sexta-feira, abril 30, 2010

Logomarca dupla face

A frase da semana

“Hoje em dia, o único jeito de sair da faculdade já com status de chefe é cursando gastronomia”.
@fumantepassivo

Deu no blog do Japiassu

Para iniciados
O considerado Symphronio Veiga, jornalista de primeira, velho amigo e companheiro naquele inferno que foi o CPOR de BH, envia de seu bunker na Avenida Afonso Pena esta frase cheia de sabedoria que somente os iniciados entenderão:

"Resolvi todos os problemas da minha vida: misturei Activia com Johnnie Walker. Agora, tô cagando e andando..."

Besteira alienígena
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo recém-reformado refúgio, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário, enxerga-se dona Dilma a vestir sua máscara de Norma Bengell, pois Roldão lia o caderno Outlook do Brasil Econômico quando deparou com este arremedo da intelectualidade multinacional:

Ele (Fernando Pessoa) que sempre lutou para tentar destruir os erros e desfazer as lacunas da informação estrangeira a respeito de Portugal, como escreve, no prefácio deste livro (O que o turista deve ver - Companhia das Letras), Teresa Rita Lopes, especialista contemporânea em Fernando Pessoa.

Lopes, que se dedica à divulgação da parte inédita do poeta, diz que 'nesse passeio, mais do que palavras, é o olhar de Pessoa que nos conduz'. ("Para inglês ver", de Mafalda de Avelar, página 20.)

Nosso Mestre jamais aceitará essa besteira alienígena:

O emprego do sobrenome é regra no jornalismo americano, de acordo com os costumes de identificação de pessoas nos EUA. No Brasil a praxe é diferente: usa-se o(s) prenome(s), o que evita uma incerteza com relação ao sexo do indivíduo mencionado. Aqui, Lopes levará sempre a se pensar em um homem; ninguém imaginará que se trata de uma sra. Teresa Rita.

Quando a gente acha que já viu de tudo...

Réu foge pela janela durante pausa em audiência
Por Geiza Martins

Ao ver-se sozinho com a sua defensora no Fórum de Plácido de Castro (AC), o réu Wellington Marques de Lima não teve dúvidas: pulou a janela e ganhou o mundo. A defensora havia pedido suspensão da audiência para confabular com o acusado. O juiz e o promotor saíram da sala para que os dois conversassem. O réu provavelmente seria solto no final da audiência, já que se trata de acusação de pequeno potencial ofensivo. Mas o esperto preferiu antecipar sua liberdade. Tudo sob os pedidos da defensora para que não fizesse isso.
Fonte: Conjur

quarta-feira, abril 28, 2010

Pauleira nossa de cada dia

O curso está bem puxado e está difícil até mesmo para malhar, quiçá atualizar blog. Masmo assim vou ver se mantenho pelo menos uma ou duas atualizações por dia. Se a internet ajudar é claro!

Templo é dinheiro

Fiel reclama de doações que fez para Igreja
Por Rodrigo Tavares
A Igreja Universal do Reino de Deus é alvo de 64 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo. Um deles salta aos olhos pelo valor do pedido de indenização: R$ 1,8 milhão. Na ação de março deste ano, movida pelo escritório Marzagão, Amaral & Leal, o lavador de carros Edilson Cesário Vieira sustenta que foi induzido por bispos da Igreja a doar R$ 1 milhão. Além de acusar a Igreja de forçá-lo a fazer a doação, o lavador de carros reclama que, como não tinha o dinheiro, ficou com uma dívida que está muito além de suas possibilidades.

Vieira alega que os bispos da Iurd o convenceram a pegar empréstimos para fazer doações altas. Em troca, os bispos rezariam para que ele ganhasse uma ação trabalhista no valor de R$ 12 mil. Segundo o autor da ação, os bispos o convenceram de que se tratava de uma causa milionária.

A gerente jurídica da Iurd, Adriana Guerra, informou que a igreja ainda não foi citada nessa ação. Mas afirma que vai alegar litigância de má-fé pelo fato de Vieira ter movido duas ações idênticas contra a Igreja. “Ele moveu duas ações com as mesmas partes e os mesmos pedidos. Não tem fundamento. Além de serem pedidos discrepantes”. Efetivamente, Vieira moveu uma outra ação contra a Igreja, em 2007, que difere da atual somente quanto ao valor da indenização pedida.(...)
Fonte: Conjur

sábado, abril 24, 2010

A frase da semana

Ponto morto é a marcha que as mulheres mais usam.
@nerdchato

Deu no blog do Japiassu

Restaurante português oferece Fodinhas Quentes
Sob o ousado título FODINHAS QUENTES AGUÇAM O APETITE, a considerada Cathia Giampietro, que vive na Inglaterra e adora viajar pelo mundo afora, trouxe de Portugal uma página do Correio do Minho, a qual tece louvações ao bizarro cardápio de um restaurante da cidade de Ponte de Lima, distrito de Viana do Castelo, subregião do Minho-Lima.

Poliglotas
O considerado Eduardo Almeida Reis, melhor cronista diário do Brasil, anotou ao pé de sua coluna no Estado de Minas:

Ruminanças – “Há poliglotas, e não são poucos, que falam uma porção de línguas e não conseguem raciocinar em nenhuma delas” (R. Manso Neto).

Janistraquis recordou um episódio da campanha presidencial, digamos, intramuros, de Tancredo Neves. Um assessor se aproximou dele e apontou para um jovem estacionado na parede da sala:

"Doutor Tancredo, precisamos ter aquele ali como nosso assistente; o homem fala cinco línguas!!!"

O candidato, vergado ao peso da experiência e da doença que o matou pouco depois, respondeu:

"É, pode ser; mas antes devemos saber o que ele fala nessas cinco línguas..."

Quem defende
Chamadinha na capa do UOL:

Futebol -- Acusado de racismo, zagueiro do Palmeiras depõe na polícia

Danilo é defendido por Lincoln das acusações

Janistraquis acredita sempre e sempre que a ordem direta facilita a leitura, assim:

Danilo é defendido das acusações por Lincoln

Macaco Simão
A propósito, essa história de julgar criminoso alguém que chama um negro de macaco insere-se neste verdadeiro oceano de nescidades que é a "justiça" brasileira. Esse dislate significa o seguinte: pode-se chamar o desafeto de todos os palavrões da língua, a começar de filho da p..., que nada acontece; todavia, comparar o elemento a um primata é crime punível com até 3 anos de cadeia.

Ora, qualquer transeunte que em São Paulo encontrar o colunista José Simão do outro lado da rua, pode gritar: "E AÍ, MACACO?!?!?!". Simão, auto-denominado "Macaco Simão", responderá com um aceno e uma daquelas gargalhadas que somente ele é capaz de entoar.

Amasso arretado
De José Roberto Tributo, jornalista em Belo Horizonte, o qual, apesar do nome, não tem ligação alguma com a receita federal:

O Estado de Minas, auto-intitulado “O Grande Jornal dos Mineiros”, se dá ao luxo de ter várias colunas sociais, daquelas estilo anos 50, listando as presenças nas festas, e também “histórias em quadrinhos”, isto é, sequências de pequenas fotos em que aparecem sempre as mesmas pessoas, sempre nos mesmos lugares. Uma dessas colunas, intitulada Anna aos Domingos, deu a seguinte nota:

“DIAMANTINA – NÃO CONHEÇO UM SÓ DIAMANTINENSE QUE NÃO AMASSE PROFUNDAMENTE SUA CIDADE.”

Quero fazer um veemente apelo aos diamantinenses: pelamor de Deus, não dêem nenhum amasso em sua belíssima cidade.

quarta-feira, abril 21, 2010

Doce aposentadoria

CNJ aposenta compulsoriamente juíza da Abaetetuba

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a aposentadoria compulsória da juíza Clarice Maria de Andrade, de Abaetetuba (PA). Ela foi responsável por mandar prender uma menor de idade com outros 23 presos em uma cela em 2007. Os conselheiros acataram por unanimidade o voto do conselheiro Felipe Locke Cavancanti que é relator do Processo Administrativo Disciplinar contra a juíza. "Este é um caso doloroso e emblemático, que chama atenção para a responsabilidade dos juízes sobre o que ocorre no sistema prisional", enfatizou o presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, que acompanhou o voto do relator.

A juíza foi condenada por ter se omitido em relação à prisão da menor, que sofreu torturas e abusos sexuais durante os 20 dias em que ficou encarcerada irregularmente. A menina foi presa em 2007 por tentativa de furto, crime classificado como afiançável. Os conselheiros entenderam, de acordo com os autos, que a juíza sabia das condições do presídio antes de mandar a menor para o local. Também pesou na decisão o fato de que a juíza foi informada da situação da menor e não tomou previdência a tempo para transferi-la.

O CNJ concluiu ainda que a juíza falsificou um documento. Era um ofício pedindo a transferência da menor feito com data retroativa de 13 dias. "Me parece um descaso completo. Ela (a juíza) tinha o dever de evitar que essa presa sofresse as maiores violações que uma pessoa podia sofrer", afirmou o conselheiro Leomar de Souza, que comparou as condições que a menor foi presa a uma "masmorra" e uma "prisão nazista", de acordo com informação publicada pelo O Globo.(...)
Fonte: Conjur

terça-feira, abril 20, 2010

E ninguém cala este nosso amor!

Perdeu palyboy!


Blogueiro acusa repórter de plagiar texto e publicar em jornal
Por Izabela Vasconcelos

O jornalista e blogueiro Marcus Ottoni acusa um repórter do Jornal de Hoje, de Natal (RN), de ter plagiado partes de textos de seu blog para publicar no veículo em que trabalha. De acordo com Ottoni, o jornalista teria copiado frases inteiras e uma declaração, alterando apenas o nome da entrevistada.

A matéria tratava de um campo de futebol abandonado no loteamento José Sarney, na Zona Norte da cidade. O texto foi assinado por Filipe Mamede e publicado no dia 15/04. Ao ver a capa do jornal, Ottoni decidiu ler a notícia e se surpreendeu ao ver partes de sua matéria no veículo.

“Ele chupou frases inteiras e uma declaração de uma pessoa que eu entrevistei, que ele deu o nome de um personagem fictício. Foi um lamentável incidente jornalístico”, contou o blogueiro.

Após a manifestação do jornalista, o repórter enviou um e-mail pedindo desculpas por não ter citado a fonte, e explicou que havia recebido o texto como sugestão de pauta, mas sem saber quem era a fonte.

“Recebi, ontem, uma pauta com algumas citações de um texto que versava sobre os problemas existentes no loteamento José Sarney, porém não havia a fonte do material. É comum, dentro da prática diária do jornalismo cotidiano usarmos trechos das pautas como complemento das reportagens. No entanto, gostaria de ratificar meu pedido de desculpas pelo fato ocorrido e garantir que a situação não mais se repetirá. Redigi uma nota me retratando sobre a situação. Ela será veiculada na edição de amanhã do Jornal de Hoje”, explicou Mamede, em e-mail encaminhado a Ottoni.

Procurado pelo blogueiro, o jornalista responsável pelo veículo, Marco Aurélio Sá, considerou o caso absurdo e se comprometeu a divulgar uma nota no jornal com esclarecimento aos leitores. A nota foi publicada no dia 16/04.

