segunda-feira, agosto 31, 2009

A furia de Furio Lonza

Venho aqui resgatar mais um bom escriba, daqueles que possuem um texto direto, sem firulas. Conheci esse italo-brasileiro através da revista "chiclete com Banana", quando o mesmo tinha uma coluna hilária, chamada "Síndrome de emputecimento progressivo". Reencontrei Lonza anos mais tarde, quando vi na livraria um livro de sua autoria chamado "Máquina de fazer doidos - guia de auto-ajuda para quem assite TV". Olhei apenas duas páginas e comprei o livro, que é muito engraçado.
Lonza escreveu outros livros como: "Erick, na estrada" e "O que é isso maconheiro?", além de escrever esporadicamente em alguns sites como "Digestivo Cultural". Abaixo um exemplo do que Furio é capaz.


O APOCALIPSE SEGUNDO FURIO LONZA ou O DERRADEIRO CHUTE NO BALDE

Furio Lonza

Foi na segunda metade da década de 90 que o mundo se tornou refém de si mesmo. Pode ter sido um pouco antes ou um pouco depois, vai saber. Eu, pelo menos, só percebi isso com clareza quando a tecnologia construiu uma superestrutura para se proteger. Ela é auto-sustentável, indestrutível e retroalimentável. Uma espécie de moto perpétuo do controle urbano global.

Com o fim da polarização ideológica, houve o imediato desequilíbrio de forças e os países vencedores passaram a dar as cartas e monitorar a geopolítica do planeta. O tripé capital-consumo-lucro fica mais sólido que nunca. As pessoas são viviseccionadas, catalogadas, arquivadas. Elas perdem a identidade própria. Anônimas, fazem parte de estatísticas. Termina a iniciativa privada, os grandes conglomerados se aliam e dominam o mercado. A competição é de fachada. Qualquer atitude contrária ao sistema é neutralizada & absorvida. A democracia, como na Grécia antiga, é um tapume que serve apenas para encobrir gestões arbitrárias & truculentas. A ciência está a serviço da manutenção do status quo. De tempos em tempos, reuniões de cúpula resolvem incrementar essa solidez e, eventualmente, mudar o rumo, mas tudo dentro de uma globalidade consentida.

Tudo está previsto. Tudo está sob controle. Tá tudo dominado. Tanto faz se alguém protesta. Até a violência é assimilada. Passeatas, carros revirados, greves, lojas incendiadas, faixas nas ruas, marchas coletivas, invasões de terras. Sindicatos, entidades de classe, agremiações. Tudo fica sem sentido, à deriva. O sistema perdeu o amadorismo de antigamente. Agora, ele se profissionalizou. Lá se foi o tempo em que uma música de John Lennon contra a guerra do Vietnã conseguia intimidar o presidente Nixon, por exemplo, obrigando-o a sair da Casa Branca para dialogar com os estudantes amotinados.

Ficou mais difícil criticar a realidade. Mesmo porque a rapidez com que ela se modifica criou um obstáculo intransponível. (O futuro foi ontem.) Tocar na realidade hoje é a mesma coisa que tentar determinar a posição exata de um elétron no átomo. Quando você se dá conta da sua presença, ele já se foi, saiu rodando, está em outro lugar. Estamos num mundo volátil. Vivemos no éter. Nossos sentimentos são teleguiados à distância e dirigidos para qualquer instância lucrativa. Até nossas lágrimas são virtuais. Nos tiraram a capacidade de influir no nosso destino. Tudo vem de cima. Nossos rumos são resolvidos nas amplas salas com ar condicionado dos departamentos de marketing por engravatados executivos bissexuais. Demandas artificiais surgem: compramos coisas que não precisamos, trocamos bens de consumo que não nos serviam por modelos mais novos, vivemos uma vida que não é a nossa. A ausência de virtude, de ânsia, de vontade, de iniciativa é a tônica. A existência é tolerada. Todos podem emitir opiniões, mas ninguém apita mais nada.

Exercício de memória: qual a crítica mais popular ao comunismo, repetida à exaustão durante cinquenta anos, e que sensibilizou toda a população do mundo que prezava a liberdade? A perda da individualidade do cidadão. Ele viraria apenas um número, seria tragado para dentro de um Estado forte & burocrático, que se responsabilizaria pelos recursos materiais, em detrimento da liberdade de pensamento & ação. A direita se encarregou de divulgar essa ideia aos quatro cantos do mundo através da publicidade, da propaganda subliminar, de livros, de filmes. Pois bem, a capitalismo virou capitalismo selvagem que, por sua vez, virou neoliberalismo, que venceu a briga. Na verdade, o grande erro da esquerda não foi achar que o homem era apenas um cano que ia da boca ao cu. Foi dar, apesar dos pesares, educação & cultura a seu povo, mesmo que dirigida e dogmática. Foi um ato falho, um contra senso. Não previu a catástrofe. Deixou uma brecha. Qual foi o grande acerto do neoliberalismo? Mumificar o povo. Dopá-lo. Dirigi-lo e dogmatizá-lo para que se tornasse apenas e tão-somente um feroz consumidor, obsessivo e compulsivo. Ao não lhe dar educação & cultura suficientes para que percebesse essa manobra, fez com que o homem virasse um cano que vai da boca ao cu. Resumindo a conversa: não era crítica, era inveja. Enquanto a propaganda ideológica da esquerda minguava, a propaganda da direita se sofisticou de tal maneira que conseguiu enfim seu objetivo: dominar corações e mentes.

Em 1999, data limite em que Nostradamus previra o fim de tudo, estreava nos cinemas o filme Matrix, que escancarou sem meias tintas a cruel incapacidade que temos de monitorar nossa própria existência. Quando eu era pequeno, achava que nunca chegaria vivo ao ano 2000. Me parecia uma coisa inalcançável. Um número tão redondo que beirava a ficção científica. Pois bem, eu estava enganado. Não só cheguei lá, como ultrapassei minhas expectativas. Com um certo desapontamento, porém, percebi que o fim do mundo não viria com maremotos, cataclismos, trovões & relâmpagos, ciclones ou terremotos. Até entendo que essa iconografia pueril tenha ganhado espaço durante certo tempo na mais bizarra imaginação da humanidade, com certeza alimentada pelo livro mais sagrado que temos no Ocidente. O sol se torna negro, a lua se banha de sangue, línguas em brasa rutilantes e biformes aparecem nos céus. O grande dia da ira traz sete anjos batendo seus sete martelos nas sete bigornas dos sete castelos. Do chão, abrem-se grandes e insondáveis poços de abismos. Chuva de gafanhotos, chuva de escorpiões, chuva de enxofre, chuva de pedras. Dragões vermelhos com sete cabeças e sete diademas tocaiam-se pelas esquinas do mundo. A grande Besta, parecida com um leopardo, com pés de urso e boca de leão, afugenta os hereges, emitindo insolências & blasfêmias através de sua boca maligna.

