que preparam festas milionárias para celebrar o feriado do Dia do Trabalho. O bolo destinado às centrais saltou de R$ 62 milhões em 2008 para R$ 124 milhões no ano passado”.

A Folha garante que, “apesar da origem pública, não há nenhuma fiscalização sobre o uso da verba”. Já que é tão transparente, o jornal bem que poderia publicar quanto recebe de publicidade oficial ou de isenções no papel para a impressão; também poderia informar aos leitores quanta grana as empresas e os governos destinam para financiar os seus inúmeros eventos.

Asfixiar financeiramente os sindicatos

Além de criticar os patrocínios às comemorações do Dia Internacional dos Trabalhadores, o diário da famiglia Frias aproveita para satanizar a contribuição sindical descontada na folha de pagamento. Para os empresários, o sindicalismo deveria receber menos recursos. De preferência, deveria morrer à míngua. Desta forma, não promoveria tantas lutas e greves. Não daria tanta dor de cabeça!

Segundo a Folha, o ex-presidente Lula, que teve a sua origem no sindicalismo, beneficiou as centrais ao garantir recursos para a sua atuação. “Nos primeiros quatro anos da regra, as seis centrais receberam um total de R$ 370 milhões. A exemplo do Ministério do Trabalho, todas defendem a cobrança obrigatória, à exceção da CUT”, informa jornal, que sempre pregou o fim deste “privilégio”.

Restrições ao direito de greve

No mesmo rumo da satanização do sindicalismo, editorial do Estadão de segunda-feira passada (23) criticou o aumento do poder de mobilização dos trabalhadores do setor público. Para o jornalão da famiglia Mesquita, que iniciou a sua trajetória publicando anúncios da venda de escravos, o governo deveria restringir drasticamente o direito de greve do funcionalismo.

“Números divulgados pelo Dieese chamam a atenção, mais uma vez, para a urgência de regulamentação do direito de greve de servidores públicos civis. Em 2009 houve 518 greves, o maior número no país desde 1978, com 266 no setor privado, ou 51,5% do total, número ligeiramente superior às 251 greves do setor público... Em 2010, porém, o setor público passou a liderar em número de greves, tendo deflagrado 269 paralisações, 60% do total de 448”.

Que tal o retorno à escravidão?

Para o Estadão, estes números são absurdos. Os servidores deveriam ser reprimidos – ou melhor, sumariamente demitidos. “Com tantas greves e horas não trabalhadas, a máquina do governo, que não prima pela eficiência, é ainda mais emperrada e aumentam os gastos de custeio”. O jornal da famiglia Mesquita culpa os governos Lula/Dilma por não restringirem as greves no setor público.

Sem esconder as suas predileções partidárias, o Estadão apoia descaradamente um projeto do senador Aloysio Nunes, do PSDB, que tramita no Congresso. “O projeto ataca o cerne da questão, definindo com clareza serviços que não podem ser paralisados, em hipótese alguma - abastecimento de água, fornecimento de energia, segurança pública, defesa civil, assistência médico-hospitalar, transporte coletivo, telecomunicações, serviços judiciários, etc”. Ou seja: quase todos os servidores públicos!

Como se observa, a mídia patronal não tolera as lutas dos trabalhadores. O seu desejo insaciável é para retirar direitos trabalhistas, criminalizar as greves e asfixiar financeiramente o sindicalismo. Se pudesse, até proibiria a comemoração do Dia Internacional dos Trabalhadores – como ocorre nos EUA. Ou melhor: ela imporia um decreto pelo retorno da escravidão! Seria bem mais simples.
Fonte: site Vermelho

segunda-feira, abril 30, 2012

Soul alemão

Vasculhando entre os participantes do Festival Eurovison, encontro um cantor de soul alemão. Isto mesmo, Deutsche können singen Seele. E esse é dos bons! Her Max Mutzke, tem uma voz que lembra bastante as grandes feras do gênero no EUA e tem uma carreira sólida em terras germânicas. Mutzke participou do festival Eurovison em 2004 e não ganhou. Uma ucraniana cantando dance music levou o primeiro lugar, provando que mau gosto também existe além da terra brasilis. Mesmo assim vale o registro de sua performance no festival.


Da série: mitos e lendas

Seria cômico se não fosse trágico, principalmente no que tange ao nosso país.

