Friday, March 26, 2010

Deu no blog do Japiassu

Jornalistas não sabem como tratar os bandidos
Absurdo na capa do UOL de sábado, 20 de março, dois dias antes do julgamento do casal:

Caso Isabella -- Nardoni pode ter pena maior do que madrasta; veja acusações.

Janistraquis, que não é advogado mas tem o curso primário completo, ficou perplexo:

"Considerado, o site já promoveu o julgamento, condenou e estabeleceu a pena; como se pode denominar um comportamento desse tipo?"

Não sei, mas uma coisa é certa: o UOL não praticou bom jornalismo com a "chamadinha" espúria.

Aliás, falta bom senso quando a imprensa trata de questões policiais ou jurídicas. Nos telejornais a coisa é dolorosamente azabumbada, como diz o considerado Ilacir Ferdinando Meirelles, advogado em São Paulo:

É inadmissível a "intimidade" de repórteres e apresentadores com autores de crimes, alguns dos quais hediondos. O caso mais recente é este do assassinato de Glauco e o filho Raoni, mortos por um perigoso drogado que poderia ser chamado de assassino, criminoso, bandido, marginal, etc. etc.

Entretanto, recebe de jornalistas profissionais um tratamento familiar e se transforma em Cadu, também chamado, com singeleza e candura, de jovem, estudante, rapaz, universitário... Alguns telejornais chegam ao cúmulo de se referir a ele como "suspeito", embora tenha confessado o crime e até baleado um agente da Polícia Federal ao tentar fugir para o Paraguai.

A causa de Glauco
O considerado Marco Antonio Zanfra, assessor de imprensa do Detran de Santa Catarina, despacha de seu bem aparelhado QG na Praia da Joaquina:

Este "Erramos" da Folha dá o que pensar -- COTIDIANO (23.MAR.PÁG. C7) Título da reportagem "Rapaz que levou Nunes até a casa de Glauco é indiciado" grafou incorretamente a palavra "casa".

A gente fica imaginando de que forma a palavra foi escrita, para merecer gritante correção: kasa? caza? kaza?

(Na verdade, escreveram "causa", mas eu não perderia a oportunidade de me divertir com mais esse erro absurdo do maior jornal do País...)

Ô dificuldade!!!
Chamadinha na capa do já mencionado UOL:

Gisele Bündchen chega com
o filho, Benjamin, a São Paulo

Janistraquis tem a impressão de que assim poderia ficar um pouco melhor:

Gisele Bündchen chega a São
Paulo com o filho Benjamin

Almanaque Brasil
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo banheiro, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário, enxerga-se o armário no qual está absconso o smoking que o presidente vai usar ao tomar posse como secretário-geral da ONU, pois Roldão examinava a edição de fevereiro do Almanaque Brasil quando encontrou panos pra manga:

Página 11 -- "Levado pelo filho Pedro I ao Largo do Rócio (sic), o rei caiu em prantos diante do povo."

(O nome do largo é Rocio e não 'Rócio'. Trata-se da atual Praça Tiradentes, no centro da cidade do Rio de Janeiro.)

Página 25 -- "Os inventos de Santos-Dumont: Além do 14-Bis, Santos-Dumont inventou outras máquinas voadoras poderosas. A mais conhecida foi a pequena Demoiselle (senhorita, em francês)."

(Não se usa o hífen no nome de Santos Dumont. E demoiselle, em francês, pode ser senhorita ou libélula. E é evidente que a demoiselle de Santos Dumont só poderia ter o significado de libélula.)


Perguntas de lascar!
O considerado Sérgio Vieira, da revista Reciclagem Moderna, envia recado aos repórteres da TV, na esperança de que dêem a volta por cima e se requalifiquem, para o bem de suas reportagens:

Caros repórteres de televisão que cumprem a árdua tarefa de cobrir enchentes, desmoronamentos, chacinas e tragédias em geral, gostaria de pedir-lhes a gentileza de que risquem de seus repertórios perguntas assim: "Como você está se sentindo?"; "Como é que está a família?"; "O que você vai fazer agora?"; ou a espetacular: "Você está sofrendo muito?".

Meu Deus, o que se espera como resposta de uma pessoa que perde casa, filhos, pai ou mãe? Talvez uma coisa do tipo: "Olha, minha vida está uma merda com essa desgraça, mas estou dando pulos de alegria". A narração do "off" e as imagens que compõem a cena já demonstram que os sobreviventes de tragédias, ou parentes de vítimas, estão num péssimo dia. Por que raios é preciso "confirmar" a situação com perguntas sem o menor sentido?!?!?!?

Fonte: Comunique-se

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