O título ao texto é na verdade do bordão daquele que ficou conhecido como o primeiro “anchorman” (âncora mesmo)da TV Brasileira, o Sr. Boris Casoy. Este senhor, que parece ter uma certa simpatia pelo período militar e uma aversão gigantesca por tudo aquilo que se enquadra politicamente como de esquerda, é apregoado por alguns como sendo um jornalista de credibilidade que usa o manto da justiça para declarar o seu referido bordão. Pois bem, no último dia 31, Casoy sentiu a máxima daquele ditado onde é dito que “o peixe morre pela boca”.
Durante o programa, após as felicitações de Ano Novo de uma dupla de garis, o jornalista não percebeu que o microfone estava aberto e falou o que pensava. Declarou a seguinte frase: "Que m****... dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho...". Um detalhe chama a atenção: além de Casoy, outra pessoa participa da “brincadeirinha’ e, segundo alguns noticiosos, trata-se do arauto do neoliberalismo, Joelmir Beting.
Tal qual foi a minha surpresa quando no dia primeiro deste ano, vejo uma declaração de desculpas proferidas por Casoy,alegando que disse uma frase infeliz que ofendeu os garis e que pedia desculpas aos telespectadores.
Desculpas a parte, que o Casoy é um reacionário de carteirinha isso eu já sabia. Que a Bandeirantes vem se tornando um núcleo de políticos conservadores, também já consegui perceber. Agora, o abuso cometido pelo “âncora” é algo que vem ficando cada vez mais forte.
Até um tempo atrás, um ato desse era impensável, mas hoje observo estarrecido a comentários de articulistas tecendo loas ao governo ditatorial, criminalizando a oposição desse período, além de desqualificar o atual governo com argumentos que chegam ser ridículos e ofensivos. A situação saiu da esfera do debate e passou para pura e simples agressão verbal.
Mais do que a TV, a internet passou a ser um reduto de pessoas intolerantes, que muitas vezes se esconde atrás de um perfil falso, e que se sente a vontade para expressar toda a sua “liberdade de expressão”.
Venho observando o crescimento cada vez maior desse pessoal dentro da internet, onde qualquer repreensão a este tipo de comportamento é vista como tolhimento da liberdade de expressão alheia. Esse a meu ver, é um desdobramento daquela maldita decisão do STF sobre a não-obrigatoriedade do diploma de jornalismo, onde é utilizado um direito difuso como sendo verdade absoluta.
Por enquanto, pessoas como Casoy ainda pedem desculpas, mas a julgar o crescimento dessa onda reacionária, acredito que em pouco tempo já haverá um discurso alegando que os garis realmente são inferiores. Daí então será dito: Isto não é uma vergonha!
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