Mais um capítulo de “Casagrande versus Senzala”




Bruto, arrojado, blindado, equipado com um canhão d’água e capaz de remover obstáculos. Não, não se trata da mais uma arma de guerra norte-americana destinada ao combate no Afeganistão, mas sim do novo “brinquedinho” adquirido pelo governo do ES na sua cruzada contra os “manifestantes-terroristas-sabotadores” que insistem em protestar contra a situação do transporte público capixaba e seus aumentos abusivos.
A novidade foi anunciada com destaque pela mídia corporativa capixaba – afinal, o pagamento de anúncios está em dia – enfatizando que além do canhão de água, a viatura terá um sistema que permite misturar tinta e agente lacrimogêneo à água. E para quê isso? Ora, com a tinta ficará mais fácil à identificação de suspeitos que participam da manifestação. Esse negócio de gás lacrimogênio é coisa do passado, diriam alguns simpatizantes da nova empreitada do governo.
O Mangueirão ou caveirão capixaba é a forma com que o atual governo estadual encara as discordâncias e os protestos. Dialogar, para quê? O negócio é baixar a porrada, pois a maior parte da mídia está no bolso, a maioria dos partidos e lideranças fazem parte da aliança política e os empresários estão apoiando. Para população, resta apenas o direito de permanecer calada e tudo que disser será usada contra ela.
O que é irônico nisso não é o fato de que esse tipo de veículo, utilizado no Rio de Janeiro para pacificar favelas, ser utilizado contra manifestantes enquanto que a segurança pública vai de mal a pior, com elevados índices de homicídios. Na minha singela opinião a ironia reside no fato de que essa medida leva a chancela do partido socialista brasileiro em plena “democracia”.
Fica então o seguinte pensamento: quando  um governo que se diz de esquerda, com graves problemas na área de segurança pública, começa a tratar manifestações populares como atos criminosos é porque há algo de errado na forma de fazer política e na concepção de governo democrático que vem sendo apregoado. A música abaixo, cuja letra parece não envelhecer, talvez ajude a entender melhor o pensamento.

quinta-feira, abril 26, 2012

Exposição demais dá nisso...

Doces sonhos rubro-negros

O último malandro

Em tempos de Brasil politicamente correto e de extrema pobreza de criatividade, recebo a notícia da morte do último malandro do samba, Dicró. Infelizmente, parece que não deixa sucessores à altura, tal como aconteceu com Moreira da Silva e Bezerra da Silva. Sem Dicró, a música brasileira ficou mais chata.


domingo, abril 15, 2012

O México é aqui!

Neste domingo ensolarado, vejo na internet um vídeo mexicano - muito bem feito por sinal - criado pela ong Nuestro Mexico Del Futuro. O vídeo é interpretado somente por crianças e retrata a atual situação do país - o que deixou muitos políticos irritados. De vez quando, algumas verdades ditas em forma de uma linguagem mais agressiva deixam as pessoas contra a parede, pois são confrontadas com o que está realmente acontecendo e não o que está sendo noticiado ou comunicado por empresas ou representantes públicos.
Como observei muita semelhança com a realidade brasileira e na crença que de que ideias boas podem ser copiadas, fica a sugestão de fazer algo similar no Brasil, apesar dos protestos dos defensores do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA para os íntimos). Eis o vídeo.

sábado, abril 14, 2012

Deitado eternamente em berço explêndido


Eurovision 2012


Desde 2009 venho acompanhando o Festival de Música Eurovison, que reúne representantes de praticamente todos os países europeus e Israel. Já escrevi alguma coisa sobre isso aqui no blog e todo ano fico na expectativa do nível dos concorrentes para ver se tem alguma novidade ou pelo menos um intérprete que possa ser interessante ouvir.
No geral as coisas continuam no mesmo padrão: a maioria canta em inglês por questões mercadológicas (maldita indústria fonográfica), muita dance music, ótima produção, mas nada que fuja ao trivial.
Este ano poucas coisas chamaram a atenção. Destaco a representante da Itália (excelente), Portugal (finalmente mandaram algo que represente bem a música cantada em português), Lituânia (singer self-made para os padrões dos EUA, mas talentoso), Suiça (banda de rock razoável). Na linha da “música-que-gruda-igual-chiclete” há os representantes da Suécia, Noruega, Irlanda e França. A curiosidade fica por conta da representante da Romênia, que canta em espanhol. Entre as surpresas (boas ou más, dependendo da ótica) as representantes da Rússia (tomei um susto quando escutei), Macedônia (se escutar só a primeira vez vai achar uma droga), e da Holanda (música e interpretação boas, lembrando muito o estilo folk de Joan Baez) e do funk-rap da Austria.
Na minha humilde opinião, as decepções ficam por conta da Servia, Grécia (até nisso o país está em baixa) e Polônia. Esses países já mandaram representantes melhores. No mais, Alemanha, Espanha, Reino Unido mandaram bons cantores, mas a música não tem “pegada”. Abaixo uma playlist dos candidatos. 