Nada disso aconteceu. Tanto a bíblia quanto Nostradamus erraram longe no seu ponto mais nevrálgico. Na passagem para o novo milênio, nem um mísero meteorito correu os céus. No reveillon daquele ano, o sol se pôs como sempre e a lua surgiu na hora habitual. O Apocalipse, porém, de uma forma ou outra, apareceu e revestiu-se da forma mais irônica: o nada. O mundo e os seres humanos se tornaram nada. O fim do mundo é o nada, o vácuo, a não-existência, a dissolução total. Até certo ponto, a bíblia foi otimista: com o Apocalipse, tudo acabaria. A realidade se encarregou de desmentir categoricamente essa previsão: o nada vai continuar.

O que define a importância de uma notícia?



O último domingo foi bem interessante para aqueles que gostam de analisar a cobertura da mídia e a abordagem de temas considerados importantes. Não, não estou falando da estréia do Gugu Liberato na Record! Muito menos de formato do programa dominical da Eliana. Estou falando de jornalismo sério – com diploma ou sem – feito por gente competente e que corre atrás da notícia.
Enquanto o “Fantástico” da Rede Globo tinha como matéria principal o desfecho do paradeiro do cantor Belchior – muito aborrecido com sua invasão de privacidade – a Record e a Bandeirantes trouxeram à tona dois temas pra lá de interessantes e que remontam fatos importantes ocorridos nesse país.
O Programa de Domingo da Record conseguiu uma entrevista com Mauricio Hernandez Norambuena, o mentor do seqüestro do empresário Washington Olivetto. O repórter Afonso Mônaco – ex-global – fez uma matéria brilhante revelando o passado de Norambuena, sua atuação no Chile e conseguiu arrancar do mesmo alguns detalhes sobre o seqüestro. Se existe um perfil para terrorista, Norambuena parece que se encaixa como uma luva: revelou-se uma pessoa fria, inteligente, de poucas palavras e com muitas informações ainda por revelar. A reportagem abordou até mesmo um atentado, promovido pelo próprio, contra o ditador Pinochet.
Lembro muito bem do caso e como foi noticiado pela mídia, dando a entender que o episódio tinha algum vínculo com o Partido dos Trabalhadores – coisa que nunca se provou. Na época a imprensa tratou Norambuena apenas como um bandido, que no passado teve uma atuação na guerrilha. Minimizou a importância do mesmo e tratou de “linkar” o acontecimento às eleições presidenciais.
Mais o melhor ainda estava por vir à noite no Canal Livre, da Bandeirantes. Tal como um fantasma que teima em permanecer nesse mundo, o famoso cabo Anselmo deu literalmente às caras. Mostrou o rosto e se dispôs a falar de seu passado de agente duplo durante a ditadura.
Para aqueles que não conhecem a história, cabo Anselmo era uma marinheiro com um certo potencial de liderança, que a esquerda achou que poderia aproveitar. Investiu no cara através de cursos, apoio, estrutura, dinheiro, antes mesmo do golpe de 64. Já na clandestinidade, o cidadão se junta ao grupo guerrilheiro Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e vai a Cuba fazer treinamento de táticas que seriam aplicadas na guerrilha urbana. Ao regressar ao Brasil, o sujeito foi preso e rapidamente mudou de lado, entregando todo mundo de bandeja para o famigerado delegado do Dops, Sergio Fleury. O entreguismo foi tanto que o mesmo teve que fazer cirurgia plástica para não ser reconhecido pelos militantes de esquerda. Desde a década de 70 o cara simplesmente desapareceu.
A entrevista mostrou uma pessoa anticomunista, bem informada, cercada de mistérios e sem qualquer arrependimento – pelo menos aparentemente – pautado num discurso embasado na idéia de que o povo brasileiro não queria uma guerra civil. Justificou as mortes causada pela sua delação da seguinte maneira: “ Todos aqueles que entraram na guerrilha sabiam dos riscos. Quando fui preso tive que escolher entre morrer ou passar para o outro lado e, não tive dúvidas sobre isso, já que não acreditava mais na luta armada”.
Anselmo foi interpelado várias vezes sobre declarações dadas num livro publicado nos anos 90 e saia sempre pela tangente. Caiu em contradição várias vezes quando falou sobre sua relação com Fleury e foi evasivo quando teve que explicar como viveu quase quarenta anos na clandestinidade. Ficou claro que ainda tem relação com a polícia – Escuderie Le Coq – e com políticos.
O fato curioso ficou por conta de Boris Casoy, um dos entrevistadores. Soube por Anselmo que os dois se encontraram em eventos por duas vezes, sendo que uma, foi numa reunião com um senador. Ao ser perguntado por Casoy quem seria o senador, Anselmo foi evasivo e deu a entender que é um político, ainda atuante, e que está na “berlinda”. Saia justa seu Boris Casoy!
Considero as duas entrevistas muito importantes, até mesmo do ponto de vista histórico, e que seria a principal pauta em qualquer jornal sério, que seja comprometido com a notícia. Ao ver a principal matéria do programa de maior audiência da Rede Globo aos domingos, ser a entrevista de um cantor que está com problemas financeiros e curtindo a vida no Uruguai, comecei a pensar sobre quais são os critérios para a escolha de pauta dentro da referida emissora. Das duas uma: ou não sei mais o que é notícia ou então a Globo está com um problema sério na editoria de telejornalismo.

domingo, agosto 30, 2009

A pauleira do Motörhead



Ex-roadie de Jimy Hendrix, Lenny Kilmster fundou nos anos 70 o Motörhead, uma das lendárias bandas de rock pesado. A banda passou por algumas mudanças nos seus integrantes, mas apuleira continua a mesma, capitaneada por mister Kilmster. Ja vieram a Vitória e fiz a besteira de perder a oportunidade de ir ao show dessa lenda viva do rock.

sábado, agosto 29, 2009

O "X" da questão



Vez ou outra aparece um assunto ridículo que ganha alguma repercussão na mídia. O último foi a defesa da "rainha" dos baixinhos em relação às críticas ao português sofrível da sua "princesinha".
O pessoal do língua de trapo parece que estava prevendo esse besteirol e já deixou a piada pronta, com a música o "Xogro da Sasha". Para aqueles que passaram a infância no banheiro,depois de ver o Xou da Xuxa, ainda há esperança.

Será?


Na úlitma quarta-feira recebi a notícia de que o apartamento - que eu estou esperando há 3 anos - finalmente está quase pronto. Será que finalmente o meu sonho da casa própria irá se realizar?
Quando eu lembro a grana que já paguei de aluguel, mais àquela fila desgraça que enfrentei para fazer o cadastro, bate uma emoção danada! Aí estão algumas das fotos da fachada e da vista do último andar.