De acordo com a diretora de redação do Jornal de Hoje, Sylvia Sá, na nota o repórter pediu desculpas por não ter citado a fonte do texto e reiterou que o episódio não voltaria a acontecer. “Ele reconheceu o erro dele e nós garantimos que isso nunca mais irá se repetir. Ele é um bom repórter, esforçado, tem o texto bom. Acho que foi por um descuido, não por esperteza”, defendeu.

Ottoni afirmou que não pretende levar a história adiante. “Eu encerro essa história aqui, já publiquei tudo no meu blog. Isso serve de alerta para que as pessoas tenham mais cuidado. Poderia até publicar, mas citando a fonte”, declarou.

Procurado pela reportagem, Mamede disse que já havia pedido desculpas ao jornalista e por isso preferia não comentar mais o caso.
Fonte: FNDC

Para aqueles que ainda acreditam na imparcialidade da imprensa


A imprensa como partido político

Por Washington Araújo

Esperei baixar a poeira. Em vão, porque a poeira existiu apenas na internet. E tudo porque me causou estranheza ler no diário carioca O Globo (18/3/2010) a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

"A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo."

E como a poeira não baixou resolvi colocar no papel as questões que foram se multiplicando, igual praga de gafanhotos, plantação de cogumelos, irrupção de brotoejas. Ei-las:

1. É função da Associação Nacional de Jornais, além de representar legalmente os jornais, fazer o papel de oposição política no Brasil?

2. É de sua expertise mensurar o grau de força ou de fraqueza dos partidos de oposição ao governo?

3. Expirou aquela visão antiquada que tínhamos do jornalismo como sendo o de buscar a verdade, a informação legítima, para depois reportar com a maior fidelidade possível todos os assuntos que interessam à sociedade?

4. Como conciliar aquela função antiquada, própria dos que desejam fazer o bom jornalismo no Brasil, como tentei descrever na questão anterior, com a atuação político-partidária, servindo como porta-voz dos partidos de oposição?

5. Sendo o Datafolha propriedade de um dos grandes jornais do Brasil e este um dos afiliados da ANJ, como deveríamos fazer a leitura correta das pesquisas de opinião por ele trabalhadas? O Datafolha estaria também a serviço de uma oposição "que no Brasil se encontra fragilizada"?

6. Na condição de presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) será que Maria Judith Brito não se excedeu para muito além de suas responsabilidades institucionais?

7. Ou será próprio de quem brande o estatuto da liberdade de imprensa que entidade de classe de veículos de comunicação assuma o papel de oposição política no saudável debate entre governo e oposição?

8. Historicamente, sempre que um dirigente ou líder de partido político de oposição desanca o governo, seja justa ou injustamente, é natural que o governo responda à altura e na mesma intensidade com que o ataque foi desferido. Mas, no caso atual, em que a ANJ toma si para a missão de atuar como partido político de oposição, não seria de todo natural esperar que o governo reaja à altura do ataque recebido?

9. E, neste caso, como deveria ser encarada a reação do governo? Seria vista como ataque à liberdade de expressão? Ou seria considerado como legítima defesa de da liberdade de expressão ou de ideologia?

Claro e transparente

10. Durante o período de 1989 a 2002, em que a oposição política no Brasil esteve realmente fragilizada, e ao extremo, não teria sido o caso de a ANJ ter tomado para si as dores daquela oposição, muitas vezes, capenga?

11. E, no caso acima, como a ANJ acha que teriam reagido os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso?

12. Com o histórico de nossos veículos de comunicação, muitos deles escorados em sua antiguidade, como aferir se há pureza de intenções por parte da ANJ em sua decisão de tomar para si responsabilidade que só lhe poderia ser concedida pelo voto dos brasileiros depositados nas urnas periodicamente? Não seria uma usurpação de responsabilidade?

13. Afinal, não é através de eleições democráticas e por sufrágio universal e secreto que a população demonstra sua aprovação ou desaprovação a partidos políticos?

14. Será legítimo que, assinantes de jornais e revistas representados pela associação presidida por Maria Judith Brito passem, doravante, a esmiuçar a cobertura política desses veículos, tentando descobrir qual a motivação dessa ou daquela reportagem, dessa ou daquela nota, dessa ou daquela capa?

15. E quanto ao direito dos eleitores de serem livremente informados... que garantias estes terão de que serão informados, de forma justa e o mais imparcial possível, das ações e idéias do governo a que declaradamente se opõe a ANJ?

16. Para aqueles autoproclamados guardiães da liberdade de expressão e do Estado democrático de direito: será papel dos meios de comunicação substituir a ação dos partidos políticos no Brasil, seja de situação ou de oposição?

17. Em isso acontecendo... não estaremos às voltas com clássica usurpação de função típica de partido político? E não seria esta uma gigantesca deformação do rito democrático?

18. Repudiam-se as relações deterioradas entre governo e mídia na Venezuela, mas ao que tudo indica nada se faz para impedir sua ocorrência no Brasil. Ironicamente, os maiores veículos de comunicação do país demonizam o país de Hugo Chávez. A origem do conflito político na Venezuela não está umbilicalmente ligado ao fato que na Venezuela os meios de comunicação funcionam como partido político de oposição, abrindo mão da atividade jornalística?

19. Esta declaração da presidente da ANJ, publicada no insuspeito O Globo, traduz fielmente o objetivo de a ANJ estabelecer a ruptura com o governo, afetar a credibilidade da imprensa e trazer insegurança a todos os governantes, uma vez que serve também aos governos estaduais e dos municípios onde a oposição estiver fragilizada?

20. Considerando esta declaração um divisor de águas quanto ao sempre intuído partidarismo e protagonismo político dos grandes veículos de comunicação do país, será que não seria mais que oportuno e inadiável a ANJ vir a público esclarecer tão formidável mudança de atitude e de missão institucional? Por que não abordar o assunto de forma clara e transparente nas páginas amarelas da revista Veja? Por que não convidar a Maria Judith Brito para ser entrevistada no programa Roda Vida da TV Cultura? Por que não convidá-la para o Programa do Jô? E para ser entrevistada pelo Heródoto Barbeiro na rádio CBN? Por que não solicitar a leitura de "Nota da ANJ"sobre o assunto no Jornal Nacional? Por que não submeter texto para publicação na seção "Tendências/Debates" do jornal Folha de S.Paulo, onde a presidente trabalha? De tão interessante não seria o momento de a revista Época traçar o perfil de Maria Judith Brito? E que tal ser sabatinada pela bancada do Canal Livre, da Band?

Prudente e sábio

Já que comecei falando de estranheza, estranhamento etc., achei esquisito a não-repercussão ostensiva da fala da presidente da ANJ junto aos veículos de seus principais afiliados. Estratégia política? Opção editorial? Ou as duas coisas?

Finalmente, resta uma questão de foro íntimo: que critério deverei usar, doravante, para separar o que é análise crítica própria de um partido político, para consumo interno de seus filiados, daquilo que é matéria propriamente jornalística, de interesse da sociedade como um todo?

Todos nós, certamente, já ouvimos centenas de vezes o ditado "cada macaco no seu galho". E todos nós o utilizamos nas mais diversas situações. O ditado é um dos mais festejados da sabedoria popular, é expressão de conhecimento, nascido da observação de fatos; um aprendizado empírico. Vem de longa data e se estabelece porque pode ser comprovado através da vivência e mais recentemente foi citado por Michel Foucault e Jurgen Habermas. No caso aqui abordado, o ditado popular cai como luva assim como as palavras de Judith Brito ficarão por muito tempo gravadas no bronze incorruptível da nossa memória.

Mesmo assim sinto ser oportuno aclarar que entendo como papel da mídia atividades como registrar, noticiar os fatos, documentar, fiscalizar os poderes, denunciar abusos e permitir à população uma compreensão mais ampla da realidade que nos abarca. Neste rol de funções não contemplo o de ser porta-voz de partido político, seja este qual for. Ora, o governo tem limites de ação: operacionais, constitucionais, políticos. A mídia, quando não investida de poderes supraconstitucionais, também tem seus limites que não são tão flexíveis a ponto de atender as conveniências dos seus proprietários ou concessionários. É prudente e sábio reconhecer que em uma sociedade democrática todos os setores precisam de regulação – e a mídia não é diferente. E é bom que não seja. Afinal, a lei é soberana e a ela todos devem se submeter, já escrevia o pensador Shoghi Effendi (1897-1957) na segunda metade de 1950. Nada mais atual que isto.
Fonte: FNDC

Rodízio na quadrilha


Gilmar Mendes encerra gestão recebendo homenagens
Por Geiza Martins

O ministro Gilmar Mendes terá uma agenda cheia em sua última semana como presidente do Supremo Tribunal Federal. Em todos os dias, ele participará de eventos em que será homenageado, inclusive na solenidade de posse do seu substituto na corte, o ministro Cezar Peluso. O novo presidente será saudado pelo decano do STF, ministro Celso de Mello e pelo presidente da OAB Nacional, Ophir Cavalcante — mas ambos destacarão os feitos de Gilmar à frente do Supremo e do CNJ.

Com o final de seu mandato no STF, automaticamente Gilmar se despede também do comando do Conselho Nacional de Justiça, órgão em que atuou como presidente. Para a despedida, o CNJ prepara um jantar que contará com a presença dos juízes e conselheiros nesta segunda-feira (19/4), em Brasília. Na terça, Gilmar Mendes comanda a sua última sessão no Conselho.(...)
Fonte: Conjur

Sai Gilmar, mas ficam as lembranças. Jornalistas de todo Brasil entoam loas em relação a essa mudança na certeza de que nunca o esqueceremos. Nunca mesmo!

sábado, abril 17, 2010

Festival Eurovision

Já que postei um vídeo de um dos concorrentes do Festival Eurovision deste ano, resolvi escrever um pouco sobre o mesmo e fazer um playlist no goear. Esse festival acontece desde a década de 60 e reúne representantes de quase todos os países europeus - só a Itália não participa - escolhidos em concursos promovidos por canais de TV. Inclui-se também o representante de Israel que, por motívos obvios, não pode participar de concursos similares no Oriente Médio sob pena de ser linchado pelos árabes. O festival também chegou a contar com a presença de representantes do Marrocos, coisa que não acontece mais.
Os escolhidos passam por duas eliminatórias até a grande final que tem grande divulgação na Europa através de shows, CDs, vídeos, programas de TV e todo tipo de material publicitário existente. Só para ter uma idéia da estrutura, o representante português é escolhido pela RTP, um dos maiores canais de TV de Portugal.
A organização das eliminatórias é simplesmente magnífica, com uma estrutura no padrão dos grandes shows e a cada eliminatória os telespectadores é que escolhem os finalistas. Detalhe:o festival não permite bairrismos, ou seja, o telespectador da Alemanha não pode votar no candidato da Alemanha e por aí vai. A única coisa que lamento é o fato de que a maioria cante em inglês, o que na minha opinião tira um pouco o brilho do festival. Só uns poucos como Portugal, Espanha, França e alguns países do leste europeu é que cantam na língua nativa.
Já passaram pelo festival grandes grupos e cantores como por exemplo o ABBA, que ganhou com a música "Waterloo". Ano passado ganhou o representante da Noruega com uma música que na minha opinião era bem fraca diante de outras fortes concorrentes.
Dos candidatos desse ano destaco os representantes da Lituânia (InCulto), da Rússia (Peter Nalich Band, cujo vocalista tem uma vóz bem diferente),da Espanha (Diego Diges, que dá uma interpretação especial a uma música a meu ver insonsa), da Alemanha (Lena Meyer-Landrut, que estourou na sua terra natal)e da Croácia(Feminnem). Abaixo um playlist com músicas de 2008, 2009 e deste ano, com os artistas citados, além de outros que fizeram grande sucesso como Kraljevi Ulice ( na minha opinião o representante que tinha a melhor música do festival de 2008) e Rändajad (campeão moral de 2009, com a música Urban Simphony).

sexta-feira, abril 16, 2010

A frase da semana

Transporte público é COLETIVO de "pessoa que só se fode"
@Sambrito

Cacciola free!