domingo, abril 01, 2012

Anatomia do homem-massa e a sociedade moderna


A relação entre o homem e a ciência é o ponto de partida para análise de Ortega y Gasset sobre o tipo de ciência produzida atualmente e a concepção de civilização em que nos encontramos.
Em sua análise sobre  a civilização moderna, Ortega y Gasset estabelece o conceito de “massa”, onde tipifica  um perfil de um conjunto de pessoas não especialmente qualificadas, independente de classe social, constituindo-se num “modo de ser”.  Partindo dessa  concepção, o filósofo argumenta que a civilização do século XIX produziu um tipo de homem  moldado na  ideia de concepção de ciência forjada na especialização, hermético e satisfeito dentro das sua limitações. Um homem receptivo ao  conformismo e na aceitação de sua condição como integrante de uma sociedade  sem questionamentos, visualizando apenas o imediatismo material de sua realidade. Esse novo homem, membro de uma multidão acrítica é definido como homem-massa.
Mas é sobre a ciência e sua relação intrínseca com este novo homem, que o autor tece análises mais aprofundadas. Num primeiro momento, Ortega y Gasset discorre sobre  umas das grandes dimensões do século XIX: a técnica. Oriunda da cópula entre o capitalismo e a ciência experimental, ele chama a atenção para o fato de que nem toda técnica é científica, tese embasada pela condição da civilização chinesa, dentre outras citadas.
Mas é a partir da especialização, surgida  numa época em que o enciclopedismo, que pode ser identificado uma conexão com o homem-massa. Conexão  que pode ser percebida a partir  do conhecimento  de uma pequena parte de uma ciência, tornando-se um ativo pesquisador desse pequeno universo.
O fato é que esse novo homem, restringido à escassez de seu campo visual, no que tange a ciência, consegue fazê-la avançar, devido à mecanização, proporcionada por metodologias e aparatos que o torna conhecedor de “seu mínimo rincão de universo”, mas que “ignora radicalmente todo o resto".
Esse novo perfil de homens derivados da especialização, reduz a espécie a sua essência revelando-se naquilo que o autor chama de "sábio-ignorante.” Para Ortega y Gasset esse novo homem, moldado na especialização, é hermético e satisfeito dentro de sua limitação, mas que transcende seu pequeno universo, qualificando-se pela sociedade como  homem qualificado e que passa a atuar na política, na arte, na religião e  nos problemas gerais da vida como “verdadeiros homens da ciência”, o que segundo o autor revela a sua face presunçosa e ao mesmo tempo ignorante, diante da complexidade o que é a ciência e o mundo em que estamos inseridos.
A crítica feita pelo autor à especialização  mostra uma dualidade. Ao mesmo tempo  em que foi possível o progresso da ciência experimental pela especialização, verifica-se um desconhecimento por completo da fisiologia interna da ciência, mesmo daquela em que é especialista. Através da análise do autor, depreende-se que  o homem das ciências de hoje é o protótipo do homem-massa, cada vez mais  confinado à especialização, restrita a um campo de atuação intelectual cada vez mais estreito, onde os problemas passam a ser simplificados diante da mecânica a que são submetidos.

sábado, março 31, 2012

Direto de Texas City

Depois do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo,o "sistema é bruto."

Δημοσθένης και η διαφθορά

Demóstenes e a corrupção. Homônimo do famoso orador grego, a piadinha parece irresistível. Se o Demóstenes orginal tinha talento para ser orador - as Filípicas que o digam - a versão tupiniquim parece se pronunciar apenas pelo advogado dianta da cachoeira ( perdão pelo  trocadilho) de acusações sobre propina, corrupção, etc.
Neste momento, o Demóstenes brasileiro está sendo deixado de lado pelo companheiros (sem nenhuma alusão a  um certo partido) e está lembrando outro personagem, Midas, aquele rei cujo toque transformava tudo em ouro. No caso do Demóstenes tupiniquim, tudo que toca vira merda.

Millor RIP


sábado, março 24, 2012

O último esquete

Desce a cortina e apagam-se as luzes. Aquele que por muitos era considerado o mestre do humor (brasileiro?), partiu na última sexta-feira, deixando uma obra que praticamente se confunde com a TV brasileira. Durante décadas, Chico Anysio marcou presença na TV, teatro, radio, cinema e artes plásticas (também gostava de pintar) como poucos na história recente deste país.
Sempre me impressionei com a versatilidade que ele criava e interpretava os mais de duzentos personagens que foram levados a TV. Cada um com cuidadosos trejeitos, voz, vestuário e outras características, que fizeram com que recebesse a alcunha de mestre do humor. Isso sem contar com  seu talento como escritor e redator, somada  a capacidade de captar o momento político que o país vivia durante os anos 80.
Para os mais jovens ele é o professor Raimundo, da escolhinha. Para minha geração ele é o Haroldo, Justo Veríssimo, Painho, Zelberto Zéu e tantos outros personagens marcantes. Lembro que nos anos 80, havia uma expectativa para saber qual o novo personagem que ele iria criar e como seria o formato do programa. Recordo-me de um personagem chamado Tim Tones, que eu não gostava, pois aparentemente não via qualquer tipo de humor naquilo e, portanto, não entendia. Um problema para um adolescente de doze ou treze anos. Um tempo depois fui perceber o que significava aquele personagem e o quanto Chico foi inteligente ao captar toda essa pilantragem pentecostal que assola esse país.
Vejo hoje imagens do velório, homenagens por parte da Rede Globo - a mesma que o colocou na "geladeira" por anos e nos privou de seu humor inteligente  - e penso que em tempos de humor politicamente correto, o Brasil ficou mais medíocre com a morte de Chico Anysio.