Foto do Porto de Vitória


Esse aí, para quem não sabe, é o Palácio anchieta, antigo convento fundado por Jesuítas e atual sede do Governo Estadual. Meu futuros vizinhos.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Sem muito o que dizer


Manhã pouco nublada e de pouca inspiração. Tomando coragem para fazer um trajeto de quase uma hora no Transcol, cujo objetivo é pegar um documento que deveria ter sido feito corretamente no ano passado. Eu mereço!

quarta-feira, agosto 26, 2009

Mais uma boa sacada do Kemp



Ficou bem legal a charge do Kemp sobre o PT "ontem e hoje". O cara realmente é muito criativo e o seu blog (lactobacilo morto) merece uma visita.

terça-feira, agosto 25, 2009

Beth canta Cartola


A primeira dama do samba gravou, a algum tempo atrás, um CD só com músicas do cantor e compsitor Cartola e deu nessa preciosidade. Beth Carvalho é daquelas resistentes da chamada MPB. Com uma carreira consolidada desde a década de 70, a botafoguense, cantora e compositora Beth Carvalho emplacou vários sucessos como:"Saco de Feijão", "Andança", "Rugas" e vários outros sucessos que a tornaram uma verdadeira lenda do samba.
Algumas músicas ganharam um sabor especial na sua vóz como "Coisinha do Pai" (De Jorge Aragão)- que chegou a ser utilizada pela NASA para despertar um robô - e áquela que virou o hino do governo Lula:"Você pagou com traição". Manifestação contra o governo Lula sempre tem o refrão dessa música.
Beth também é a madrinha "musical" de Zeca Pagodinho e, segundo a lenda, foi uma das primeiras a lhe dar oportunidade.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Notícias que não saem em jornais

Ex-servidor poderá pedir danos morais ao SBTA 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça restabeleceu o direito do ex-servidor público Carlos Alberto Soares de cobrar judicialmente indenização por danos morais do SBT. Soares move uma ação contra a emissora com a alegação de que foi vítima de um flagrante armado por repórteres da empresa e policiais de São Paulo, em abril de 1992.

O autor da ação relata, nos autos do processo que, na ocasião, após sair de um almoço com um colega, foi surpreendido por uma equipe da TV e por policiais. Acusado de cometer o crime de concussão (exigir para si ou para outra pessoa vantagem indevida em razão de função pública), Soares teve sua prisão filmada pela equipe do SBT.

Ele alega que os jornalistas da emissora teriam preparado o flagrante e chamado a polícia para prendê-lo. As imagens do fato foram veiculadas pela emissora em horário nobre, no programa Aqui e Agora. Em razão do ocorrido, ele ficou preso durante 35 dias e perdeu o emprego.

Com sérios problemas financeiros e indignado com a falsa acusação, o ex-servidor entrou na Justiça contra o SBT para pedir indenização por danos morais e materiais. A primeira instância da Justiça paulista reconheceu a “armação” e o erro judiciário, mas negou o pedido. O fundamento foi o de que o direito teria decaído porque a ação por danos morais foi proposta três anos após o ocorrido, em abril de 1995. A decadência foi reconhecida com base no artigo 56 da Lei de Imprensa, que estabelece em três meses, contados da data de veiculação da matéria jornalística, o prazo para ajuizamento desse tipo de ação.

Soares recorreu da decisão. A segunda instância confirmou o entendimento de primeiro grau. No recurso interposto no STJ, os advogados sustentaram que a decisão da Justiça paulista violou o artigo 59 do Código Civil de 1916, lei federal que estava em vigor à época em que a ação foi proposta. O dispositivo trata da responsabilidade civil de quem causa dano a terceiros. A defesa também sustentou que o prazo decadencial que deveria ser aplicado ao caso é o previsto na legislação civil, mais amplo, e não o disposto na Lei de Imprensa.

Os argumentos da defesa foram acolhidos pela 4ª Turma. Com base no voto do relator do caso no STJ, desembargador convocado Honildo Amaral de Mello Castro, os ministros do colegiado afirmaram que a Lei de Imprensa não poderia ser aplicada ao caso porque o prazo decadencial nela previsto não foi recepcionado pela Constituição de 88.

O desembargador convocado ressaltou que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 130, já havia suspendido a vigência da parte do artigo 56 da Lei de Imprensa que fazia menção ao prazo decadencial de três meses.

Citando precedentes do STJ, o desembargador mencionou em seu voto que poderia arbitrar o valor do dano moral, concretizando o direito buscado por Soares em 14 anos de batalha judicial. No entanto, ponderou o magistrado, não pôde fazê-lo porque a defesa do ex-funcionário não fez esse pedido e, por lei, é vedado ao juiz decidir além do que foi requerido.

Por causa disso, o colegiado do STJ atendeu o pedido veiculado no recurso, afastando a decadência e determinando o retorno dos autos do processo às instâncias ordinárias da Justiça paulista, que agora deverá julgar o pedido de danos morais. Na prática, a decisão restabeleceu a possibilidade de Soares continuar a buscar seu direito. Com informações da Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça

Fonte: Conjur

domingo, agosto 23, 2009

Fagner e Joan Manuel Serrat




Mais uma das músicas do tempo que Fagner fazia coisa que prestasse. Essa é bem interessante. Feita em parceria com o músico e cantor espanhol Joan Manuel Serrat,cujo trabalho é marcado pelo estilo flamenco (nada a ver com aquela porra de time). Como eu gosto muito de violão instrumental, acho esse trabalho bem legal. Abaixo um pouco de informações em espanhol sobre o que é La Saeta:

"Las saetas aflamencadas nacen en el preciso instante en que el cantaor flamenco siente necesidad de dirigirse publicamente a dios, cantando la antigua tonada, conocida por saeta vieja, y la reviste, inconscientemente, de perfiles flamencos, de expresiones propias del flamenco".

sexta-feira, agosto 21, 2009

Minha ida a São Mateus

Parece até título de redação de algum aluno do primário (séries iniciais , ensino fundamental ou o caralho que for), mas foi mais ou menos como me senti diante de um retorno ao passado proporcionado pela viagem.
Há treze anos não botava os pés na cidade. Fui na incumbência de resolver um problema relacionado ao FGTS - coisa que não consegui - e acabei dando uma pequena volta no lugar onde morei por quatro anos e que tenho boas recordações.
A primeira delas é relacionada ao Ceunes, lugar onde fiz minha primeira faculdade e onde comecei a me sentir gente de verdade (antes eu era gado). Mesmo sendo outro prédio, deu uma nostalgia danada, ainda mais vendo o crescimento da instituição, que esteve prestes a ser fechada. Dois colegas são professores de lá e um deles se encontrou comigo. Foi uma festa só! Segundo ele, há uma discussão sobre trasnformar de vez o Ceunes em uma universidade federal, sem vínculo qualquer com a Ufes.



A instituição já possui quatro departamentos e um bom quadro de professores. Está sendo construído um campus que será maior do que o da Ufes em Goiabeiras. Abaixo está um dos corredores do novo prédio.


