Jornalistas não sabem como tratar os bandidos
Absurdo na capa do UOL de sábado, 20 de março, dois dias antes do julgamento do casal:
Caso Isabella -- Nardoni pode ter pena maior do que madrasta; veja acusações.
Janistraquis, que não é advogado mas tem o curso primário completo, ficou perplexo:
"Considerado, o site já promoveu o julgamento, condenou e estabeleceu a pena; como se pode denominar um comportamento desse tipo?"
Não sei, mas uma coisa é certa: o UOL não praticou bom jornalismo com a "chamadinha" espúria.
Aliás, falta bom senso quando a imprensa trata de questões policiais ou jurídicas. Nos telejornais a coisa é dolorosamente azabumbada, como diz o considerado Ilacir Ferdinando Meirelles, advogado em São Paulo:
É inadmissível a "intimidade" de repórteres e apresentadores com autores de crimes, alguns dos quais hediondos. O caso mais recente é este do assassinato de Glauco e o filho Raoni, mortos por um perigoso drogado que poderia ser chamado de assassino, criminoso, bandido, marginal, etc. etc.
Entretanto, recebe de jornalistas profissionais um tratamento familiar e se transforma em Cadu, também chamado, com singeleza e candura, de jovem, estudante, rapaz, universitário... Alguns telejornais chegam ao cúmulo de se referir a ele como "suspeito", embora tenha confessado o crime e até baleado um agente da Polícia Federal ao tentar fugir para o Paraguai.
A causa de Glauco
O considerado Marco Antonio Zanfra, assessor de imprensa do Detran de Santa Catarina, despacha de seu bem aparelhado QG na Praia da Joaquina:
Este "Erramos" da Folha dá o que pensar -- COTIDIANO (23.MAR.PÁG. C7) Título da reportagem "Rapaz que levou Nunes até a casa de Glauco é indiciado" grafou incorretamente a palavra "casa".
A gente fica imaginando de que forma a palavra foi escrita, para merecer gritante correção: kasa? caza? kaza?
(Na verdade, escreveram "causa", mas eu não perderia a oportunidade de me divertir com mais esse erro absurdo do maior jornal do País...)
Ô dificuldade!!!
Chamadinha na capa do já mencionado UOL:
Gisele Bündchen chega com
o filho, Benjamin, a São Paulo
Janistraquis tem a impressão de que assim poderia ficar um pouco melhor:
Gisele Bündchen chega a São
Paulo com o filho Benjamin
Almanaque Brasil
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo banheiro, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário, enxerga-se o armário no qual está absconso o smoking que o presidente vai usar ao tomar posse como secretário-geral da ONU, pois Roldão examinava a edição de fevereiro do Almanaque Brasil quando encontrou panos pra manga:
Página 11 -- "Levado pelo filho Pedro I ao Largo do Rócio (sic), o rei caiu em prantos diante do povo."
(O nome do largo é Rocio e não 'Rócio'. Trata-se da atual Praça Tiradentes, no centro da cidade do Rio de Janeiro.)
Página 25 -- "Os inventos de Santos-Dumont: Além do 14-Bis, Santos-Dumont inventou outras máquinas voadoras poderosas. A mais conhecida foi a pequena Demoiselle (senhorita, em francês)."
(Não se usa o hífen no nome de Santos Dumont. E demoiselle, em francês, pode ser senhorita ou libélula. E é evidente que a demoiselle de Santos Dumont só poderia ter o significado de libélula.)
Perguntas de lascar!
O considerado Sérgio Vieira, da revista Reciclagem Moderna, envia recado aos repórteres da TV, na esperança de que dêem a volta por cima e se requalifiquem, para o bem de suas reportagens:
Caros repórteres de televisão que cumprem a árdua tarefa de cobrir enchentes, desmoronamentos, chacinas e tragédias em geral, gostaria de pedir-lhes a gentileza de que risquem de seus repertórios perguntas assim: "Como você está se sentindo?"; "Como é que está a família?"; "O que você vai fazer agora?"; ou a espetacular: "Você está sofrendo muito?".
Meu Deus, o que se espera como resposta de uma pessoa que perde casa, filhos, pai ou mãe? Talvez uma coisa do tipo: "Olha, minha vida está uma merda com essa desgraça, mas estou dando pulos de alegria". A narração do "off" e as imagens que compõem a cena já demonstram que os sobreviventes de tragédias, ou parentes de vítimas, estão num péssimo dia. Por que raios é preciso "confirmar" a situação com perguntas sem o menor sentido?!?!?!?
Fonte: Comunique-se
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