Copa ou copo?


Ainda não foi dessa vez...


Projeto sobre direito de resposta na imprensa é revisto no plenário do Senado 

Portal Imprensa

O projeto que regulamenta o direito de resposta na imprensa, aprovado semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), terá que passar pelo plenário da Casa.

Segundo a Folha de S. Paulo, senadores apresentarão recurso para que o texto seja melhor discutido antes de seguir para a Câmara. A proposta havia sido aprovada em caráter terminativo pela comissão, portanto só passaria pelo plenário se fosse entregue o recurso assinado por mais de oito senadores.

O projeto, articulado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), já foi assinado por mais de dez parlamentares. Nunes disse que é preciso detalhar lacunas no texto antes da aprovação definitiva no Senado. "É preciso regular o procedimento de resposta, mas com cuidado para que a reparação ao agravo não fira o direito à informação", explicou.

Revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009, a regulamentação do direito de resposta era um dos artigos da Lei de Imprensa. Não houve nova lei sobre o assunto desde então.
Fonte: FNDC

Saudade

domingo, março 18, 2012

Rick James

E já que estamos falando de funk  - sim, o legítimo, norte-americano e não aquela merda carioca - porque não citar Rick James. Talentoso e com sérios problemas na justiça por causa de drogas e outras coisinhas, Rick teve sua carreira abreviada em 2004, quando faleceu devido a complicações cardíacas e pulmonares. Entretanto, deixou sua marca, como podemos ver no vídeo abaixo.

Três longos meses

O mestrado começou e terei que ficar três meses sem café e cerveja. Maldito refluxo!

Toda manguaça será castigada (após a Copa)

Olha aí Lirio, a nova logomarca da Copa do Mundo no Brasil.

A volta do direito de resposta


Por Luciano Martins Costa
Observatório da Imprensa

Os jornais de quinta-feira (15/3) acompanham com atenção a tramitação, no Senado Federal, do projeto que regulamenta o direito de resposta a pessoas ou organizações que se considerarem ofendidas pelo conteúdo de publicações da imprensa.

A proposta original, do senador Roberto Requião (PMDB-PR), bastante modificada pelo relator, senador Pedro Taques (PDT-MT), foi aprovada na quarta-feira (14) por unanimidade, em caráter terminativo, pela Comissão de Constituição e Justiça, devendo seguir diretamente para a Câmara sem ter que ser submetida a votação no plenário do Senado. Caso nenhum senador exija a votação também em plenário, a tendência é que o texto também seja aprovado rapidamente na Câmara dos Deputados.

O direito de resposta se tornou um objeto de Direito sem regulamentação legal desde 2009, quando o Supremo Tribunal Federal, atendendo a demandas das empresas de comunicação, derrubou a Lei de Imprensa criada em 1967.

Embora a Constituição mantenha a obrigatoriedade da concessão de espaço proporcional à ofensa e até mesmo indenização para os delitos de imprensa, a falta de uma regulamentação estimulava os assessores jurídicos das empresas a protelar indefinidamente a execução do mais básico direito ao cidadão ofendido pela atividade jornalística: o de ver reconhecido o erro que o atingiu e recomposta a verdade.

Gratuita e proporcional
O projeto que segue adiante no Congresso Nacional estabelece um prazo de 60 dias, contados a partir da publicação, para a pessoa que se considerar ofendida requerer o direito de resposta.

A empresa jornalística citada tem sete dias para responder, sob pena de sofrer ação judicial que a obrigará a atender o pedido, além de se submeter à possibilidade de pagar indenização por danos morais.

Interessante observar que a concessão do direito de resposta não determina o encerramento da ação por dano moral, material ou agravo à imagem do ofendido, que seguirá tramitando mesmo se o veículo se antecipar e publicar uma retratação. Em caso de condenação em primeira instância, a empresa poderá recorrer ao Tribunal de Justiça pedindo a suspensão da publicação imediata do direito de resposta.

As entidades que representam jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão não fizeram comentários oficiais e provavelmente acompanham a tramitação do projeto com cautela.

A rigor, o texto recompõe as normas que existiam antes da extinção da Lei de Imprensa, incluindo as publicações em sites da internet e demais extensões dos veículos de comunicação. Mas não se aplica a comentários de internautas e outras manifestações de leitores, que são regidos pela lei comum.

