Maluf pede que CNMP investigue procuradores
O deputado Paulo Maluf (PP-SP) enviou carta ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, solicitando que o Conselho Nacional do Ministério Público apure a atuação dos promotores federais em São Paulo que estão movendo uma ação civil pública contra ele por colaboração com crimes ocorridos na época da ditadura militar. São autores da Ação Civil Pública contra Maluf os procuradores Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, Marlon Alberto Weichert, Jefferson Aparecido Dias e Adriana da Silva Fernandes.
Maluf diz que os promotores agiram de forma leviana e que tudo não passa de uma deslavada mentira. O ex-prefeito de São Paulo na época do regime militar sustenta que as obras do cemitério de Perus, que de acordo com os procuradores foi usado para ocultar os corpos de vítimas da repressão política, foram licitadas por seu antecessor, brigadeiro Faria Lima, e "é impossivel que durante a minha administração tenha sido feito um único enterro porque as obras foram entregues na gestão do meu sucessor engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz".
O Ministério Público Federal ajuizou duas ações civis públicas no último dia 26 de novembro, em que acusa autoridades públicas por ocultação de cadáveres de opositores ao regime militar que vigorou no país entre 1964 e 1985. Entre os denunciados estão o senador Romeu Tuma, o médico legista Harry Shibata, e os ex-prefeitos de São Paulo, Paulo Maluf e Miguel Colasuonno. A ação foi recebida pela juíza Tânia Lika Takeuchi, da 4ª Vara Federal Cível, que determinou a citação dos réus para se manifestarem dentro do prazo legal.
Paulo Maluf foi prefeito de São Paulo durante a fase mais grave da repressão. A ação do Ministério Público Federal em São Paulo diz que foi dele a ordem para a construção do cemitério de Perus, projetado especialmente para indigentes, e que tinha quadras marcadas especificamente para os “terroristas”. De acordo com a ação, o projeto original do cemitério previa um crematório, mas a Prefeitura desistiu após a empresa contratada ter estranhado o plano, que não previa um hall para orações, por exemplo. Ainda segundo o MPF, a Prefeitura chegou a fazer gestões visando mudar a legislação para cremação, para dispensar a autorização da família para o procedimento, possibilitando a cremação de indigentes, mas não teve sucesso.
Fonte: Conjur
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