STF nega liberdade a Cacciola, mas permite que juiz competente analise direito à progressão de regime


O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou, por oito votos a um, mais um pedido de liberdade ao ex-banqueiro Salvatore Cacciola, condenado a 13 anos de reclusão por gestão fraudulenta do Banco Marka e por corrupção de servidor público (do Banco Central).

No entanto, a maioria formada por cinco, dos nove ministros presentes à sessão desta quinta-feira (15), concedeu de ofício a ordem para que o juiz competente avalie se Cacciola já tem direito à progressão de regime, alcançada após o cumprimento de um sexto da pena. A iniciativa foi do ministro Dias Toffoli, que apesar de negar o pedido da defesa, sugeriu a possibilidade de analisar a progressão de regime. De acordo com os cálculos do ministro Dias Toffoli, considerando os 13 anos de condenação, Cacciola alcançou um sexto da pena ao cumprir 26 meses e ele já está preso há 31 meses. Isso sem considerar os 37 dias em que ficou preso em 2000.

Esse entendimento foi seguido pelos ministros Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Gilmar Mendes e Marco Aurélio, totalizando os cinco votos. O ministro Marco Aurélio foi além, pois concedia de imediato o pedido da defesa para que o ex-banqueiro aguardasse o julgamento de recursos em liberdade.

Os outros quatro ministros – Cármen Lúcia Antunes Rocha, Celso de Mello, Ayres Britto e Ellen Gracie – apenas rejeitavam o pedido de liberdade apresentado pela defesa.

A relatora do caso é a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, que apresentou seu voto com argumentos para manter a prisão de Cacciola. Segundo ela, em alguns trechos de conversas interceptadas Cacciola insinuou a tentativa de subornar as autoridades públicas do Judiciário, do Ministério Público, da Receita Federal e da Polícia Federal, “exatamente no intuito de interferir de alguma forma nos atos de ofício por esses praticados”.

“Pelo que se tem nos autos, portanto, não se sustentam juridicamente os argumentos apresentados pelos impetrantes, impondo-se, a meu ver, a manutenção da prisão para assegurar a garantia da ordem pública e a aplicação da lei penal que poderiam ficar comprometidas”, destacou.

Ministério Público

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou durante a sessão que o acusado é um dos grandes criminosos do país e deveria permanecer na prisão até o julgamento definitivo.

Gurgel lembrou que o crime de Cacciola causou prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos. Ele ressaltou que, em liberdade, poderá fugir novamente, uma vez que em 2000 ele viajou de carro para o Uruguai, de lá para Buenos Aires e então seguiu de avião para a Itália, com clara intenção de se subtrair a aplicação da lei penal brasileira.

“Trata-se de criminoso que deve permanecer encarcerado como única aplicação da lei penal brasileira. Colocá-lo em liberdade é garantir mais uma fuga longa e até definitiva”, sustentou.(...)
Fonte: STF

Traduzindo: Vai ser solto daqui a alguns meses

Rendeu

Estudante ofendido no ar apresenta queixa-crime contra apresentador de TV

Depois de ser ameaçado no ar pelo apresentador Zeca, do programa "RP2", da TV Vila Velha, no Paraná, o estudante de jornalismo Lucas Waricoda registrou uma queixa-crime contra o apresentador.

No dia 9 de abril, Zeca xingou e ameaçou o estudante do 2º ano da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) que produziu texto acadêmico criticando o conteúdo "sensacionalista" do programa. "Quando eu te pegar, se eu te pegar, você tá f...", disse o apresentador.

Segundo o site Última Instância, além da queixa-crime, o departamento jurídico da UEPG vai encaminhar uma representação ao Ministério Público do Estado e acionar a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), por conta do sinal da TV Vila Velha, que permitiu a veiculação das ameaças.
Fonte: FNDC

quinta-feira, abril 15, 2010

E depois quem é chorão é o Botafogo né!


Parece que finalmente a CBF pôs um ponto final nessa história de Flamengo hexa. Depois da lambança do campeonato de 1987, o Flamengo e a Rede Globo quiseram durante anos empurar goela abaixo de todos uma mentira dita várias vezes com o intuito de virar verdade. Como o Sport e o São Paulo chiaram, finalmente a CBF se posicionou e foi coerente com sua decisão em 1987. Agora vamos ver se a imprensa - Rede Globo - para com essa história de hexa.

Funk à moda lituana

Acontece todo ano na Europa o festival de música Eurovision, onde quase todos os países do continente mandam representantes que irão passar por duas eliminatórias até chegar a grande finalíssima.
Apesar da forte influência da indústria fonográfica norte-americana - a maioria canta em inglês - e dos modismos de mercado, ainda algumas coisas bem interessantes a serem vistas.
Um dos candidatos que gostei foi o grupo inCulto, que representa a Lituânia. É um funk - não confundir com aquele troço do Rio de Janeiro - à James Brow, temperado com um pouco de ská, cantado em inglês com um sotaque bem engraçado. Alías, o clip é super bem humorado. Abaixo, o vídeo de apresentação do inCulto para o Eurovision.

quarta-feira, abril 14, 2010

Tem certeza que é para punir?

Militares querem que Lei da Anistia puna torturadores

Um grupo de militares foi ao Supremo Tribunal Federal para pedir que os crimes de tortura ocorridos na ditadura não sejam perdoados. O pedido foi entregue por conta do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 153, marcado para esta quarta-feira (14/4). A ação, ajuizada pela Ordem dos Advogados questiona a validade do artigo 1º da Lei 6.683/79, que considera perdoados os crimes “de qualquer natureza” relacionados aos crimes políticos ou praticados na época da ditadura militar. A informação é da Folha Online.

A OAB pede ao Supremo uma interpretação mais clara desse trecho da lei, de forma que a anistia não se estenda aos crimes comuns praticados por agentes públicos, como homicídio, desaparecimento, abuso de autoridade, lesões corporais e estupro. O relator da ação no Supremo é o ministro Eros Grau, que chegou a ser preso e torturado na ditadura.

O documento da Associação Democrática e Nacionalista de Militares, sediada no Rio, diz que a "anistia não pode significar que atos de terror cometidos pelo Estado através de seus agentes e que ensejaram verdadeiros crimes contra a humanidade não possam ser revistos". O texto é assinado pelo major brigadeiro Rui Moreira Lima, militar que integrou a Força Expedicionária Brasileira, que combateu o nazi-facismo na Itália durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). (...)
Fonte: Conjur

Mais surpreendente do que um grupo de militares pedir punição aos torturadores é saber que Eros Grau – aquele que junto com Gilmar Mendes, gosta de conceder habeas corpus a bandidagem de colarinho branco – foi preso e torturado na ditadura. Será que é esse mesmo Eros Grau? Não é outro não?

terça-feira, abril 13, 2010

Quem realmente ameaça a liberdade de expressão

Velhas e novas formas de ameaças à liberdade de expressão
Por Bia Barbosa

Ao contrário do que afirma a grande imprensa, as ameaças à liberdade de expressão no país não vêm das iniciativas de regulação da mídia. No Brasil, é o sistema de concessões e renovação de outorgas de rádio e TV um dos principais mecanismos de concentração da propriedade da mídia e ausência da pluralidade de vozes nos meios de comunicação. Por outro lado, as verbas governamentais para publicidade se transformaram numa nova maneira de influenciar a cobertura dos veículos impressos.

Desde 2009, quando o tema da regulação e controle social da mídia ganhou espaço no debate público nacional com a realização da I Conferência Nacional de Comunicação, os grandes meios têm dedicado espaço considerável em suas páginas ou telejornais para bradar, sem cessar, que a liberdade de expressão está ameaçada no país. Foi esta a tônica da cobertura das resoluções da I Confecom; tem sido este um dos motivos para os ataques da imprensa ao Programa Nacional de Direitos Humanos; e foi este o discurso professado sem constrangimentos pelas entidades apoiadoras do Instituto Millenium, que recentemente realizou um seminário em São Paulo onde os donos da mídia garantiram que há censura estatal no Brasil.

No entanto, em um outro seminário, também realizado em São Paulo, esta semana, desta vez no Memorial da América Latina, o debate sobre liberdade de expressão ganhou outros contornos. E deixou claro que os limites e supostas ameaças a este direito fundamental em nosso país são de outra ordem e têm raízes muito mais profundas do que querem nos fazer crer os grandes empresários da comunicação.

Numa palestra elucidadora, o pesquisador e ex-professor da Universidade de Brasília, Venício Lima, apontou o sistema de concessões e renovação das outorgas de rádio e televisão como um lócus privilegiado para a manutenção de interesses privados – disfarçados de públicos –, que na prática caracteriza uma das maiores ameaças à liberdade de expressão no país. Segundo Lima, o funcionamento das concessões de radiodifusão no Brasil gerou um fenômeno agora conhecido por “coronelismo eletrônico”, só que em vez do controle da terra, como acontecia na República Velha, hoje é o controle dos meios de comunicação de massa que leva seus proprietários ao controle político de diferentes regiões do país.

“Não é novidade que os políticos locais tenham vínculos com a mídia, não apenas no nordeste. São governadores, deputados estaduais, senadores, que formam verdadeiras oligarquias regionais. Os nomes também são conhecidos: Sarney, Garibaldi, Collor, Magalhaes, Jereissati etc”, conta Venício Lima. “A moeda de troca continua sendo o voto, mas agora com base no controle da informação e na influência da opinião pública. A recompensa é antecipada aos coronéis pelas outorgas de rádio e TV, que depois são renovadas automaticamente”, explica.

Segundo o pesquisador, há uma série de normas e procedimentos legais das concessões que têm permitido e perpetuado essa situação, ameaçadora para a liberdade de expressão do conjunto da população brasileira. Uma delas, prevista na Constituição Federal, cria assimetrias em relação aos demais concessionários de serviços públicos. Ao contrário de outras áreas, onde o poder concedente pode cancelar contratos de concessão caso o serviço não esteja sendo cumprido a contento, na radiodifusão, para uma concessão não ser renovada são necessários dois quintos de votos nominais, ou seja, abertos, do Congresso Nacional.

“Diante do poder da mídia, é improvável que um processo de não renovação chegue a ser votado. Menos provável ainda que uma concessão não seja renovada por quem depende da televisão para sua sobrevivência política. Não há na história do Brasil um projeto de não renovação que tenha sido sequer apresentado no Congresso”, afirma. “Já o cancelamento de uma concessão durante sua vigência só ocorre com decisão judicial”, acrescenta.

Os critérios para definição dos concessionários de rádio e televisão também não têm relação com o que a legislação brasileira estabelece para o serviço de radiodifusão. Os princípios que devem orientar a programação das emissoras, por exemplo, previstos no Art.221 da Constituição, não são usados como critério. Tão pouco o respeito à complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação e à regra que proíbe o monopólio da mídia.