Como na lei original, o atual projeto mantém a obrigatoriedade para que a resposta seja publicada gratuitamente e proporcional ao conteúdo que produziu a retratação, por motivo de atentado contra a honra, intimidade, reputação, conceito, nome, marca ou imagem.

O dano permanente
Antes de publicar a retratação, o veículo deve responder ao questionamento do juiz, justificando-se pelo teor do texto ou imagem que gerou a queixa, num prazo de sete dias. Se não concordar com os esclarecimentos oferecidos pela empresa de comunicação, o queixoso poderá cobrar na Justiça a publicação de sua resposta, no espaço correspondente e com o mesmo destaque que foi dado ao conteúdo ofensivo. No entanto, as empresas ainda terão o direito de recorrer pela suspensão da publicação, caso considerem que o texto da resposta extrapola ou se desvia do assunto que motivou a demanda.

Uma questão polêmica observada no projeto é a falta de um prazo para a publicação da resposta. Como se sabe, nas raras oportunidades em que aceitam a decisão judicial obrigando a cumprir o direito de resposta inscrito na Constituição, as empresas de comunicação costumam protelar tanto quanto possível a publicação, o que na prática agrava e prolonga o efeito nocivo da ofensa, tornando permanentes os danos causados.

Não custa lembrar o caso que atingiu o professor de Educação Física Nelson Luiz Cunegundes de Souza, especialista em Fisiologia do Treinamento Esportivo, que em 1998 perdeu o emprego na Associação Atlética do Banco do Brasil, em São Paulo, depois que foi acusado pela Folha de S.Paulo de estar abrindo uma “liga pirata” de basquetebol, com a intenção de ganhar dinheiro (ver, neste Observatório, “A Folha de retrata”).

Ele entrou na Justiça exigindo a retratação do jornal e a reparação dos danos. A Folha recorreu a todas a instâncias, inclusive o Supremo Tribunal Federal, para não ter que atender a esse mínimo direito do cidadão.

A ação só foi julgada e executada em outubro de 2011, ou seja, treze anos depois o senhor Nelson Luiz teve o direito de ver sua verdade publicada no jornal que o ofendeu.

Comentário para o programa radiofônico do OI, 15/3/2012

Legítimo funk da pesada

Para quem não conhece, Mr. George Clinton.

sábado, março 10, 2012

O melhor da piada-canção music

Playlist daquilo que tem melhor naquilo que um dia foi chamado de "piada-canção' ou simplesmente música para sacanear. Som na caixa!

O que ando ouvindo

Há algum tempo venho reclamando neste blog sobre a mediocridade que assola a música e a mesmice que assola os vários estilos musicais. Alguns poderiam dizer que se trata de um ranzinza, frustrado e que parou nos anos 80, etc.
Venho então dizer que não é bem assim, pois graças a internet conseguimos encontrar coisas boas ou interessantes. Musicalmente, costumo entrar em fases e a minha atual é ouvir rock cantado em alemão. Por quê? Porque acho uma língua bastante apropriada para esse estilo musical, sem falar que estou de saco cheio de ouvir músicas em inglês.
Atualmente há uma cena musical forte acontecendo na Alemanha, chamada Neue Deutche Welle (ou nova onda alemã) onde o pessoal finalmente perdeu a vergonha de cantar na língua nativa. Rammstein, Oomph!  e vária outras bandas vem ganhando destaque na Europa e na América do Norte. No Brasil, a coisa fica mais na internet, pois percebe-se uma má vontade das produtoras em relação a essa nova onda alemã (essa raça foi criada ao som da língua inglesa e não aceita outra coisa).
A última banda que tenho ouvido é o Blutenengel, de her Cris Pohl, uma espécie de Marilyn Manson germânico, só que com um som mais charmoso (pelo menos na minha opinião). Além disso, o feioso vem acompanhado de  duas cantoras e várias dançarinas (gostozíssimas por sinal) o que é um diferencial em relação ao anti-cristo norte-americano. Abaixo, um pouco do rock vampiresco germânico.



Metáfora para o mercado imobiliário

Nesse caso, qualquer semelhança com a venda de apartamento não é mera coincidência.

