Wednesday, February 24, 2010

No carnaval da Justiça capixaba quem dança é o povo

O deputado é bonito, acho que vou me dar bem! Essas foram algumas das palavras da ex-funcionária da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, Sara Gomes de Oliveira, obtidas pela Polícia Federal através de escuta telefônica durante o processo de investigação da Operação Naufrágio. O garboso deputado a qual Sara se refere é Marcelo Santos (PMDB) que atendeu a um pedido do juiz afastado, Frederico Pimentel, acusado de vários crimes contra a administração pública, caracterizado pela atividade de venda de sentença.
De acordo com o Ministério Público Federal, a atuação dos acusados não se limitava apenas ao Poder Judiciário, mas também à expansão da prática do nepotismo no serviço público do Estado do Espírito Santo.
E ao que tudo indica as relações entre os integrantes dos respectivos poderes eram bem próximas. E bota próxima nisso! Num dos trechos das gravações o juiz Frederico Pimentel – também identificado pela alcunha de “Fredinho” - diz que Sara tem que ir lá agradecer o deputado Marcelo Santos, coisa que ele já havia feito. Sara diz que não está a fim de ir lá naquele dia, ainda mais porque está com uma roupa muito bonita e está com medo de ele dar em cima dela. A partir daí, os dois passam a discutir o relacionamento pessoal.
O deputado Marcelo Santos, querendo se desfazer das acusações de latin lover, disse à imprensa que Sandra era moradora de Cariacica e que já o havia procurado em busca de um cargo. Segundo o mesmo, ela cumpria todos os requisitos para a função e considera normal o episódio. A população de Cariacica deve estar orgulhosa de ser o reduto eleitoral de um deputado que se preocupa com a situação de moças desamparadas e que possuem requisitos.
Alguns veículos de comunicação do Espírito Santo, como o site Século Diário, relatam que havia disputa de poder entre dois grupos no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). De acordo com o site, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) sobre a “Operação Naufrágio” apresenta elementos contundentes da participação do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) Jorge Góes Coutinho no escândalo da venda de sentenças. Os autos expõem a rivalidade entre Jorge Góes e o então presidente do Tribunal, Frederico Guilherme Pimentel, na negociação de uma ação milionária em favor do advogado Pedro Celso Pereira.
E nesse mar de lama envolvendo o Judiciário capixaba, a suspeita paira sobre outros integrantes do TJES. Ainda segundo o Século Diário as denúncias de corrupção envolvem dois terços dos desembargados e deixam apreensivos os poucos que não foram acusados, já que há o medo de que alguns dos acusados se submetam ao procedimento da delação premiada, algo que já vem sendo especulado pela imprensa. É o chamado “abraço do afogado”.
O site Século Diário também revela uma curiosidade. O atual presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), Manoel Alves Rabelo, assumiu com o discurso voltado à ética e moralidade. Entretanto, nomeou sua esposa e filho juízes, e tem ainda duas filhas atuando na estrutura do Judiciário – uma delas pronta para ser juíza, no concurso aberto desde 2006, que esteve em vias de ser fraudado.

Podridão também em Mato Grosso
O Conselho Nacional de Justiça condenou na última terça-feira (23/2) sete juízes e três desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. São acusados de uso irregular de verbas com distribuição privilegiada de pagamentos atrasados, sendo que parte da verba foi usada para sanear o rombo financeiro de loja maçônica integrada por alguns dos magistrados. Por conduta antiética, corrupção ativa e passiva, todos foram condenados à aposentadoria compulsória proporcional.

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