A cidade respira história e tem vários monumentos que remontam ao passado colonial deste país, a começar pela igreja velha. Iniciada pelos jesuítas, essa igreja marcou o início da colonização do norte do ES. Nunca foi terminada e teve uma parte destruída a mando de um prefeito louco.





Gostaria de ter tido mais tempo para tomar uma cerveja num bar em frente à Igreja, de preferência a noite, quando fica bem ilumidada.


Dei uma passada no porto, que faz parte do sítio histórico da cidade. Também é do período colonial e foi durante muito tempo um dos principais portos da capitania do Espírito Santo. Cheguei a morar numa das casas, na época em que estava quase tudo em ruinas. Depois que fui embora e que resolveram reformar.


Algumas casas até hoje não foram reconstruidas. Diga-se de passagem: depois que perdeu a importância econômica o Porto de São Mateus entrou em franca decadência e virou área do chamado "baixo meretrício" durante décadas - infelizmente não peguei esta fase. Na metade do século XX, a sociedade conservadora da época expulsou às profissionais do amor que moravam no local e que conservaram durante anos, o casario antigo. Atualmente há uma placa em homenagem às referidas senhoras.




No Porto ainda funciona a Câmara de Vereadores. Foram-se as putas, mas a sacanagem ainda permanece.


Deu também para reencontrar um antigo colega de república que não via há quinze anos. Abaixo duas fotos do Rio Cricaré, que era chamado pelos índios aimorés de Kiri-kiré (rio preguiçoso)


terça-feira, agosto 18, 2009

Ô briguinha gostosa de ver




Domingo de batalha feroz entre Globo e Record
Por Bernardo Joffily

A guerra de trincheiras entre as redes de TV Globo e Record viveu mais uma batalha feroz, com ataques demolidores de parte a parte. As duas emissoras concorrentes se engalfinham desde terça-feira, quando a Globo abriu as hostilidades. Na noite deste domingo (16) os combates chegaram ao paroxismo, misturando de cambulhada religião, política e acusações contra a rival.

Foi um domingo de troca de acusações pesadas. Não o primeiro, sem dúvida, mas talvez o mais destemperado de um confronto que já se prolonga há anos na telinha.

O bispo se defende em entrevista

A Record levou ao ar um programa de uma hora, defendendo seu proprietário, o bispo Edir Macedo, da acusação de ser "chefe de uma quadrilha". O programa da Record foi uma "resposta aos ataques", segundo o apresentador Marcos Hummel. A Record está em campanha, com centro nos templos da Universal, pregando o boicote à Rede Globo.

O ponto central foi uma longa entrevista com o próprio bispo fundador da Igreja Universal, gravada nos Estados Unidos. Foi a primeira entrevista de Edir Macedo desde 2007 – em outro episódio de enfrentamento com a Globo.

A entrevista mostra Edir Macedo em plano fechado. Ele tira os óculos e pede ao telespectador que olhe nos seus olhos e "veja se há tristeza, angústia, desespero". Cita Jesus. E destaca a afirmação "Ninguém chuta cachorro morto".

O bispo se diz "intrigado" com os produtores do Ministério Público Federal de São Paulo, que o acusam de "chefe de quadrilha". "Por que o Ministério Público estadual, por que não o Ministério Público Federal veio fazer esses... questionamentos?"

"Antes eles tinham medo que eu fosse candidato à Presidência da República e hoje eles têm medo que a Record se posicione em primeiro lugar", disse o fundador da Universal e dono da Rede Record.

A Globo contraataca

A Globo contraatacou em seguida. Em dez minutos do Fantástico, repisou pelo sexto dia consecutivo as denúncias contra a Igreja Universal e seu fundador. Destacou denúncias de que o dinheiro arrecadado junto aos fiéis é desviado e mostrou ex-seguidores da Universal que disseram ter sido lesados.

O programa da Globo levou ao ar entrevistas com pessoas que disseram ter doado até R$ 100 mil para a igreja. A reportagem mostrou também uma casa em Campos do Jordão (SP) com doze suítes e elevador panorâmico avaliada em R$ 10 milhões, como propriedade da Universal e prova de seu caráter de "quadrilha".

A reportagem cita constantemente o Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. Acusa as fraudes na Igreja Universal de datarem de pelo menos 10 anos, movimentarem R$ 1,4 bilhão por ano em dízimos coletados em 4,5 mil templos em 1,5 mil cidades do país.

Guerra, religião... e política

O uso de referências militares ajusta-se ao conflito por vários motivos, além do encarniçamento. É uma guerra de de posições, com cada facção entrincheirada em seus bunkers, submetendo o inimigo a um incessante bombardeio de saturação. Suja, lamacenta, penosa, lembra as cenas da 1ª Guerra Mundial, descritas por Erik Maria Remarke no clássico Nada de novo no front.

O confronto lembra também os casos clássicos, estudados desde Sun Tse, de um exército poderoso e estabelecido, que se depara com um inimigo em crescimento, que se vê desafiado por uma potência emergente. A Globo é o velho império, posto em xeque pelo atrevimento da Record.

A conotação religiosa da disputa é ostensivamente assumida pelos dois lados. A Globo abraça a causa do catolicismo, predominante desde sempre no país, mas em continuado declínio. Pinta a Igreja Universal como uma seita de fanáticos. A Record assume sem rodeios o vínculo com a Universal, exibe seus templos repletos de fiéis, praticantes e aguerridos.

Há ainda uma conexão política no conflito, que não aflora abertamente na polêmica mas fica clara no conjunto da programação das duas rivais. A Globo radicaliza o compromisso com a corrente midiática predominante, que fustiga sem cessar o governo Lula e trabalha pela vitória do PSDB na eleição presidencial de 2010. Mantém uma aliança com a mídia escrita, em especial O Estado de S. Paulo. A Record mantém uma aliança tácita com Lula e trabalha habilmente com a imensa popularidade presidencial. Abriga jornalistas dissidentes do pensamento único midiático, como Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha.

Efeitos pedagógicos

O fato é que nesta semana o enfrentamento fugiu do controle. Dois lados não há trégua, quartel ou limite. A imagem tradicional, como espaço de cândido entretenimento, fica consideravelmente arranhada. Até para o telespectador mais desatento revela-se a face de outra TV, interesseira e manipuladora.

De alguma forma, penosa e malcheirosa, essa revelação deve estar produzindo efeitos pedagógicos na multidão dos telespectadores brasileiros. O mais hipnotizante dos meios de comunicação, de repente, expõe em público ao menos uma parte dos seus bastidores.