Roxy music

Ainda no campo da nostalgia - diante de tanta merda sem criatividade que assola a música - vale a lembrança do Roxy Music, banda capitaneada por mister Brian Ferry.




quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Wando RIP


A abundância no carnaval


O autoelogio do quarto poder

Assunto mais comentado nos últimos dias, o julgamento de Lindemberg Alves, assassino da adolescente Eloá Pimentel, ressurge após três anos do acontecimento do fato, com a mesma intensidade e trazendo novos elementos, cuja atenção não foi devidamente dada naquela época.
O caso teve repercussão nacional e teve um desfecho trágico diante das câmeras de TV de todo país, causando comoção nacional. Que Lindemberg cometeu um crime, isso é fato! Também é certa a sua condenação, dada a torpeza do crime e as circunstâncias. Mas, saindo da esfera do emocional e analisando a situação, chama atenção à estratégia de defesa, capitaneada pela advogada Ana Lúcia Assad. Tratada pela imprensa como “a-advogada-que-quer-aparecer”, Assad tocou numa ferida que a mídia não gosta e faz de tudo para rechaçá-la.
Qual a estratégia da advogada? Pretende levar o caso para crime passional, o que beneficiaria o réu. Mas não venho aqui tratar do juridiquês nem tão pouco discutir  de forma pormenorizada a estratégia da defesa nesse caso. Isso eu deixo para os ilustres causistas e suas portas de cadeia. O que chama a atenção nesse episódio é fato de que a advogada em questão levanta  a responsabilidade da polícia – cuja ação foi além do que desastrosa – e o papel da mídia nesse caso.
A defesa levanta a possibilidade de que a cobertura do caso pela mídia tenha influenciado no desenrolar dos acontecimentos. Exagero? Nem tanto, considerando que uma apresentadora de TV conseguiu entrevistar o seqüestrador (Lindemberg) ao vivo, mantendo a adolescente em cárcere. Quer mais? O excesso de informações de detalhes policialescos, durante 24 horas,  proporcionou a criação de um ambiente de comoção nacional, onde o acusado possivelmente deve ter sido influenciado, o que pode ter contribuído definitivamente para o desfecho do seqüestro. O que eventualmente deveria ser algo que chamasse a atenção e que poderia ser resolvido de uma forma mais simples tomou proporções  incontroláveis.
O julgamento trouxe à tona o debate envolvendo a participação da mídia na cobertura de eventos dessa natureza. Há muito vem sendo usada a expressão “espetacularização da notícia”, termo mais do que apropriado para tratar a forma com que os meios de comunicação se comportam diante da divulgação de fatos e o uso deles perante a opinião pública. Hoje, a mesma mídia que lutava para mostrar todos os detalhes do seqüestro, chegando até mesmo a entrevistar o seqüestrador, se arvora em justiceira e já estabeleceu a sentença antes mesmo do Poder judiciário proferi-la. Lindemberg foi condenado antes mesmo de pisar no tribunal.
É irresistível a comparação do caso com o filme “O Quarto Poder”, do diretor Constantin Costa Gavras. Nele, um segurança de um museu perde o emprego e, desesperado, volta armado ao local de trabalho a fim de pressionar sua antiga empregadora, acabando por seqüestrá-la, juntamente com um grupo de crianças, além de dar um tiro acidental num ex-colega de trabalho. O caso ganha proporção quando um repórter inescrupuloso percebe que poderia manipular a situação em prol de picos de audiência. O desfecho do filme é trágico e exemplifica a forma inescrupulosa como a mídia  trata fatos dessa natureza em prol de audiência.
Tal como numa novela de horário nobre, a advogada de Lindemberg parece ser a mais nova vilã do Brasil, culpada por proferir inverdades e tecer ilações que não condizem com a verdade construída pela mídia. Deverá ser achincalhada por alguns dias, até outro fato ganhar o status de “espetáculo” e levar  comoção a opinião pública, concedendo a ela o papel de juiz e carrasco, sob a geração de  picos de audiência conseguida.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Baixa na música brega

A música brega sofreu um pesada baixa nesta quarta-feira com a morte do cantor e colecionador de calcinhas Wando. O coração do obsceno (assim ele se intitulava num de seus shows) não resistiu, levando-o a óbito. A Du Loren e outras fábricas de calcinha podiam fazer um homenagem para aquele que tornou essa peça íntima do vestuário feminino, uma de suas marcas registradas durante as apresentações.
Com a morte de Wando acho bom a rapaziada da música brega fazer um check up e ver se está tudo bem. Te cuida Reginaldo Rossi!

É carnaval em Salvador!

Perguntinha básica: diante da possibilidade da greve de PMs se estender a outros estados e lembrando que a Constituição Federal proíbe greve de militares,  as autoridades competentes estão negociando o quê?

domingo, fevereiro 05, 2012

Ainda existe rock'n roll no Brasil

Uma das poucas bandas de rock que ainda prestam nesse país. A banda Velhas Virgens faz um som que transita entre o rock clássico e o blues. Abaixo, um pequena amostra.




Bom é quando faz mal.... às vezes!

