sábado, outubro 17, 2009

Feitiço contra o feiticeiro

Refazendo-me da porrada de ontem, resolvi refletir sobre um fato bem curioso que vem acontecendo na mídia. Os jornalistas esportivos brasileiros estão incomodados com a atitude do jogador Fred, do Fluminense, de se pronunciar somente através do seu blog e do twitter. Fred alega que está sendo perseguido e resolveu somente dará informações pela internet.
Os jornalistas, é claro, estão morrendo de raiva. Alegam que o jogador é “estrela”, que tem um relacionamento ruim com a imprensa e o acusam até mesmo de prejudicar o clube, pois não está dando retorno de imagem. Retorno de imagem!? Bom, para um time que está com um pé na segunda divisão isso soa até engraçado.
Mas por que a imprensa resolveu fazer essas acusações a Fred? Será porque o jogador percebeu que tudo que ele falar poderá ser utilizado contra o próprio? Ou então porque ele arrumou um jeito de se pronunciar ao público, dispensando os jornalistas? Ou mesmo porque Fred já percebeu que não precisa ficar numa coletiva de imprensa respondendo perguntas maliciosas, que serão devidamente editadas para o público?
Eis a questão meus amigos! Com as novas ferramentas da internet, encontrou-se uma maneira de dispensar os repórteres e jornalistas “especializados” e, por que não dizer, os grandes veículos de comunicação. Isso é simplesmente o pesadelo para àqueles que mandam na mídia. E olha que não é somente o jogador do Fluminense que percebeu isso.
Neste ano, um site de fofocas chamado TMZ “furou” os grandes veículos de comunicação ao dar em primeira mão a notícias sobre a morte de Michael Jackson. Enquanto todos titubeavam, um site de fofocas afirmava o fato e não deu outra: começou a pautar as grandes redes de TV dos EUA.
Outro fato curioso ficou por conta da Petrobrás. Escaldada com a campanha tendenciosa que vem sendo desenvolvida contra suas ações e imagem, a empresa resolveu se pronunciar através de blog, desprezando até mesmo aquela seção de cartas destinadas ao público. A atitude desencadeou reações raivosas por parte de mídia, fazendo com que a empresa recuasse. Mesmo assim ficou a idéia: Podemos falar com o público sem utilizar os grandes veículos de comunicação.
Alguns diriam: Mas o acesso a internet é restrito ainda é muito restrito? Sim, mas a velocidade com que isso avança é algo impressionante. Chego a dizer que não há um controle efetivo por parte das grandes empresas de comunicação, pois se houvesse, o desenvolvimento tecnológico nesse campo seria bem limitado. Há necessidade de difusão dessa mídia e das possibilidades que podem ser alcançadas.
Essa situação soa irônica ante ao fato de que os donos de empresas de comunicação patrocinaram a desregulamentação do diploma de jornalismo no Brasil, alegando que isso feria a liberdade de expressão. E não é que o pessoal acreditou tanto que resolveu exercê-la! É divertido ver blogs furando grandes emissoras de TV, apresentadoras de TV sendo expostas ao ridículo pelo twitter, o sites de imagens como o youtube mostrando aquilo que só poderia ser visto pagando, a possibilidade de você mesmo criar uma TV, rádio e jornal num veículo só, a troca de músicas pela internet, que deixou a indústria do setor docemente em crise. Enfim, as possibilidades ainda estão longe de serem esgotadas.
Um bom exemplo é a descoberta de uma nova tecnologia que permite dar aroma a emails – parece até piada! O Google vem desenvolvendo um novo conceito de email chamado “wave” que permite redigir um texto em conjunto com seus amigos. O que não dizer do Skype? Do Second Life? E olha que menciono apenas o que conheço ou ouvi falar.
Enfim, até arrumarem um jeito de controlar a internet, a diversão está garantida. Numa época em que o mercado de trabalho levanta barreiras e o desemprego parece ser a vala comum da maioria, o cidadão tem a chance de ver o que realmente está acontecendo perguntando diretamente a fonte, sem intermediários. Viva o mundo virtual!

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