É como se dois mágicos, prestidigitadores de múltiplos recursos, subitamente se pusessem a delatar, no palco, os truques um do outro. Quebra-se a magia, desmorona o glamour. A platéia, atônita, descobre o que antes lhe ocultavam. Enquanto entretenimento, o espetáculo já não é talvez tão divertido. Mas enquanto aprendizado, ensina um bocado.
Fonte:FNDC


E bem ao longe se ouve uma vóz dizendo assim: " Quem quer dinheiroooo, ahaiii!"

segunda-feira, agosto 17, 2009

Rapidinhas



O Superior Tribunal de Justiça decidiu que os consumidores têm direito a correção monetária dos empréstimos compulsórios tomados pela Eletrobrás. Os ministros da 1ª Seção impuseram uma derrota bilionária à União, que deverá atualizar parte dos valores pagos de empréstimos feitos entre 1977 e 1993. Estima-se que a correção desses valores pode variar entre R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões. Fonte: Conjur
Não se animem, pois a União tem prazo em dobro para recorrer e em quádruplo para contestar

Jornalistas do Espírito Santo realizaram, na última semana, manifestação de protesto contra a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, no Tribunal de Justiça do Estado. Os manifestantes abriram uma faixa com os dizeres “Ministro, saia às ruas: o Brasil quer jornalista com diploma”, para lembrar que a retirada da exigência do diploma pelo STF é um retrocesso profissional. Fonte: Jornal Brasil de Fato
Pois é, essa manifestação foi convocada na véspera, através de um email mandado à tarde. É lógico que deu meia dúzia diante da desarticulação, mas pelo menos alguém falou sobre isso.

Mais interessadas no faturamento do que em qualquer outra coisa, as empresas de comunicação – em especial emissoras de rádio e televisão – costumam abrir espaço e promover os jornalistas levianos e os humoristas preconceituosos, principalmente quando ridicularizam os pobres, os trabalhadores, os negros, as mulheres e as pessoas de esquerda. Os engraçadinhos são sempre muito festejados pela direita! Fonte: Jornal Brasil de Fato
Olha aí Diogo Mainardi! Estão falando de você.

Reconhecido por seringueiros e ambientalistas como um dos principais líderes populares do Acre, o seringueiro Osmarino Amâncio Rodrigues está sofrendo ameaças constantes devido a sua luta em defesa da Reserva Extrativista Chico Mendes. Ele já teve a sua casa, no seringal Humaitá, invadida e destruída, mas a polícia não descobriu os autores do atentado. “Voltei a sentir medo no Acre”, diz Osmarino. Fonte: Jornal Brasil de Fato
É a chamada “Crônica de uma morte anunciada”

domingo, agosto 16, 2009

Bezerra da Silva


O pernambucano Bezerra da Silva encarnou como poucos aquilo que é conhecido como 'malandragem carioca". Ex-morador de rua, Bezerra não teve uma vida muito fácil, o que fica explícito nas letras de suas músicas. Letras que falam com muito humor do cotidiano na favela do morro, da malandragem, de mulheres, do candonblé ( foi assíduo praticante)e da injustiça social.
Com um "pézinho" na marginalidade, Bezerra criou um estilo próprio, um autêntico gangsta rapper do samba partido alto, com letras que falavam explicitamente de drogas, brigas e outros aspectos da malandragem. Refrões como: "É cocadaboa", "produto importado de Bogotá", cairam na boca do povão.
Junto com Dicró e Moreira da Silva, gravou um disco em que parodiava o disco lançado pelos tenores Luciano Pavarotti, Pácido Domingo e Jose Carreras. Uma espécie de ópera/samba da malandragem carioca.
Já no final da vida virou evangélico e fez uma porrada de shows cujo título era "Adeus a malandragem". Morreu pouco tempo depois.
O seu velório teve um aspecto curioso: diante da tristeza que pairava no "evento", Dicró e mais alguns decidiram fazer um "vaquinha" e chamaram todos para beber o defunto num boteco próximo, o que gerou posteriormente um documentário. É como diz o outro: malandro não para, só dá um tempo.

sábado, agosto 15, 2009

O novo monumento da cidade



Nem bem foi inaugurada o pessoal já tá chamando de cartão postal a nova ponte de Vitória, que liga a ilha ao continente. Sinceramente não vi nada de mais e a meu ver tem mais semelhança com um estilingue do que com alguma pretença obra pós-moderna de curvas arrojadas com design futurista. O que deve ter de superfaturamento...

Humor na Kombi



Pois é, inventaram o twitter e agora agüentem. O pessoal da Revista M... criou uma espécie de brain storm misturado com MSN no twitter. Trata-se do Na_kombi que é a reunião de vários humoristas e colaboradores “ zé graça” que inventam frases ou colocações(no bom sentido) sobre um determinado tema a ser, digamos, discutido. Achei a idéia fantástica e muito original desse transporte do humor. O tema do último foi machismo e segue algumas pérolas:

Machismo é: comprar a maior camisinha da farmácia, independente do tamanho do seu pau (@nigelgoodman)
No mercado de trabalho a mulher substitui o homem. Na cama o homem substitui uma mulher por outra mais nova (@nigelgoodman)
Mulheres podem fazer tudo igual ou melhor que um homem... como por exemplo um bife? (@nigelgoodman)
Os homens inventaram a igualdade no mercado de trabalho pra ficar em casa jogando ps3 com os filhos (@nigelgoodman)
Maschismo é: chorar assistindo o meu primeiro amor... (@nigelgoodman)
E essas mulheres bem sucedidas, maduras e independentes? Tudo chora em eliminação de BBB... (@prosopopeio)

Machismo é: acordar de pau duro, mas sem ter vontade de mijar (@nigelgoodman)
Me diz como é que eu vou acreditar num bicho que sangra 5 dias seguidos e não morre. (@prosopopeio)

Nada se compara à fúria de uma feminista vegetariana (@nigelgoodman)
O Médico disse que eu tenho que devo comer carne magra. É, não vai ter jeito. Acho que ter que trair a patroa (@silviolach)