Espaço, região e território: elementos basilares da geografia


Por Erick Schunig

A geografia se apresenta como um dos campos científicos mais versáteis em relação a sua área de atuação, oferecendo um importante cabedal para usos diversos que vão desde a análise epistemológica da relação entre o homem e a natureza até o fornecimento de subsídios para o planejamento ambiental.
Entretanto, há temas fundamentais que são pilares na discussão do conhecimento geográfico e que apontam caminhos importantes para entender o mundo atual e suas mudanças. Nesse sentido, há de que seja feita uma discussão sobre as diversas concepções que envolvem três elementos inerentes da geografia: espaço, região e território. É sobre esse tripé que iremos discorrer e que tentaremos fornecer subsídios para melhor entendimento sobre  como cada um se apresenta dentro das escolas de pensamento geográfico e quais as implicações envolvidas.

Geografia tradicional ou clássica
Para geografia tradicional, espaço pode ser apresentado através de uma simples definição como uma porção da superfície do nosso planeta, composta pela natureza e por todos elementos que a caracterizam (clima, relevo, vegetação, hidrografia, etc.), sob influência das ações humanas. Partindo dessa definição simplista, espaço pode ser visto através de uma ótica mais apurada, envolvendo as escolas de pensamento geográfico.
De acordo com Correa (1995), a geografia tradicional ou clássica tratava espaço de uma forma superficial, aparecendo em obras de geógrafos como Friederich Ratzel e Hartshorne. Paisagem e região não tinham uma abordagem mais sofisticada, limitando-se bastante a descrição. Ratzel desenvolve dois conceitos fundamentais envolvendo território e de espaço vital. O primeiro vincula-se à apropriação de uma porção do espaço por um determinado grupo, enquanto o segundo expressa às necessidades territoriais de uma sociedade em função de seu desenvolvimento tecnológico, do total de população e dos recursos naturais. A preservação e ampliação do espaço vital, constitui, na formulação de Ratzel, como a própria razão de ser do Estado.
O espaço na visão de Hartshorne é o espaço absoluto, um conjunto de pontos que tem existência em si, sendo independente de qualquer coisa. É um quadro de referência que não deriva da experiência, sendo apenas intuitivamente utilizado na experiência. Trata-se de uma visão kantiana, por sua vez influenciada por Newton, em que o espaço (e o tempo) associa-se a todas as dimensões da vida. Sob essa ótica o espaço é visto como um receptáculo que contém elementos.
Segundo Gomes (1995), para  essa escola de pensamento, o conceito de região surge da  ideia de que o ambiente tem um certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade. A partir da perspectiva possibilista, as regiões existem como unidades básicas do saber geográfico, não como unidades morfológica e fisicamente pré-constituídas, mas sim como resultado do trabalho humano  em determinado ambiente.
É forte a influência de concepções elaboradas por geógrafos alemães e franceses, onde a região pode preservar a unidade fundamental do campo da geografia, instituída sob o formato de discussão relação homem-meio. A região era vista como um conceito capaz de promover o encontro entre as ciências da natureza e as ciências humanas, o produto-síntese de uma reflexão verdadeiramente geográfica. Trabalha-se com a ideia de regiões homogêneas e regiões funcionais ou polarizadas, o que gerou uma série de críticas a esse pensamento.

O pensamento teorético-quantitativo
Na concepção da geografia teorético-quantitativa, outra escola de pensamento geográfico, o conceito de espaço sofre uma influência da visão epistemológica da ciência, baseada nas ciências naturais como a física. O conceito de paisagem é deixado de lado, enquanto o de região é reduzido ao resultado de um processo de classificação de unidade espaciais, segundo procedimentos de agrupamento e divisão lógica com base em técnicas estatísticas. Lugar e território não são conceitos significativos na geografia teorético-quantitativa.
O espaço é considerado sob duas formas que não são mutuamente excludentes: planície isotrópica e a sua representação matricial.
Críticos a esse pensamento consideram-na  uma visão limitada de espaço, pois, privilegia-se em excesso a distância, vista como variável independente; já as contradições, os agentes sociais, o tempo e as transformações são inexistentes ou relegada a um plano secundário.
A região é vista sob uma abordagem  tecnicista, onde a divisão passa a ser a palavra de ordem.  São estabelecidas regras e critérios  de classificação com o intuito de configurara espaços uniformes. A região é uma classe de área, fruto de uma classificação geral que divide o espaço segundo critério ou variáveis arbitrários que possuem justificativa no julgamento de sua relevância para uma certa explicação (GOMES,1995). São identificados dois tipos fundamentais de regiões: as regiões homogêneas e as regiões funcionais ou polarizadas.