“Sem falar dos casos em que os próprios representantes do coronelismo eletrônico votam em benefício próprio. Como a Constituição compartilha entre o Executivo e o Congresso Nacional o poder de outorga, há casos de senadores e deputados votando na renovação de suas próprias concessões”, critica Venício Lima. “O resultado é a formação de um sistema de radiodifusão protagonizado pela concentração privada, e onde há uma clara assimetria na disputa eleitoral entre aqueles que usam as concessões em benefício próprio e aqueles que não têm acesso a este serviço público”, completa.

Independência editorial

Se por um lado o sistema de outorgas de rádio de TV historicamente tem contribuído para limitar a liberdade de expressão no país, o seminário no Memorial chamou a atenção para uma nova ferramenta que, de forma indireta, pode trazer conseqüências na linha editorial dos veículos, sobretudo dos impressos: a publicidade governamental.

Para o jornalista Eugênio Bucci, professor da Universidade de São Paulo e articulista do jornal O Estado de S.Paulo, a influência do poder político no funcionamento dos meios de comunicação através da publicidade oficial tem crescido nos últimos anos. Levantamento do Grupo de Mídia São Paulo, que faz uma avaliação anual do tamanho do mercado anunciante no Brasil, mostrou que em 2008 foram gastos R$ 23 bilhões em publicidade no país. O maior anunciante são das Casas Bahia, com R$ 3 bilhões. Somados, todos os governos municipais, estaduais e federal totalizaram R$ 2,7 bilhões. Somente o governo de São Paulo saltou de R$ 59 milhões de publicidade oficial em 2007 para R$ 158 milhões em 2008. Os Ministérios da Educação, do Turismo e da Saúde, juntos, gastaram R$ 628 milhões no mesmo ano.

“Por meio da verba governamental, interesses dos governos adquirem uma entrada privilegiada nas redações dos jornais, influenciando na pauta e minando a liberdade de imprensa. Tenho dúvidas sobre a necessidade e pertinência do Poder Executivo ser um anunciante tão grande”, questiona Bucci. “Na prática, os anúncios são a continuação da propaganda eleitoral fora do período de campanha. Não é à toa que são feitas pelas mesmas equipes, com a mesma linguagem”, acredita.

Com este tipo de política, na opinião do jornalista, abre-se espaço para um tipo de pressão do governo sobre jornais de porte médio ou pequeno, onde a presença do anúncio público pode representar a diferença entre a viabilidade econômica e a falência. “A força de pressão que o controlador da verba pública tem sobre essas publicações é imensa. Direta ou indiretamente as oligarquias que controlam as verbas públicas acabam interferindo na pauta desses jornais”, afirma.

Bucci admite que há uma chantagem mútua neste processo, onde muitos veículos também podem pressionar governos por mais anúncios em troca de uma cobertura favorável ou não às administrações públicas. “É um ecossistema. Este tipo de pressão existe de um lado e de outro e setores do mercado e do Estado se associam nesta simbiose”, diz.

Um caminho apontado no seminário para garantir a independência editorial dos veículos de pequeno e médio porte foi a criação de linhas de financiamento e fomento público para órgãos de comunicação, prática bastante difundida nos países europeus e também nos Estados Unidos e que ainda não se tornou realidade no Brasil.

A convidada internacional do seminário, a jornalista Liza Shepard, ombudsman da Rádio Pública Nacional (NPR) dos Estados Unidos, concordou. Com a crise econômica que atravessa o país e a queda nas vendas dos jornais impressos diante do boom da internet, pela primeira vez algumas empresas americanas privadas de comunicação começam a pensar em ajuda governamental.

“Vivemos um tempo de instabilidade e revolução na mídia. Se o governo ajuda a indústria bélica, automobilística, porque não pode fazer o mesmo com a indústria de notícias? É algo que ainda está em discussão”, conta.

Hoje, no entanto, a independência editorial da NPR é garantida em parte por sua forma de financiamento. Somente 2% dos 150 milhões de dólares de seu orçamento anual vêm do governo dos Estados Unidos. A NPR não é uma emissora, e sim uma produtora de conteúdo para rádios públicas que tira a maior parte de seu sustento da venda de programação para 900 emissoras em todo o país. Sua programação atinge 34 milhões de pessoas, das quais 10%, todos os anos, doam recursos para a sustentação das rádios.

“Pode o governo fazer parte do financiamento e não controlar nada editorialmente? Sim. É assim que funciona nos EUA. A NPR é um exemplo positivo de como uma mídia pública pode operar de forma independente de um governo”, conclui Liza.
Fonte: FNDC

Se gritar pega ladrão...



Presidente do TJ-DF rebate acusações de desvios

O clima de protesto deu o tom na posse do juiz Antoninho Lopes como novo desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, na última sexta-feira (9/4). O presidente da casa, Nívio Gonçalves, aproveitou a solenidade para contestar as notícias de suspeitas de fraudes no pagamento de salários do TJ-DF, no valor de R$ 65 milhões.

Auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que magistrados receberam gratificações irregulares e acumularam cargos no serviço público e servidores ganharam salários acima do teto.

O presidente do TJ destacou que o tribunal sempre cumpriu rigorosamente a Constituição Federal, as leis e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, inclusive na forma transparente de pagar os vencimentos e proventos dos seus magistrados e servidores.

Disse ainda que o tribunal "não pode se calar diante de notícias falsas e deturpadas da imprensa, quando afirma, irresponsavelmente, que no Tribunal de Justiça do Distrito Federal há fraude".(...)
Fonte: Conjur

Fica a singela pergunta: Será que ainda tem alguém honesto por lá?

segunda-feira, abril 12, 2010

Entre molhos e panelas


Talvez seja essa a charge mais apropriada para as experimentações do feriadão. Algumas com sucesso e outras nem tanto.

sexta-feira, abril 09, 2010

A frase da semana

A propaganda mais enganosa vem em forma de matéria jornalística.
@silviolach

Só o amor favorece



Presidente do TJ-RJ é suspeito de favorecimento

O Conselho Nacional de Justiça anulou, nesta terça-feira (6/4), o 41º Concurso Público para Admissão nas Atividades Notariais e/ou Registrais da Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, de 2007. O motivo para o anulação foi a suspeita de favorecimento de duas candidatas aprovadas na fase discursiva do certame. Ambas teriam ligações íntimas com o então presidente da comissão do concurso, desembargador Luiz Zveiter, atual presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O plenário encaminhou a decisão à Corregedoria Nacional da Justiça, que deve dar um prazo para que o TJ-RJ faça novo concurso.

O CNJ analisou o caso depois de receber reclamações de diversos candidatos inscritos no exame. Eles alegaram que Zveiter era namorado da candidata Flávia Mansur Fernandes, aprovada em 2º lugar no concurso. Outra candidata, Heloísa Estefan Prestes, também foi apontada pelo grupo como favorecida. Os candidatos alegaram que Heloísa não possui domínio da língua portuguesa nem do vocabulário jurídico, o que não corresponde ao resultado de seu desempenho no concurso.

O desembargador, que na época era corregedor-geral do TJ-RJ, também foi acusado de indicar Flávia e Heloísa para responderem pelo 2º Ofício de Notas de Niterói, em detrimento do substituto. Zveiter alegou que a designação de Heloísa ocorreu em razão de irregularidades no cartório. Disse que sua escolha era justificada pelos relevantes serviços por ela prestados nos Registros Civis das Pessoas Naturais das 3ª e 4ª Zonas do 1º Distrito de Niterói. O desembargador ainda informou que ela ficou responsável pelo 2º Ofício de Niterói até a finalização do 41º concurso.

Quanto ao seu namoro com Flávia, Zveiter confirmou. Mas disse que o relacionamento terminou no início de 2007, ano anterior ao concurso que aconteceu em novembro de 2008. Sobre a designação para substituta no Ofício de Notas, informou que a indicação foi do delegatário responsável.

“Uma das candidatas favorecidas é namorada ou ex-namorada do corregedor-geral e presidente da comissão do concurso. A outra é amiga do corregedor-geral e foi beneficiária de diversas indicações anteriores para responder por rentáveis serventias extrajudiciais e para integrar comissões instituídas pela Corregedoria”, concluiu o conselheiro José Adonis Callou de Araújo Sá, relator do Processo de Controle Aadministrativo. Em seu voto, o relator pontuou a “existência de muitas evidências de parcialidade da comissão examinadora”.

O relator enumerou diversos erros gramaticais cometidos pela candidata Heloisa e comparou as respostas e pontuação de Flávia com a de outros concorrentes. “A convicção a que cheguei, fundada em muitas evidências de quebra da isonomia, com o favorecimento às candidatas mencionadas, não me permite propor outra solução para o caso senão a anulação de todo o concurso”, afirmou o conselheiro.

Para o conselheiro é “incompatível com os princípios da moralidade e da impessoalidade a participação do corregedor-geral de Justiça como presidente da comissão examinadora de concurso do qual participe como candidata a sua namorada ou ex-namorada”.

Em nota, Zveiter alegou que não houve violação aos princípios constitucionais "especialmente os da moralidade e impessoalidade no aludido certame". O desembargador informou que adotará as medidas legais cabíveis para que a verdade dos fatos seja restabelecida. (...)
Fonte: Conjur

Ainda sobre o finado diploma



Comissão da PEC do diploma ainda aguarda indicações para ser instalada

Por Izabela Vasconcelos, de São Paulo

A Comissão Especial que analisará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restabelece o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão foi criada há mais de um mês. Entretanto, ainda aguarda indicações para ser instalada. Até o momento, PPS, DEM e PSDB não enviaram todos os nomes que devem compor a Comissão. Segundo a deputada federal, Rebecca Garcia (PP-AM), este é o único empecilho na tramitação da matéria.

"Mandamos cartas para os partidos pedindo urgência nas indicações. Nosso trabalho no momento é esse. Também sugerimos aos sindicatos que pressionem os partidos pela urgência na instalação da Comissão", explicou a deputada, que instalou a Frente Parlamentar da Câmara em defesa do diploma.

Para que os trabalhos sejam iniciados, a Comissão deverá contar com 18 deputados titulares e 18 suplentes. Ainda restam oito vagas como titulares e 11 como suplentes em aberto. Apesar de ser o autor da PEC, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) foi indicado pelo partido como suplente na Comissão.

A comissão vai avaliar o mérito da proposta. Caso seja aprovada, a PEC irá para votação em Plenário.
Fonte: Comunique-se

Cova rasa


Ação que contesta Lei da Anistia deve ser julgada na próxima quarta-feira (14)

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 153, que contesta a Lei nº 6.683/1979 – a Lei da Anistia –, deve ser julgada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na sessão da próxima quarta-feira (14). A norma, que completou 30 anos em agosto de 2009, é questionada na Suprema Corte por meio desta ADPF, ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e que está sob a relatoria do ministro Eros Grau.

Na ação, a OAB contesta o artigo 1º da Lei da Anistia, defendendo uma interpretação mais clara quanto ao que foi considerado como perdão aos crimes conexos “de qualquer natureza” quando relacionados aos crimes políticos ou praticados por motivação política.

Segundo a Ordem, a lei “estende a anistia a classes absolutamente indefinidas de crime” e, nesse contexto, a anistia não deveria alcançar os autores de crimes comuns praticados por agentes públicos acusados de homicídio, abuso de autoridade, lesões corporais, desaparecimento forçado, estupro e atentado violento ao pudor, contra opositores ao regime político da época.