A gente deixou estudar. Tá bom. Deixou trabalhar. Beleza. Votar. Tudo bem. Mas mulher jogando futebol é foda... (@prosopopeio)
Só me falta neste país um pedaço de costela virar presidente. (@prosopopeio)
As mulheres cobram muita da gente. Outro dia me cobraram R$ 100.
O problema é que enquanto a mulher luta para ser respeitada e reconhecida, o homem luta para ver o futebol em paz (NG)
Legal ver mulheres no twitter. com as redes wifi, hoje em dia a internet chega até na cozinha (@nigelgoodman)
Machismo é: aprender o prazer de pizza gelada por preguiça de esquentá-la (@nigelgoodman)
Quando vejo estacionamento c/ paredes marcadas, fico orgulhoso do número de mulheres que têm seu próprio carro (@ulissesmattos)
Machismo é: ficar hipnotizado pelas bugigangas das tabacarias. faca, miniatura de carrinho e fichas de poker, tudo que um homem precisa (NG)
Não é a Miriam Leitão que é feia. Foi você que só bebeu 15 caipirinhas. (SL)
De um amigo depois de gozar no cabelo da moça: "calma amor, vira laquê". ( aí, nigel, em tua homenagem)
A gente olha pra bunda delas. Elas olham pra nossa poupança ( @silviolach)
É xeque, xeque, xeque, xeque e mais xeque.. Caralho, até no xadrez essas damas não param de consumir. (com licença poética) (@silviolach)
Machistas são a favor da liberação da mulher. Mais especificamente da liberação da buceta da mulher (@nigelgoodman)
Meninas do Jô. Não dá pra ir pra cama com elas. (SL)
Certa vez, num bar, um colega pediu uma caipirosca com adoçante. Me levantei e fui embora, não bebo com viado. (@prosopopeio)
Machista é um idiota querendo irritar as amigas. Feminista é uma lésbica que não quer mais se depilar (@nigelgoodman)
Deus é tão machista que nos mandou um filho em vez de filha e ainda fez questão que a mãe fosse virgem. (@ulissesmattos)
Machismo é: achar essencial ter um martelo em casa, mas pendurar quadros coisa de viado (@nigelgoodman)
Machismo é: chorar vendo cargapesada (@nigelgoodman)
Mulher gosta de homem escroto... na verdade acho que é mais falta de opção (@nigelgoodman)
É válido comer barangas. Deve ser encarado como jogo-treino.
Mulher bonita até bicha come. Mas só homem de verdade encara uma fubanga. (@faustosalvadori)
Um homem inventou a Teoria da Relatividade. A mulher ainda tá naquela de discutir relação. (@ulissesmattos)
Os senadores ficam brigando, bancando os machos. Macho mesmo, pra mim, é o que der um pega na Ideli Salvati.(@silviolach)
Macho mesmo é o Sarney que fode todo mundo e não sai de dentro. (@silviolach)

Se...



Essa palavra demonstra o quão rica e ao mesmo tempo complexa – e difícil para caralho – é a língua portuguesa. Ao percorrer os meandros que cercam o nosso vernáculo, percebemos a multiplicidade de funções de várias palavras.
A partícula se pode serconjunção subordinativa condicional, equivalente a palavra “caso”. Pode ser uma conjunção subordinativa integrante, introduzindo oração subordinada substantiva, como por exemplo: Não sei se ela vem.
O se é também pronome apassivador e índice de indeterminação do sujeito. Como diferenciar? Tente passar a oração para agente da passiva (vozes do verbo). Se conseguir é pronome apassivador, se não der é índice de indeterminação do sujeito. Um bom exemplo são as frases: Come-se bem aqui e Come-se feijoada aqui.
Pode ser parte integrante do verbo ou partícula expletiva, àquela que se for retirada da frase não fará falta e acaba não servindo para porra nenhuma.
Tem também o uso na sintaxe de colocação envolvendo os casos de próclise (em se desculpando), ênclise (Devotava-se ao alívio) e mezóclise (Far-se-ão exercícios). São as regras da sintaxe de colocação que condenam expressões como: O carro se atolou-se.
E para quem acha que acabou o caráter multiuso do se, é só partir para o campo da lógica pois o mesmo é um conectivo lógico. É utilizado nas proposições bicondicionais na tabela verdade como “... se e somente se...”, além de ser utilizado na condicional “se... então...”. Nesse caso P é condição suficiente para Q e Q é condição necessária para P. Por isso Q, se P, todo P é Q, P implica Q e P somente se Q. Não entendeu? Então passe a freqüentar algumas aulas de lógica como este que escreve.

Notícias que não saem nos jornais

TRF2 mantém condenação de colunista do jornal “A Gazeta” pelo crime de racismo contra índios

A 2ª Turma Especializada do TRF-2ª Região, por unanimidade, confirmou a condenação imposta pela Justiça Federal do Espírito Santo ao colunista Gutman Uchoa de Mendonça pelo crime de racismo. De acordo com os autos, o colunista divulgou “mensagens racistas e discriminatórias, por meio de artigos publicados no jornal ‘A Gazeta’, incitando e induzindo a discriminação contra minorias”. Nos termos da sentença, Gutman, que tem mais de 70 anos, deverá cumprir um ano de serviço à comunidade. A decisão se deu em resposta à apelação criminal apresentada pelo réu, que pretendia sua absolvição.
O relator do caso no TRF2, desembargador federal André Fontes, explicou no seu voto, que “o colunista do jornal “A Gazeta” publicou durante o primeiro semestre de 2000, três artigos nos quais imputou aos índios adjetivos claramente discriminatórios, tais como ‘indolentes’, ‘preguiçosos’, ‘ociosos’, ‘inúteis’ e ‘arredios”, ofendendo, também, a cultura indígena ao qualificá-la como ‘burra’, ‘estúpida’, ‘predatória’”.
Para o magistrado, o direito de liberdade de expressão “não deve ser exercido de modo absoluto, irrestrito, sob pena de violação a outros valores igualmente relevantes, como o princípio da dignidade humana”, ressaltou. Se o réu - continuou -, “de forma consciente e voluntária, por meio de artigos publicados em jornal, praticou, induziu e incitou a discriminação contra os índios, incorreu no tipo penal de racismo”, encerrou.


E agora A Gazeta? Vai perder seu rascunho mal feito de Paulo Francis misturado com Hitler?