A concepção da geografia crítica
Com base no pensamento marxista e originada  a partir dos anos 70, a Geografia Crítica entende espaço como o locus de reprodução das relações sócias (CORREA,1995). O espaço é entendido como espaço social, vivido, em estreita correlação com a prática social não deve ser visto como espaço absoluto, nem como produto da sociedade. Santos (apud CORREA, 1995) tem sua obra marcada pela forte presença dessa corrente de pensamento, onde o espaço é analisado através de quatro elemento; forma, função, processo e estrutura.
Santos (2001) é um dos maiores teóricos sobre a interferência do processo de globalização, observando a existência de  verticalidades (pontos interligados dentro de um território que formam um espaço de fluxo, fortemente influenciada por fatores externos) e horizontalidades (áreas de contiguidade que forma extensões contínuas).
Gomes (1995) ressalta que para essa corrente de pensamento, região passa a ser entendida a partir da perspectiva histórica dos processos sociais, produto do meio de produção e reprodução de toda vida social.

Geografia humanista e uma nova visão espacial
De acordo com Correa (1995), essa corrente de pensamento que tem base  nas filosofias do significado, especialmente a fenomenologia e o existencialismo e está assentada no subjetivismo, na intuição, nos sentimentos, na experiência, no simbolismo e na contingência, privilegiando o singular e não o particular ou o universal. A paisagem torna-se um conceito revalorizado, assim como a região, enquanto o conceito de território tem na geografia humanista uma de suas matrizes.
Correa (1995) afirma que existem vários tipos de espaços, um espaço pessoal, outro grupal, onde é vivida a experiência do outro e o espaço mítico-conceitual que extrapola para além da evidência sensorial e das necessidades imediatas e em direção a estruturas mais abstratas.
Em relação a região, Gomes (1995)  destaca que essa corrente trabalha com um novo conceito de região, vista como um quadro de referência fundamental na sociedade. A região ganha  uma espessura e define um código social comum que tem uma base territorial. Passa a ser vista como um produto real, construído dentro de um quadro de solidariedade territorial.

A discussão sobre o território
O debate sobre a definição de território envolve uma discussão referente a sua abrangência, limites e identidades. Souza (1995) trabalha o conceito de território referindo-se a escala nacional e em associação com o Estado como grande gestor, ressaltando que não deve ser reduzido  a associação com a figura do Estado.
Para Souza , a ocupação do território deve ser vista como algo gerador de raízes e identidade: um grupo não pode mais ser compreendido sem o seu território, no sentido de que a identidade sócio-cultural das pessoas estaria inarredavelmente ligada aos atributos do espaço concreto. Dessa forma, os limites do território também tornam-se flexíveis ante disputas e mudanças, na luta pela territorialidade. O autor também cita o papel do território como instrumento ideológico para esconder conflitos sócias dentre de um Estado.
A ideia de território também encaminha reflexões a respeito da influência do processo de globalização. Haesbaert (1995) traça uma abordagem sobre a questão do território, onde é percebida a existência de vastos espaços no mundo contemporâneo que exibem incrível nitidez referente a efeitos dessa “modernização arrasadora”.
De acordo com Haesbaert (1995), esses espaços são moldados sob a ótica de um modelo dominante em que muitos preferem considerar espaços sem história, sem identidade. Com a tecnologia e a velocidade, e transformados num ritmo alucinante, onde a paisagem é incorporada na mesma rede hierarquizada de fluxos alinhavada em escalas que vão muito além dos níveis local e regional.
Haesbaert (1995) chama de “nova desordem mundial”, aquilo que considera a produção de diversos níveis de desterritorialização. Fenômeno incorporado a globalização econômica, estimulada por redes tecnológicas mais sofisticadas, movimentos neoterritorialistas de (re)enraizamento, que muitas vezes promovem a (re)construção de identidades tradicionais e a exclusão socioeconômica e cultural mais violenta.
Sobre a desterritorialização, Santos (2001) tece alguns comentários sobre a ideia de que espaço e tempo foram contraídos graças a velocidade, o que considera um mito.
Na visão de Santos, a ideia de uma humanidade desterritorializada a partir do desaparecimento das fronteiras e de uma cidadania universal, cai por terra quando percebemos que as fronteiras mudaram de significação, mas nunca estiveram tão vivas. A existência das fronteiras, segundo ele, está pautada no fato de que  o próprio exercício das atividades globalizadas não prescinde de uma ação governamental capaz de torná-las efetivas dentro de um território. Portanto, a humanidade desterritorializada seria apenas um mito.

Considerações finais de uma discussão inacabada
O artigo trouxe elementos para discutir a visão das diversas correntes geográficas envolvendo espaço e região, bem como as antigas e novas concepções sobre território. Há de ser considerada a dificuldade envolvendo a abordagem de fenômenos espaciais e a sua representação através da escala, instrumento matemático amplamente utilizado pela geografia e que trabalha com a ideia de apreensão da realidade, através da representação.
Outro aspecto importante e que merece atenção é o papel exercido pelas redes dentro da dinâmica territorial, onde estão implicadas  estratégias de circulação e de comunicação, e o papel do Estado como gestor dentro do território e o seu lugar na geopolítica mundial.
A discussão prossegue e as possibilidades ainda não foram esgotadas.