Pareceres

Em fevereiro deste ano, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou ao gabinete do relator, ministro Eros Grau, parecer pela improcedência da ação sobre a Lei da Anistia. De acordo com o parecer da PGR, a lei resultou de um longo debate nacional, com a participação de diversos setores da sociedade civil, inclusive da OAB.

Nesse sentido, a ADPF estaria propondo a desconstituição da anistia como foi concebida no final da década de 70, o que poderia significar um rompimento com o compromisso feito naquele contexto histórico.

A Advocacia Geral da União (AGU) também já se posicionou contrariamente à ação da OAB, mas por não compreender o sentido de o questionamento ser feito no Supremo por meio de ADPF. Segundo a AGU, não haveria uma verdadeira controvérsia judicial sobre o assunto atualmente.

A AGU também defende que a própria Constituição Federal de 1988 reforça o caráter amplo e irrestrito da anistia ao qual se refere a Lei 6.683/1979. Sustenta ainda que, mesmo com a revisão da Lei da Anistia, já não haveria punibilidade possível por prescrição da prática dos crimes.

Lei da Anistia

No dia 28 de agosto de 1979, a chamada Lei da Anistia completou 30 anos. Foi o primeiro passo para garantir o retorno da paz necessária à redemocratização no país depois de anos de ditadura militar no país, responsável por cassar direitos e garantias fundamentais dos cidadãos brasileiros.

Logo após a promulgação da Lei, foram anistiados todos os que, de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos, de motivação política e crimes eleitorais, alcançando aqueles que tiveram seus direitos políticos suspensos, servidores públicos, militares e dirigentes e representantes sindicais punidos com fundamento nos atos institucionais e complementares do regime militar. Não foram contemplados com a anistia os condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal.
Fonte: STF

quarta-feira, abril 07, 2010

Um novo tempo

A correria começou e está um pouco difícil manter as atualizações, mas vou me manter firme.

Comemorar o quê?



No Dia do Jornalista, Fenaj pressiona políticos pela aprovação das PECs

Por Izabela Vasconcelos

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) prepara manifestações para marcar o dia do Jornalista, celebrado nesta quarta-feira (07/04). A entidade definiu com os sindicatos, reunidos no Conselho da Entidade, dia 27/03, a agenda de atividades, que tem como objetivo a aprovação das Propostas de Emenda Constitucional (PECs), que tramitam na Câmara e no Senado, em favor da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

“Todos os sindicatos estão preparando atividades. O eixo disso é a nossa luta pela exigência de diploma para atuar como jornalista. Estamos organizando manifestações junto ao Parlamento, Assembleias, junto aos deputados”, explicou Celso Schröder, vice-presidente da Fenaj.

De acordo com Schröder, a ideia da entidade é chamar a atenção para o debate sobre a profissão. “O dia vai ser lembrado pela reinvidicação da categoria. Existe um silêncio da grande mídia sobre esse assunto. A ideia é construir esse debate via imprensa alternativa e furar um pouco isso, além de dar ritmo aos nossos trabalhos na tramitação das PECs”.

No sindicato de Brasília, por exemplo, as atividades se concentrarão no Congresso Nacional, pela aprovação das PECs. Do outro lado da polêmica que envolve o diploma, o sindicato dos jornalistas de Santa Catarina realizará um seminário para debater a filiação de jornalistas sem formação superior específica.
Fonte: Comunique-se

Quando a gente acha que já viu de tudo...



Apresentador de programa policial ameaça, no ar, estudante de Jornalismo no PR

Por Eduardo Neco

Um trabalho de faculdade de um aluno do 2º ano do curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná, provocou uma reação inesperada e controversa do apresentador do programa "RP2", exibido pelo canal pago local, batizado de TV Vila Velha.

A atração, de linguagem e conteúdo policial, é apresentada por Zeca, e foi alvo de críticas do estudante em um artigo escrito para a disciplina "Crítica de Mídia". O texto, publicado no blog do curso, chegou ao conhecimento do apresentador, que tomou a iniciativa de ler seu conteúdo no ar.

Entre a leitura das considerações do estudante, Zeca fez diversas ameaças e xingamentos. "Seu filho de uma égua, tua mãe fica comendo capim por aí, seu vagabundo", vociferou. "O que eu vou fazer e falar, você ainda não viu", acrescentou o apresentador, fazendo menção a uma frase do aluno sobre o linguajar utilizado pela atração.

O vídeo com as ameaças foi enviado à jornalista Rosana Herman por uma leitora de sua página pessoal. Durante vinte minutos de seu programa, o apresentador tenta intimidar o estudante e mantém as ofensas. "Quando eu te pegar,se eu te pegar, você tá f... Se acontecer alguma coisa com você até amanhã, fui eu que te peguei", diz.

Referindo-se ao sensacionalismo e linguajar chulo sublinhados pelo estudante em seu artigo, o apresentador declara: "É, tua mãe que aparece aqui de vez em quando". O aluno registrou boletim de ocorrência contra o apresentador.

"Me excedi"

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Zeca declarou ter, de fato, reagido às considerações do estudante de forma enérgica, mas por sentir-se ofendido. "Me excedi nos comentários, na hora me senti muito ofendido e falei o que veio à cabeça", explicou. "Me parece uma coisa pessoal. Não sei o que aconteceu, e se aconteceu, alguma coisa com a família desse garoto, mas virou pessoal", avaliou o apresentador.

"Estou no ar há trinta anos, ele é um estudante e vem me ofender daquela maneira?", indagou. Ele disse, ainda, não ter decidido se moverá algum tipo de ação contra o aluno.

O apresentador afirmou que alunos da universidade chegaram a requisitar à direção da emissora que o programa seja retirado do ar e ele - "há 12 anos na casa" - demitido. Ele planeja uma reportagem especial para "mostrar o que é a Universidade Estadual de Ponta Grossa".
Fonte: FNDC

terça-feira, abril 06, 2010

Entre anjos e demônios

Pede pra sair!

Militar acusado de homicídio por entregar jovem à comunidade rival no Rio pede liberdade ao Supremo

Chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de Habeas Corpus (HC 103303) em favor do 2º Tenente V.G.M.A., preso no 1º Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, acusado pela suposta prática de um homicídio triplamente qualificado, em episódio que ficou conhecido como “caso da providência”. A defesa pede a libertação do militar, alegando que não existem motivos legais para manutenção de sua prisão cautelar. O relator do processo é o ministro Ayres Britto.

O tenente está preso desde junho de 2008. Para o advogado, a demora em seu julgamento já teria caracterizado sua custódia numa espécie de pena antecipada. A defesa afirma que a justiça militar já concedeu liberdade ao tenente pelos delitos de natureza militar, mas a prisão preventiva, decretada pela 7ª Vara Federal Criminal, foi mantida pelo Tribunal Regional Federal. Segundo o defensor, dos onze militares denunciados apenas dois continuam com a prisão preventiva mantida, entre eles V.G.

A defesa diz que seu cliente é réu primário, possui bons antecedentes, e que não teria como ameaçar testemunhas pelo simples motivo de que elas já depuseram. Assegura ainda que seu cliente não pretende fugir – o que seria considerado crime de deserção – e afirma, por fim, que os “reais executores do crime imputado ao paciente não foram presos, como é fato notório na cidade do Rio de Janeiro”.

O advogado pede a concessão de liminar para determinar a revogação da prisão cautelar de V.G., decretada em junto de 2008, detenção que “já se tornou desnecessária, não existindo motivos legais nos autos para sua manutenção, que já se tornou uma pena extremamente cruel ao jovem oficial”. E no mérito, a confirmação da medida liminar.
Fonte: STF

Equívoco ou proposital?

A lamentável reportagem da Revista Veja sobre a morte de Glauco

Beatriz Caiuby Labate*

Lamentável a reportagem “Alucinação Assassina”, da Revista Veja (ed. 2157, de 24/03/2010, disponível em: http://veja.abril.com.br/240310/alucinacao-assassina-p-066.shtml) sobre a morte do cartunista Glauco. A revista não faz cerimônia em aproveitar o infortúnio para retomar a sua linha editorial adotada há mais de duas décadas, que visa ridicularizar o uso da ayahuasca e proibir o seu consumo em nosso país. Eis os equívocos:

1. A Comissão Internacional de Controle de Narcóticos das Nações Unidas afirma que a ayahuasca não pode ser entendida como substância listada pela Convenção de 1971 da ONU;

2. O Brasil é signatário da Convenção da ONU, que em seu artigo 32 reconhece o direito de uso religioso de determinadas substâncias em contextos religiosos e tradicionais;

3. A lei de drogas (11.343), de 23 de agosto de 2006, também prevê que determinadas substâncias utilizadas em contextos religiosos sejam excluídas das listas de substâncias proscritas;

4. O uso ritual e religioso da ayahuasca é reconhecido em vários países do mundo, como Estados Unidos, Holanda, Canadá e outros;

5. Até o momento não há laudo médico que indique que Cadu- o assassino de Glauco- seja esquizofrénico. Recordemo-nos que no começo da cobertura sobre o caso, os familiares de Cadu não sugeriram isto;

6. Poder-se-ia, no máximo, sugerir que um quadro de graves problemas psiquiátricos (casos de esquizofrenia na família, família desestruturada e uso abusivo de drogas) eventualmente teria sido agravado pelo consumo da ayahuasca. Mesmo assim, trata-se de especulação, uma vez que não se conhece ao certo os detalhes sobre a vida do assassino e sua relação com o Santo Daime;

7. Não há evidências que Cadu não tenha sido afastado da igreja Céu de Maria, além das declarações do pai;

8. São feitas acusações a uma pessoa morta (Glauco), e não aparece a versão dos integrantes do Céu de Maria sobre os fatos;

9. Não há reflexão crítica sobre a estratégia de defesa do acusado, declarada explicitamente pelo advogado de que seria “culpabilizar” o Daime;

10. Não foi feita nenhuma pesquisa para que se afirme que “em apenas em algumas igrejas se pergunta ao interessado se ele tem problemas psíquicos”;

11. O Céu de Maria não possui 11 mil adeptos e sim no máximo duas ou três centenas;

12. A Associação Brasileira de Psiquiatria emitiu um parecer sobre o uso da ayahuasca, e não se “manifestou contra a liberação do chá”;

13. Não existe fundamento para se afirmar que os usos contemporâneos da ayahuasca sejam "para ficar viajandão";

14. O texto reifica estereótipos culturais bastante negativos ao se referir à ayahuasca como “alucinógeno” e ao movimento religioso como “seita”;

15. É falta de respeito e preconceito afirmar que os grupos ayahuasqueiros são reuniões de pessoas para “consumir regularmente DMT”. A ayahuasca neste contexto é um sacramento. As religiões são bona fide, e estão ligadas à história da Amazônia. São reconhecidas pelo governo brasileiro desde meados da década de 1980.

A Veja, assim como boa parte da mídia, culpabiliza levianamente o consumo da ayahuasca pelo crime, e deixa de discutir os reais problemas levantados por este caso, como o do tráfico de drogas e tráfico de armas no Brasil, a violência urbana, a falta de atendimento para dependentes de drogas e os desafios associados ao tratamento de doenças psiquiátricas.

No âmbito da discussão sobre o uso da ayahuasca, a morte de Glauco e Raoni certamente exige uma reflexão – o que é saudável. Paradoxalmente, é possível que surjam, a partir de agora, mais verbas para pesquisar este importante fenômeno.

