quinta-feira, outubro 08, 2009

O Enem e o sofisma



“O Ministério da Educação (MEC) fixou o dia 5 de fevereiro como a data-limite para a entrega do resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O ministério julga que, com essa data, o início das aulas nas universidades não será afetado em 2010. No entanto, a intenção é que esse prazo seja antecipado”.
Fonte: Agência Estado

Tem certas coisas que definitivamente eu não entendo – olha aí Mezenga!No meio dessa bagunça toda envolvendo roubo de prova, mudança de calendário de vestibular e o cacete e quatro, ninguém – eu disse absolutamente ninguém! – questionou o propósito e a eficácia desse Enem.
Só para recordar um pouco, esse troço chamado Enem – não tenho uma definição mais condizente – teve origem a partir da crítica envolvendo o vestibular nas universidades. Argumentaram que era injusto, que discriminava e uma porrada de outros argumentos pautados na pedagorréia que paira na educação desse país. Tanto foi falado que o governo federal resolveu criar o tal Enem, alegando ser esta uma maneira mais eficaz de avaliar o desempenho dos alunos durante todo o ensino médio. Até onde eu sei, era uma prova boba, sem que houvesse grandes obstáculos e o objetivo era a princípio substituir o vestibular.
Pois bem, as universidades bateram o pé, fizeram beicinho, com a ajuda dos donos de cursinho, que quase arrancaram todos os cabelos tingidos por Viena Hair. A pirraça deu resultado e o vestibular foi mantido, para desgraça da garotada. O resultado disso é que a rapaziada do ensino médio vai se rasgar para fazer duas provas, com proporcionalmente aumento de stress e gastos. Os cursinhos é lógico, adoraram!
Qual foi a minha surpresa quando vejo no Jornal Nacional a notícia de que foi criada uma entidade estudantil com o objetivo de exigir maior organização no Enem. Comecei então a pensar: se o questionamento é em relação à forma de organização, então concluo que a entidade considera o Enem legítimo. Se considera legítimo, aceita fazer duas provas e está disposto a estudar e gastar mais. Se está disposto a isto é por que aceita tudo o que venha do governo, portanto obedece cegamente.
Resolvi parar com o sofisma, pois a conclusão poderia me deixar mais desesperançoso em relação ao futuro desse país.

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