Jornada ao fundo da picaretagem




A minha via crucis em busca de um emprego público rendeu um episódio bastante ilustrativo sobre a falácia em trono da ideologia que permeia os cursinhos preparotórios para concursos públicos. Atendendo a uma exigência dos editais de concursos, os cursinhos instituíram uma disciplina chamada atualidade. Sim meus amigos, atualidades! Algo que abarca conhecimentos que vão desde a influência da camada de ozônio na refração dos raios solares até a relação da seca do nordeste com a obra de Cecília Meireles. Ou seja: tudo o que aconteceu e acontece no mundo. Só isso!
Como sou formado em geografia e jornalismo (in memorian), sempre achei esse negócio de atualidades uma besteira, uma forma a mais de ferrar com o candidato a uma vaga em concurso. Entretanto, como tenho alguma noção dos temas ligados a essa “matéria”, considero que isso possa vir a me dar alguns pontinhos.
Eis que fui assistir a uma aula num desses cursos – só para ver se prestava – e me deparei com uma aberração. A aula, que a princípio seria de português, foi substituída por atualidade. Pensei: “Já que estou aqui mesmo vou ver como é”!
O professor chegou mais cedo e foi logo escrevendo o email, MSN e o escambau. Segundo ele, qualquer aluno poderia entrar em contato com o próprio até de madrugada, já que dormia apenas três horas. O referido cidadão afirmou dar aulas em vários cursos, sendo inclusive professor da UERJ – deixou transparecer aquele sotaque “ichperto”.
Quando o pretendo mestre começou a falar, meus ouvidos foram agraciados com um festival de bobagens, mentiras e sandices, que a princípio deixou-me em estado de choque. “Que porra é essa!” elucubrei.
Uma sensação ruim foi tomando conta de mim e meu primeiro ímpeto foi sair correndo. Depois olhei para os lados e percebi que havia crentes nas mensagens proferidas por esse Jim Jones dos cursinhos. Daí então comecei a anotar as besteiras mais contundentes ditas pelo picareta.
Recebi informações do embusteiro de que Lula tem direito ao terceiros mandato (só não concorre porque não quer), de que ele possuía um documentário sobre a fome (datado de 1928), que a Bahia faz parte das principais capitais, de que Vitória é cercada por rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Bahia e Brasília, que o Espírito Santo é o estado onde menos se lê em todo país, que Juiz de Fora é um centro de livros e que a Espanha deixou de ser o cocô do cavalo quando fez um investimento absurdo em educação (só então apareceu para Europa).
A metralhadora giratória desse bufão continuou. Afirmou categoricamente que não existem políticas públicas voltadas para a área de inteligência em nosso país, que a polícia ganha pouco em todo mundo, que não existe mais chacina no mundo (só no Brasil) e que a primeira droga do pobre foi “cheirinho da loló”, mencionado também que a cocaína foi introduzida em nosso país pelos playboys das famílias “Guiler” (ele quis dizer Guinle) e Matarazzo.
É claro que esperei o intervalo para ir embora, pois ficar até o final dessa “aula” seria uma ofensa ao meu senso crítico. Não ia agüentar e começaria uma discussão sobre as besteiras ditas pelo parlapatão. Algo que só traria desgaste e esforço desnecessário.
No entanto, é sempre bom ressaltar o modus operandi desses estelionatários do saber. São verdadeiros ceifadores de caraminguás, muitas vezes oriundo de um grande centro – neste caso, o Rio de janeiro. Nada contra os cariocas, mas é muita presunção de um “ichperto” achar que pode enrolar os “otários” aqui da província.
O bálsamo em minh’alma é saber que, como todo estelionatário, a verdade irá confrontar com esse picareta e então a casa cairá. Ou melhor: o barraco na croca onde habita este ser, localizada em solo fluminense, irá despencar.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Notícias que não saem em jornais

Entidades civis não fecham posição sobre quórum da Confecom

Por Mariana Mazza

O impasse continua claro na organização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Enquanto o governo não consegue convencer as empresas a se manterem no debate, hoje foi dia de tentar angariar apoio entre as entidades representativas da sociedade. Mas, mesmo neste segmento não há consenso sobre o método que deve ser adotado para a construção das pautas. Assim, o encontro realizado nesta terça-feira, 11, entre as entidades e os ministros Franklin Martins (Secretaria de Comunicação Social), Luiz Dulci (Secretaria Executiva) e Hélio Costa (Comunicações) foi inconclusivo.

A conversa serviu, basicamente, para que o governo apresentasse a proposta de distribuir o peso dos votos em 40% para as entidades civis, 40% para as empresas e 20% para as representações governamentais. Esse método teria sido sugerido pelas empresas e aceito pelo governo como uma via para a negociação, evitando que as associações empresariais abandonem a organização da Confecom. Mas um aspecto intrigou os participantes do encontro.

Ao contrário do que foi dito pelos participantes da reunião entre empresas e governo na semana passada, o tão falado "quórum qualificado" não seria de 60% mais um, ou seja, com a participação mínima de todos os segmentos em todas as votações. O governo declarou às entidades civis que o quórum qualificado é de apenas 60%, sem qualquer tipo de veto. Dessa forma, se um determinado segmento se unir em torno de uma pauta e conseguir o apoio do governo, a proposta será aceita mesmo que contrarie todo o outro segmento.

A ideia de uma espécie de voto mínimo de todos os segmentos envolvidos abriu caminho para que as empresas repensassem se realmente abandonarão o evento. A palavra final deve ser dada na próxima quinta-feira, 13, em nova rodada de negociações entre empresas e ministros. Ao menos duas associações, Telebrasil e Abra, ainda estariam cogitando permanecer na Confecom.

Sem acordo

Da parte das entidades civis, também há consenso com relação ao quórum de votação. Hoje, as entidades acabaram usando a mesma tática já aplicada pelas empresas: não apresentaram posição ao governo e pediram mais tempo para consultar suas bases antes de fixar uma opinião. Como o governo concedeu o tempo pedido pelas empresas, também acabou cedendo às entidades. O novo encontro poderá ocorrer na próxima semana.

Fonte: FNDC

quarta-feira, agosto 12, 2009

O eterno campeão moral dos festivais de música



Campeão moral dos festivais. Injustiçado.Maldito para os jurados e gênio para o público. Esses são alguns adjetivos que podem traduzir o que Osvaldo Montenegro se tornou em relação aos festivais de música organizados pela Globo nos anos 80.
Bandolhins foi a música que marcou a entrada de Montenegro no panteão dos cantores e compositores mais geniais da MPB. Incrivelmente essa música não ganhou o festival organizado pela Globo (acho que foi em 1984), mas mostrou a sua genialidade como letrista, cantor, instrumentista, arranjador e o escambau.
Montenegro ainda tentou emplacar outra música no festival da MPB de 1986, também organizado pela TV Globo. A música "Quando voa o condor" reuniu um coral de mais de 30 possantes vozes negras, lembrando aqueles cultos "sprituals" das igrejas norte-americanas. Apesar da genialidade, os jurados não conseguiram alcançar a idéia orginal e não o perdoaram por isso. Elegeram como vencedora a música "Escrito nas Estrelas" de Tetê "taquara rachada" Espíndula.
Cançado de ser garfado nos festivais - até parece o Botafogo - Montenegro investiu na sua carreira como intérprete, lançando alguns sucessos no final dos anos 80. No início da década de 90, com as monoculturas - axé, pagode, sertanejo - praticamente desapareceu. Entretanto, sua obra permanece firme e forme, mostrando que um dia esse país já teve uma boa safra de cantores e compositores talentos e criativos.

Zé Ramalho



Mais um nordestino marcando presença no blog. Marca presença e também faz parte do clube do capitão presença - se é que me entendem. O primo mais famoso da Elba Ramalho e ex-marido da Amelinha representa um pouco o sonho nordestino de se dar bem no sul maravilha. Paraibano, chegou a Rio de janeiro com uma mão na frente e outra atrás. Teve que fazer michê (assumiu isso em diversos programas de TV) para poder se sustentar e investir no seu sonho de ser um músico de sucesso.
A aposta deu certo. O cara realmente é bom cantor e sabe fazer boas letras, coisa que não se vê muito hoje em dia.
A minha primeira referência do Zé Ramalho foi num daqueles festivais de música que a Globo fazia nos anos 80. Competiu com uma música que não me recordo e sua ex-companheira também estava na disputa com outra música de sua autoria: Frevo Mulher. Quem conhece a lógica dos festivais já deve presumir que nenhum dos dois ganhou e a vencedora é aquela que só agradou os jurados e ninguém se lembra.
Apesar de não ter ganhado, a carreira dele ganhou um "up" e começou a emplacar alguns sucessos, como a Serpente e a Estrela, Avohai e várias outras que chegaram a ser temas de novela da Globo.
Seu trabalho é marcado por uma forte influência de ritmos nordestinos como baião, forró (Frevo Mulher), misturado com rock e MPB. A combinação é muito boa e o trabalho é de qualidade. Qualidade que permanece até hoje nos seus últimos lançamentos, feitos sem tanto alarde na mídia. Vale a pena escutar.