Este episódio deve ser e será criticamente incorporado ao contínuo processo de regulamentação destas religiões nos últimos 25 anos. Mas a discussão deve respeitar a liberdade religiosa e o direito à diversidade cultural, ficar longe das disputas religiosas, do jogo de acusações, e dos discursos demonizantes que frequentemente pautam o debate público sobre as drogas.

* é antropóloga (http://bialabate.net), Pesquisadora Associada do Instituto de Psicologia Médica da Universidade de Heidelberg, na Alemanha
Fonte: FNDC

segunda-feira, abril 05, 2010

Bernard Hermann



Em se tratando de compositores de trilhas sonoras, sempre me perguntei se existe ou existiu alguém que se dava ao luxo de escolher com qual diretor gostaria de trabalhar e ainda por cima não cedia às exigências dos tresloucados de Hollywood. Este alguém existiu e se chamava Bernard Hermann.
Hermann trabalhou com gente do calibre de Alfred Hitchcock ( com quem fez uma parceria genial e tinha uma relação de amor e ódio), Brian de Palma, Orson Welles, Martin Scorsese, François Truffaut e uma porrada de outras feras do cinema. Apesar de trabalhar com essas estrelas, Hermann tinha a seguinte filosofia: “Eu tenho a palavra final ou eu não faço a música. A razão para insistir sobre isso é simples: comparado a Orson Welles , um homem de grande cultura musical, a maioria dos outros diretores são apenas criancinhas na floresta e se você fosse seguir o seu gosto, a música seria terrível”.
O novaiorquino Hermann tinha moral para dizer isso. Aos treze anos decidiu concentrar-se na música, e foi para New York University , onde estudou com Percy Grainger e Philip James, ingressando posteriormente na Juilliard School. Com vinte anos formou sua própria orquestra, The New Chamber Orchestra of New York .
Em 1934, ingressou na Columbia Broadcasting System ( CBS ) tornou-se mais tarde regente da Orquestra Sinfônica CBS . Foi na CBS que teve contato com Orson Welles o que rendeu uma parceria de sucesso nas novelas radiofônicas e migrando posteriormente para o cinema. Criou as trilhas sonoras de Cidadão Kane (1941) e Soberba (1942) e O Diabo e Daniel Webster (1941), pelo qual ganhou seu único Oscar . Fez muitos trabalhos para TV, tendo como destaque a música de Twilight Zone, que aqui no Brasil ficou conhecido com “Além da imaginação”.
Foi em 1955 que teve início a parceria com Hitchcock, assinando todas as trilhas sonoras de seus filmes. Essa parceria foi até a década de 60 quando os dois se desentenderam, pois Hitchcock achava que a música de Hermann ficara um tanto “antiquada” e solicitou mudanças na trilha sonora do filme Torn Curtain. Hermann é claro, não gostou, mas aparentemente teria acatado o desejo do diretor, comprometendo-se a fazer o que havia sido pedido. Entretanto, fez uma trilha sonora de acordo com suas próprias idéias e ainda por cima disse coisas não muito agradáveis aos ouvidos do cineasta. O velho Hitch não gostou e tornou-se seu desafeto. Sabe-se que Hitchcock levou essa rusga para o túmulo, pois nunca perdoou Hermann.
Hermann morreu em 1976, não sem antes desfrutar de outro sucesso envolvendo a trilha sonora do filme Taxi Driver, de Brian de Palma. Abaixo um playlist com alguns de seus sucessos.

domingo, abril 04, 2010

Quando ler se torna o pior prazer



Há algumas semanas venho perdendo o prazer de ler jornais. Nunca pensei que diria isto, ainda mais sendo jornalista – acho que ainda sou - mas o fato é que o nível está sofrível. Não faz muito tempo, eu ia à banca próxima a minha casa e trazia um exemplar de A Tribuna, outro de A Gazeta (ambos hebdomadários capixabas) e o famoso Jornal do Brasil, ou simplesmente o velho e bom JB. Às vezes eu comprava também a Folha de São Paulo, e ficava passando boa parte da manhã lendo e comentando sobre as principais notícias, inovações dentro dos jornais, opinião dos colunistas, e tudo mais que cercava o universo do chamado pseudo-quarto poder.
Uma mudança envolvendo a distribuição dos jornais de fora do Estado fez com que a maioria das bancas, especialmente as que se localizam em bairros mais distantes, não recebessem mais publicações de outros centros como Rio de Janeiro e São Paulo. A comercialização ficou restrita a algumas bancas em bairros mais nobres e assinaturas. Resultado: ficamos refém da imprensa capixaba!
Sim, a imprensa capixaba! Aquela que conseguiu irritar Helio Gaspari, que passou vergonha no episódio das celas metálicas do governo estadual, que estampa como foto de capa o time do Flamengo, dia sim e o outro também. Essa mesma, governista até o último papel impresso.
É claro que os interesses empresariais sempre marcaram a linha editorial de qualquer jornal que se diz membro da grande imprensa. O problema é que no caso dos hebdomadários capixabas a coisa está rasteira. Não há preocupação nem em disfarçar. Atrevo-me a dizer que beira a desinformação de tão parcial que é a coisa, seja para beneficiar o governo estadual, seja para empresários ou contra qualquer movimento de oposição ao status quo.
Mas o que chama atenção mesmo é o nível sofrível dos textos e as pautas no mínimo esdrúxulas que são colocadas nas publicações. Assuntos que se não chegam ao óbvio, alcançam o ridículo. Lembro do período em que era repórter de uma rádio local e, numa coletiva de imprensa, uma repórter do maior jornal de circulação do Estado chegou a comentar que sentia vergonha de cobrir determinados assuntos.
Acha que estou exagerando? É só pegar como exemplo o Caderno de Domingo do JB e comparar com os similares dos dois maiores jornais capixabas. A diferença é tão nítida a ponto de percebermos que a equipe do JB consegue trabalhar assuntos do cotidiano, alguns considerados fúteis, de uma forma bem interessante. Coisa que as publicações daqui sequer conseguem chegar próximo.
Até mesmo a análise política nacional e local parece ter sido deixada de lado nos hebdomadários capixabas. Noto um certo superficialismo, algo como receber o release e escrever a matéria. Nesse campo, uma rara excessão é o site Século Diário, que vem distoando da mídia impressa e fazendo algo de qualidade. Será este um indício sobre o tão propagado fim dos jornais impressos?
Sinceramente não sei, mas a continuar esse (baixo) nível editorial, vou fazer uma assinatura on line do JB ou da Folha de São Paulo e comprar jornal apenas no domingo, escolhendo entre as duas opções locais. E olhe lá se não mudo de idéia e não escolho nenhum!

sábado, abril 03, 2010

Pisando em ovos



Qual foi a minha surpresa ao ler no jornal de hoje o imbróglio referente a recusa dos jogadores do Santos em entrar numa casa espírita para distribuir ovos de Páscoa para pessoas carentes. E o pior de tudo: a iniciativa parece que partiu dos mais jovens como Neymar e Paulo Henrique Ganso.
Além do gesto de fanatismo religioso, pois quem se recusou parece ser evangélico da turma dos atletas de cristo, o que impreciona é o envolvimento dos jovens no episódio.
De uns anos pra cá, vem se acentuando na Terra Brasilis a intolerância religiosa para com o próximo, promovida na maior parte das vezes por evangélicos pentecostais e neo-pentecostais, mostrando um sentimento de repulsa até então inexistente entre a população.
Qual seria a problema em distribuir ovos de páscoa num centro espírita? Será que os jogadores acham que irá baixar algo neles? Onde está aquele sentimento cristão, que versa sobre amor ao próximo, tolerância, caridade, respeito? Parece que ficou só no discurso envolvendo vitória sobre os adversários e na hipocrisia contida dentro dos discursos de humildade e união do time.
Desse lamentável episódio fica o seguinte pensamento: Será que somos tão diferentes assim dos muçulmanos?

A dor de cabeça que um picareta pode lhe proporcionar



O título explica um pouco o porquê de não estar atualizando o blog nos úlitmos dias. Em certos momentos da nossa vida, cruzamos com seres que realmente desejaríamos não ter conhecido, ante a dor de cabeça que nos proporciona.
Caso em tela: Meu computador pegou vírus! Ora, e quem não pegou? Assumo, minha máquina contraiu vírus e pronto! Instalei essa porcaria de AVG que é o equivalente a uma camisinha furada no mundo da informática e deu no que deu.
A solução foi então procurar uma pessoa que fizesse o trabalho de “limpesa” do computador, já que o desempenho estava pífio. Tentando me livrar da dependência do meu cunhado – que trabalhou muito tempo com isso – pedi informação a um professor de um curso preparatório para concurso que estou fazendo. Como o cara sabe bastante e é analista de informática, pedi que me indicasse alguém e ele de bate-pronto indicou seu estagiário. Confiei cegamente e chamei o mesmo para fazer o serviço, acredidando na qualidade e na idoneidade de quem é aluno do Centro Tecnológico da Ufes.
Para começar o cara disse que teria que formatar o HD, ou seja, perderia todos os programas e seria feito um backup dos arquivos principais. Até aí sabia que seria assim, pois tal como um adolecente que vai na “zona’ e pega gonorréia, o tratamento é doloroso, e extirpar esse vírus do meu computador não iria ser fácil. Era o preço a pagar, além do cem reais que ira desembolsar.
O sujeito – o protótipo garotão universitário – ficou horas em frente do computador e só depois perguntou do famoso CD de instalação da placa-mãe. Eu e minha esposa reviramos toda casa, encontramos uma porrada de CDs e nenhum era compatível - segundo o expert em informática. Como o telefone do sujeito tocava sem parar e o mesmo atendia dizendo que já estava acabando, notei uma certa impaciência por parte dele, com aquele ar de “tenho-que-ir-pro-rock-e-você-está-atrasando-o-lado”. Até aí tudo bem, pois era feriado e o combinado era limpar o vírus, sendo que o CD da placa-mãe deveria ser por minha conta. O garotão nerd foi-se dizendo que voltaria no dia seguinte com um CD contendo mais de cinquanta mil programas compatíveis com placa-mãe. É claro que não o paguei, pois queria ver o serviço pronto.
Fiquei meio preocupado já que minha esposa está fazendo um curso on line e isso certamente iria atrapalha-la. Qual foi a minha surpresa quando o distinto me ligou a tarde, perguntado se dava para resolver o assunto no mesmo dia.
Ele veio, colocou a porra do tal CD e nenhum programa foi compatível. Daí então comecei a ficar preocupado. Minha esposa começou a ficar desesperada e eu me lamentado por ter aquela infeliz idéia de mexer no computador, chamar o cara e não ter resolvido.
Daí então, o universitário disse que precisaria saber qual era a placa de vídeo, de som e o cacete a quatro, para poder baixar o programa na internet. Graças a Deus ainda tenho a nota de compra guardada e apresentei-a ao suposto “expert”, o que não foi suficente já que o mesmo cogitou em abrir o computador. Comecei então a me desvencilhar da culpa e desconfiar do cara.
Minha desconfiança ficou maior quando olhei a configuração da nota de compra e comparei com um dos CDs que entreguei ao cara para verificar se era da placa-mãe. O referido CD dava todas as indicações que era o tal que era necessário.
Mesmo assim acreditei que poderia estar enganado e deixei o cara prosseguir. Ele disse que teria que ir e deixou baixando um programa referente a placa de vídeo. Alegou desconhecer qual era o programa compatível com a placa de som. Por fim disse que eu deveria ir na loja onde comprei o computador para ver se conseguia uma cópia do tal CD de instalação e que, caso houvesse problema, ligasse para ele. Dei o dinheiro, com um sentimento mixto de desânimo e desconfiança, olhando para a face da minha esposa desesperada.
No outro dia meu cunhado apareceu para resolver o problema. E não é que o cara tinha colocado o CD correto e não conseguiu fazer! Pior: ele deixou da fazer outras coisas!
Bom, como estou numa fase de retorno ao Kardescismo, tento não me deixar levar por questiúnculas e mazelas, focando sempre no perdão e no amor. Mas, com esse cara, não deu! Por algumas horas,meu lado kardescista deu lugar a um dos instintos mais baixos que um ser humano pode ter e, além dos xingamentos proferidos durante alguns momentos de ódio, liguei reiteradas vezes para o pilantra até que atendesse. Disparei uma metralhadora contra ele, a ponto do mesmo não conseguir nem argumentar e ainda ameacei a queima-lo com o cara que me indicou. É lógico, terminei mando-o tomar no lugar apropriado a aquela ocasião.
A situação serve para ilustrar o quanto uma pessoa que se diz profissional, pode ser picareta e proporcionar-lhe uma dor de cabeça desconal.

A dor de cabeça que um picareta pode lhe proporcionar



O título explica um pouco o porquê de não estar atualizando o blog nos úlitmos dias. Em certos momentos da nossa vida, cruzamos com seres que realmente desejaríamos não ter conhecido, ante a dor de cabeço que nos proporciona.
Caso em tela: meu computador pegou vírus! Ora, e quem não pegou? Assumo, minha máquina contraiu vírus e pronto! Instalei essa porcaria de AVG que é o equivalente a uma camisinha furada no mundo da informática e deu no que deu.
A solução foi então procurar uma pessoa que fizesse o trabalho de “limpesa” do computador, já que o desemprenho estava pífio. Tentando me livrar da dependência do meu cunhado – que trabalhou muito tempo com isso – pedi informação a um professor de um curso preparatório para concurso que estou fazendo. Como o cara sabe bastante e é analista de informática, pedi que me indicasse alguém e ele de bate-pronto indicou seu estagiário. Confiei cegamente e chamei o mesmo para fazer o serviço, acredidando na qualidade e na idoneidade de quem é aluno do Centro Tecnológico da Ufes.
Para começar o cara disse que teria que formatar o HD, ou seja, perderia todos os programas e seria feito um backup dos arquivos principais. Até aí sabia que seria assim pois sabia que, tal como um adolecente que vai na “zona’ e pega gonorréia e o tratamento é doloroso, extirpar esse vírus do meu computador não iria ser fácil. Era o preço a pagar, além do cem reais que ira desembolsar.
O sujeito – o protótipo garotão universitário – ficou a frente do computador mais de uma hora e só depois perguntou do famoso CD de instalação da placa-mãe. Eu e minha esposa reviramos toda casa, encontramos uma porrada de CDs e nenhum era compatível. Como o telefone do sujeito tocava sem parar e o mesmo atendia dizendo que já estava acabando, notei uma certa impaciência por parte dele, com aquele ar de “tenho-que-ir-pro-rock-e-você-está-atrasando-o-lado”. Até aí tudo bem, pois era feriado e o combinado era limpar o vírus e o CD da placa-mãe deveria ser por minha conta. O garotão nerd foi-se dizendo que voltaria no dia seguinte com um CD contendo mais de cinquante mil programas compatíveis com placa-mãe. É claro que não o paguei, pois queria ver o serviço pronto.
Fiquei meio preocupado já que minha esposa está fazendo um curso on line e isso certamente iria atrapalha-la. Qual foi a minha surpresa quando o distinto me ligou a tarde perguntado se dava para resolver o assunto no mesmo dia.
Ele veio, colocou a porra do tal CD e nenhum programa foi compatível. Daí então comecei a ficar preocupado. Minha esposa começou a ficar desesperada e eu me lamentado por ter aquela infeliz idéia de mexer no computador, chamar o cara e não ter resolvido.
Daí então, o universitário disse que precisaria saber qual era a placa de vídeo, de som e o caceta a quatro, para poder baixar o programa na internet. Graças a Deus ainda tenho a nota de compra guardada e apresentei-a ao suposto “expert”, o que não foi suficente já que o mesmo cogitou em abrir o computador. Comecei então a me desevencilhar da culpa e desconfiar do cara.
Minha desconfiança ficou maior quando olhei a configuração da nota de compra e comparei com um dos CDs que entreguei ao cara para verificar se era da placa-mãe. O referido CD dava todas as indicações que era.
Mesmo assim acreditei que poderia estar enganado e deixei o cara prosseguir. Ele deixou baixando um programa referente a placa de vídeo e disse desconhecer qual era o programa compatível com a placa de som. Por fim disse que eu deveria ir na loja que comprei para ver se conseguia uma cópia do tal CD de instalação e que qualquer coisa, ligasse para ele. Dei o dinheiro, com mixto de desânimo e desconfiança, olhando a minha esposa desesperada.
No outro dia meu cunhado apareceu para resolver o problema. E não é que o cara tinha colocado o CD correto e não conseguiu fazer! Pior: ele deixou da fazer outras coisas!
Bom, como estou numa fase de retorno ao Kardescismo, tento não me deixar levar por questiúnculas e mazelas, focando sempre no perdão e no amor. Mas, com esse cara, não deu! Por algumas horas,meu lado kardescista deu lugar a um dos instintos mais baixos que um ser humano pode ter e, além dos xingamentos, liguei reiteradas vezes para o pilantra até que atendesse. Disparei uma metralhadora contra ele, a ponto do mesmo não conseguir nem argumentar e ainda ameacei a queima-lo com o cara que me indicou. É lógico, terminei mando-o tomar no lugar apropriado a ocosião.
A situação serve para ilustrar o quanto uma pessoa que se diz profissional, pode ser picareta e proporcionar-lhe uma dor de cabeça desconal.

Lembranças de uma eleição que não acabou

Collor x Lula: o que a Globo não contou sobre Armando Nogueira
Por Paulo Henrique Amorim

O que a Globo não contou sobre o Armando Nogueira é por que o mandou embora. Roberto Marinho era menos esperto do que se diz. Na sucessão do Governo Sarney – que ele co-presidiu – Roberto Marinho ficou vendido: não sabia quem apoiar. Apoiou Quércia, Covas, namorou o Afif e só foi apoiar o Collor depois que o Collor estava na frente das pesquisas.

O Collor jamais se esqueceu disso. E o Roberto Marinho sabia que o Collor não esqueceria isso. Desde o início da campanha, Collor construiu uma ponte com Alberico de Souza Cruz, que Armando tinha nomeado vice para cuidar dos jornais das praças. Woile Guimarães – de caráter de outra estirpe – cuidava dos jornais de rede. Alberico ajudou a vestir em Collor o manto púrpura do “caçador de marajás”.

(A Veja não deixava o manto arrastar no chão.)

Em Nova York, num intervalo de uma Assembleia Geral da ONU, Collor me contou que a ponte dele com a Globo sempre foi o Alberico. O Dr Roberto se sentiu desamparado. Estava mal acostumado com o Sarney. No Sarney, o Mailson da Nóbrega só foi nomeado Ministro da Fazenda depois que o Dr Roberto assentiu.

Aí, veio o debate que decidiu o segundo turno, Collor vs Lula. E a edição do jornal nacional foi uma patranha só. A edição do debate – em que a Globo, por instrução do Roberto Marinho, selecionou “tudo o que era bom para o Collor” e “tudo o que era ruim para o Lula” ; uma pesquisa por telefone (quando não havia telefone no Brasil); e um editorial do Alexandre Garcia que queria dizer assim: se o Collor ganhou o debate, isso é a democracia. Logo, vá lá domingo e vote no Collor para realizar a democracia.

Na CartaCapital – em dezembro de 1999 – e em meu livro Plim-Plim, A Peleja de Brizola contra a Fraude Eleitoral, já contei o que eu vi e ouvi, naquele dia da edição do debate.


“(Mario Sergio) Conti errou na ida e na volta. Errou na volta, porque, na volta de Collor à planície, a reportagem decisiva foi a da IstoÉ com o motorista Eriberto França – e isso não ficou claro no (livro) Notícias do Planalto (da editora Companhia das Letras)..

Errou na ida, porque na ida de Collor ao poder, o episódio decisivo foi a edição do debate entre Collor e Lula, feita no Jornal Nacional. E Notícias descreve esse episódio de forma superficial, que atenua a responsabilidade de Roberto Marinho e de Alberico Souza Cruz, diretor dos jornais em rede a Globo.

Só isso explica O Globo de 27 de novembro [de 1999] dedicar ao livro (de Conti) três páginas no primeiro caderno. Como se sabe, O Globo não recebia um lançamento editorial com tanto entusiasmo desde a Epístola aos Romanos.

Sobre o episódio da volta, quando Conti dirigia a Veja, a revista concorrente de IstoÉ, o livro Imprensa e Poder: Ligações Perigosas, de Emiliano José, é mais completo do que Notícias.

Vou tratar da ida.

Então, dezembro de 1989, eu era editor de economia da Rede Globo. Na sexta- feira, dia 15, ao chegar à redação, percebi que uma tempestade se formava. Conversei com o Ronald Carvalho, editor de política. Com Wianey Pinheiro, responsável pela cobertura das eleições e também responsável pela edição do debate que o jornal Hoje, ao meio-dia, tinha exibido. Zanzei pela redação e ilhas de edição e soube:

• O dr. Roberto não gostou da edição de Hoje e mandou o Jornal Nacional dar tudo o que fosse bom para o Collor, e tudo o que fosse mau para o Lula.

• O Alberico mandou o Ronald editar como se fosse a luta em que o Mike Thyson destroçou o pobre coitado do Pinkle Thomas, dias antes transmitida pela Globo.

Isso, o que eu ouvi.

Agora, o que eu vi.

Vi por ali, como se fosse um dos nossos, o Daniel Tourinho, presidente do PRN, o partido do Collor.

Vi o Alberico na ilha (de edição). Não importa se ele disser que não editou.

Como todos os profissionais da Globo sabiam, o Alberico não tinha idéia do que fazer numa ilha de edição. Ele se sentia tão à vontade ali quanto no hall de entrada do Louvre.

Imediatamente após o Jornal Nacional, liguei para o Ronald e perguntei – não me lembro exatamente das palavras – ‘como é que você fez uma coisa dessas?’
Ele respondeu que decidiu exagerar, forçar a mão, para o espectador perceber que se tratava de uma manipulação.

Depois da publicação de Notícias, o Ronald me contou também que, logo após o Jornal Nacional, recebeu um telefonema do dr. Roberto para dizer que, daí para frente, era assim que queria a cobertura política.

Conti tem quatro explicações para o que aconteceu: 1. ‘O único critério objetivo’ para editar um debate de forma imparcial é dar aos dois candidatos o mesmo tempo (página 269). 2. O dr. Roberto determinou, muito antes, que a cobertura da campanha obedeceria à regra: todos os candidatos teriam o mesmo tempo. 3. O dr. Roberto não revogou essa ordem, ao determinar que a edição deveria ‘evidenciar que Collor vencera’ (página 270). 4. Os responsáveis pela indisciplina foram Alberico e Ronald (página 270). 5. A manipulação do debate não tem a menor importância, nem a cobertura parcial (‘o bom e o mau’), que a Globo fez toda a campanha. Pesquisas (páginas 273 e 274) demonstram que a decisão de votar em Collor independia do que a Globo fizesse. Collor encarnava ‘um Brasil… moderno. Como nas democracias da Europa Ocidental, o eleitor se expressara… com base no posicionamento (sic) ideológico…’ (página 274).

Vamos por partes.

Tempo em televisão não é critério para avaliar objetividade. Ao contrário. Dependendo de quem está na ilha de edição, dar mais tempo pode destruir um entrevistado. Quanto mais não é melhor.

Na linguagem da política, aliás, tempo não tem nenhuma relação com persuasão. O discurso de Lincoln em Gettysburg pode ser lido em dois minutos e sete segundos.
O fato de a Globo distribuir o tempo com ‘critério objetivo’ levanta suspeitas, também em outra circunstância. Na cobertura da campanha Fernando Henrique vs. Lula, a Globo deu aos dois o mesmo tempo. Mas, e as inúmeras e redundantes entrevistas do ministro da Fazenda Rubens Ricupero sobre o Plano Real? Ricupero já disse desconfiar que as entrevistas se desenrolavam, na verdade, num palanque.

(Espera-se que essa questão fique esclarecida, um dia, quando sair o livro – título provisório – Laços de Ternura, que está sendo escrito por um jornalista nos Estados Unidos – cujo nome não posso revelar – sobre ‘ a imprensa e Fernando Henrique Cardoso’.)

Se fosse uma grave indisciplina desrespeitar a ordem de distribuir o tempo por igual, o Alberico não teria sido nomeado para o cargo do Armando meses depois.
Corre por baixo de toda a narrativa de Conti a justificativa de que Collor ganhou o debate: o próprio Lula achou isso.

Suspeita-se que Manga, aquele notável goleiro do Botafogo, também achasse que o Collor ganhou o debate. E daí? O papel de um jornal é reproduzir o que aconteceu. E o que aconteceu não estava no Jornal Nacional. Se houve uma vitória no debate, não houve uma goleada. O que foi ao ar no Jornal Nacional é uma manipulação. A edição do Pinheiro e do Carlos Peixoto, a do Hoje, era uma edição que os profissionais da Globo subscreveriam. (Com duas ou três exceções, é claro…) Porque ela reproduzia o que aconteceu, em tamanho menor e é para isso, como os cartógrafos, que serve um editor.

Se o Lula tivesse ‘vencido’ o debate, o Jornal Nacional daria com uma divisão ‘criteriosa’ do tempo – a versão que mostrasse que Lula ganhou?

E a pesquisa? No Hoje e no Jornal Nacional, colada à edição do debate, havia uma pesquisa da Vox Populi (que trabalhava para o Collor, como ressalta Conti): por 44% a 32%, a opinião pública considerou que Collor venceu o debate. Se Lula tivesse ‘vencido’? O Jornal Nacional daria uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo?

Sobre o impacto da cobertura da Globo no eleitor. É bom lembrar que, segundo as pesquisas, Lula e Collor foram para o debate empatados.

A hipótese do livro – os três programas do partido foram mais importantes para a vitória de Collor do que a ajuda da Globo (página 274) – tem tanto valor científico quanto a proposição inversa. Na página 276, por exemplo, Boni diz: ‘Supor que o debate tenha influenciado a eleição é ridículo’.

Nos Estados Unidos, a literatura sobre o assunto é farta. Há quem diga que o célebre debate de John Kennedy e Richard Nixon – em que Nixon apareceu com a barba por fazer e a toda hora limpava o suor do rosto – não teve a menor importância. O eleitor já decidira votar em Kennedy. Tanto isso deve ser verdade que, dessa data em diante – foi o primeiro debate presidencial transmitido ao vivo, pela TV – todos os candidatos à Presidência, pelo mundo afora, vão aos debates na televisão de tamancos, barba por fazer e os cabelinhos do peito a sair pela camiseta em V.

O livro de Conti não mete a mão no câncer.

E é por isso que o título tem o sabor de tofu. Notícias do Planalto – o que diz sobre ‘a imprensa e Fernando Collor’?

Trabalhei no Jornal do Brasil com um profissional exemplar, José Silveira. Ele dizia que ‘matéria que não tem o que dizer não tem lead; e matéria que não tem lead não dá título’. O livro de Conti não deu título porque não tem lead. Não tem tese. Não dá murro. Não tem uma revelação estarrecedora.

Aquela edição foi a do debate do Collor. Poderia ter sido a do Quércia, porque, a certa altura, o candidato de Roberto Marinho era o Quércia. E, então, o Alberico vinha a São Paulo, toda semana, despachar com Carlos Rayel, homem do Quércia para a imprensa.

Quando Collor começou a subir, o Alberico ficou amigo pessoal do Collor e falava com ele todo dia, por telefone – mesmo depois de presidente. Como se diz amigo pessoal de Fernando Henrique. E se preparava para ficar amigo pessoal de Ciro Gomes quando caiu, de tão amigo se tornara de Sérgio Motta.

O importante não é o Alberico. O Alberico fazia os amigos que o dr. Roberto deixava. O Alberico administrava o varejo e abria portas que Roberto Marinho, sozinho, não abriria. (O livro não deixa claro que Collor detestava Roberto Marinho.)

O episódio do debate é o ponto culminante de uma política de manipulação de opinião pública, através do noticiário da maior rede de televisão comercial do mundo, fora dos Estados Unidos. Uma política que não começou com o Collor nem acabou com ele. É uma pena que Conti não tenha conseguido daí extrair um título. Poderia ser O Bom e o Mau – como a imprensa cobriu a campanha Collor vs. Lula. Já facilitava. Depois viriam O Bom e o Mau II, O Bom e o Mau III…”

“O bom e o mau”, copyright CartaCapital nº 113 (22/12/99)

Com o debate e a eleição do Collor, o Dr Roberto tratou de mandar o Armando embora (que não conhecia o Collor) e botar no lugar alguém que o Collor conhecia muito bem. Foi assim que Armando caiu.

O jornal nacional se chamou “nacional”, não porque fosse “nacional”, já que não havia rede nacional, mas porque o patrocinador era o Banco Nacional. Agora, ele precisava no comando do jornalismo de um homem em que Collor confiasse.

Armando costumava dar uma versão inexata dos acontecimentos. Está hoje, na pág. A11 da Folha: “Na edição Collor-Lula eu fui o marido enganado. O cara que dirigia a área (Alberico) fez modificações à revelia do próprio empresário. Fez aquela manipulação por jogada pessoal, porque era ligado ao Collor.”

Ora, o diretor de jornalismo era ele. E foi o próprio “empresário” quem mandou “o cara que dirigia a área” escolher o “bom” do Collor e o “mau” do Lula.

Outra imprecisão está na primeira página do Globo de hoje, de autoria do magistral Chico Caruso. Chico mostra o Dr Roberto a receber o Armando no céu, (?) na companhia do Evandro Carlos de Andrade e o convida para fazer um jornal. Não era bem assim.

Evandro dirigia o Globo e não era amigo do Armando. Evandro achava que o Armando fazia mau jornalismo e ganhava bem demais. O Armando achava que o Evandro fazia mau jornalismo e pouco se importava com os péssimo salário que o Globo sempre (e até hoje) pagou. Na TV Globo do Armando, era melhor ter trabalhado no Jornal do Brasil, onde Armando brilhou, do que no Globo do Evandro.

Depois, Evandro foi substituir o Alberico para fazer uma limpeza de área e impor o novo comando à rede Globo – os filhos no lugar do Dr Roberto. Evandro fazia questão de dizer que não entendia nem queria entender de televisão. Tanto assim que as únicas coisas que fez enquanto esteve lá foi contratar a urubóloga Miriam Leitão e o Torquemada Jabor.

Foi o Armando quem me levou para a Globo. Aprendi muito com ele. Especialmente a escrever para a televisão. Ele era um craque.

Armando inventou o jornalismo na televisão brasileira e o Ali Kamel vai passar a vida sentado lá, sem mexer no que o Armando fez (melhor do que ele). Mas, o Armando perdeu o pênalti aos 45 do segundo tempo, no dia do debate do Lula com o Collor.

*publicado no Conversa Afiada.
Fonte: FNDC

Um ano de saudades



Marcha a Brasília marcará um ano da decisão do STF sobre o diploma

A FENAJ, os Sindicatos de Jornalistas e o Grupo de Trabalho da Coordenação Nacional da Campanha em defesa do diploma preparam uma série de ações para fortalecer o movimento pelo retorno deste requisito para o exercício regular da profissão. Por deliberação do Conselho de Representantes da entidade, que se reuniu em Brasília no dia 27 de março, foi definido um calendário de atividades e contatos com parlamentares buscando a aprovação das Propostas de Emenda Constitucional (PECs) que tramitam na Câmara e no Senado.

Manifestações públicas e atividades nas Assembléias Legislativas, Câmaras Municipais e no Congresso Nacional na próxima semana para marcar o Dia do Jornalista, 7 de abril, iniciarão o calendário de lutas. Outro Dia Nacional de mobilização ficou marcado para 23 de abril, a data em que o ministro Gilmar Mendes deixa a presidência do Supremo Tribunal Federal. O ato em Brasília deverá ser acompanhado de atividades paralelas também nos estados envolvendo os apoiadores da Campanha em Defesa do Diploma. Um deles ocorrerá durante o 13º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, que será realizado em Recife de 21 a 23 de abril.

Outra data definida para novas manifestações é o dia 17 de junho, quando se completará um ano da desastrosa e retrógrada decisão do STF, que derrubou a exigência do diploma para o exercício da profissão, conquistada pela categoria há 40 anos. Para a ocasião será organizada uma Marcha a Brasília.

Também para a próxima semana deverão ser intensificados os contatos com parlamentares para acelerar, no Congresso Nacional, a votação das PECs que resgatam a obrigatoriedade do diploma e reivindicar do STF a aceitação dos embargos declaratórios à sua decisão impetrados pela FENAJ e pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

A busca de novas manifestações de apoio ao movimento e à aprovação das PECs na Câmara e no Senado, como a realizada na semana passada pela vereadora Durvalina Garcia, do PT de Araçatuba, também deve ser intensificada. A FENAJ orientou os Sindicatos de Jornalistas a prosseguirem com os contatos com os líderes partidários na Câmara dos Deputados para que façam as indicações dos titulares e suplentes da Comissão Especial criada para analisar a PEC 386/09.

Só após completarem-se as indicações a comissão será efetivamente instalada. Por isso, a ideia é que está mobilização ocorra nas bases dos parlamentares. O último balanço das indicações, na semana passada, revelou que faltavam as indicações de um titular e três suplentes do bloco PMDB/PT/PP/PR/PTB/PSC/PTC/PTdoB, quatro titulares e cinco suplentes do PSDB/DEM/PPS, um suplente do bloco PSB/PDT/PCdoB/PMN, um suplente do PV, além de um titular e um suplente do PSOL.

Para agilizar a instalação da Comissão Especial, a FENAJ solicita aos apoiadores do movimento em defesa do diploma que façam contatos em seus estados com os parlamentares que são líderes de partidos ou blocos para que façam as indicações.
Fonte: Fenaj