Ivan Lessa e as mudanças na última flor do lacio




Hifen-ação

Por Ivan Lessa


Pronto, começou a besteira


Os brasileiros estão há quase 20 anos (a bobajada começou em 1990) se esfalfando no sentido de uniformizar a língua portuguesa (palavra derivada de Portugal, país europeu da península ibérica) em sua ortografia. Diga-se de passagem que só brasileiros e portugueses se “esfalfam”. Em países menos importantes, feito Moçambique e Angola, “dá-se duro” mesmo.
Brasileiro adora reforma ortográfica. Três acordos oficiais foram aprovados pelos países lusófonos (de luso, ou seja, relativo a Portugal ou o que é seu natural e habitante): em 1943, em 1971 e, em tese, essa que deverá entrar em vigor no ano que vem, 2008. Isto, claro, se os portugueses (ou lusos, lusitanos ou ainda “nossos queridos primos e avozinhos”) concordarem pois, sem eles, nada feito.
É necessária a ratificação por pelo menos três países lusófonos. Saibam que, no Brasil, em 1995, quem aprovou a reforma foi o… o… exatamente, nosso Congresso. Podem rir agora.

As glórias de nossa língua

Segundo estudos fidedignos, o português (de Portugal, luso, lusitano etc.) é a quinta língua mais falada no mundo. Cerca de 210 milhões de pessoas praticam a língua de Camões e José Sarney. Segundo outros estudos, esses 210 milhões falam todos ao mesmo tempo e sem parar. E bem alto.
O português (de… creio que vocês já pegaram o espírito da coisa) tem duas grafias oficiais, o que dificulta o estabelecimento da língua como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas, a ONU. Coisa que nos é indispensável.
Segundo acadêmicos e congressistas brasileiros, uma ortografia-padrão (falaremos logo adiante do hífen) facilitaria o intercâmbio cultural entre os países que falam o português, a saber, a Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, ou CPLP, entre aqueles – aliás, a maioria – que adoram siglas e acrônimos. Esta Comunidade, com C maiúsculo (outra paixão nossa: o maiúsculo), é composta por oito países: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (os dois são um só) e Timor Leste (o Timor Oeste está noutra).
Há um argumento segundo o qual os livros, principalmente os científicos e didáticos, circulariam então livremente entre os países, sem necessidade de revisão, como já acontece em terras onde o espanhol é falado e cantado em tango, bolero, rumba e escritos do Gabriel Garcia Márquez. Argumenta-se ainda, como se não bastasse, que a padronização do ensino do português seria sentida (ai!) ao redor do mundo.

Espiquíngres

Antes que eu me esqueça: o inglês do Reino Unido e o inglês dos Estados Unidos, dois importantes países que fazem parte da ONU, não viram necessidade de criar uma Comunidade de Países da Língua Inglesa, que incluísse Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e outros menos cotados.
Os ingleses escrevem e montam “theatre” e os americanos e o resto da turma levam em cartaz “theater”. Ninguém fica confuso com isso, e todas as palavras terminadas, no Reino Unido, em “our” (labour), e nos Estados Unidos em “or” apenas (labor), continuam assim nos livros editados dos dois lados do Atlântico e lá pela Oceania também.
Nunca um australiano perdeu seu “centre”, ou “center” de gravidade com essa filigrana, para nós rebuscada e de difícil compreensão. E nem vou falar no que uns e outros anglófonos fazem do uso do S e do Z em certos verbos.
Em compensação, São Tomé e Príncipe não tem (não têm?) a menor idéia de qual a diferença entre “acto” e “ato”, “facto” e “fato”. Vivem confusos.
Guiné-Bissau só se preocupa com o que vai ser de seu hífen. O hífen nos é de suma importância. Embora os portugueses vejam essa coisa toda como uma tolice muito grande e, práticos e educados que são, vão mandando a reforma para as calendas.

Tremas, tremei!

Ah, sim. Entre dezenas de outras besteiras, nossos lecsicógrafos e congreçistas querem abolir o trema. Saibam que este sinal diacrítico já foi abolido em Portugal em 1946. Foi como quando nós abolimos a escravidão: ninguém ligou.

O danado do hífen

Pedra fundamental da reforma proposta é o hífen.



Nossos lexicógrafos querem mantê-lo nos substantivos compostos (arco-íris, guarda-chuva) e nas palavras compostas (norte-americanos, anglo-americano). Mas o hífen é para ser chutado para corner (e escanteio também) em palavras nas quais “se perdeu” (conforme dizem eles) a noção de composição. Feito paraquedas e paraquedista.
Na mesma prefixação, querem sempre um hífen antes do H. Ex e vice não mudam. Caso contrário, eles perdem a prazerosa pensão.
Guiné-Bissau quer saber, eu quero saber, o mundo inteiro quer saber, se vai ou não perder o hífen. Idem, Timor Leste.
As outras crises são passageiras. Fome, passa. Hífen, não.

The damned hyphen

Não sei se foi influência da bossa nova (ou bossa-nova?) ou do neorealismo (neo-realismo?) cinematográfico brasileiro, mas o raio da questão do hífen baixou aqui.
Na mais recente edição revista desse monumento-tesouro que é o Oxford English Dictionary, 16 mil palavras até agora hifenadas foram para as blicas. Monumento-tesouro, por exemplo. Folha de parreira, outro. Todo mundo se acostumou a ler, ver e usar “fig-leaf”. De repente, tacam um “figleaf” na gente, nos deixando a todos com as vergonhas à mostra. Motivo alegado? A rapidez com que movemos nossos dedos pelos teclados dos computadores. Acham que nossos dedos se cansaram de sair catando o tracinho horizontal para fazer a devida ligação. Sem hífen é mais prático.
Os poetas, que amam o hífen, para colorir este mundão sem graça, estão uma fúria. Acabou-se, ao menos para o Oxford, a “copper-coloured hair” e o “rosy-fingered dawn”. E por aí afora. Uma tristeza. Resta o consolo de saber que não haverá multa ou prisão para quem não seguir o que é apenas sugestão e não lei do Oxford.
Na nossa reforma, nada vi até agora que esclareça ou fale dessa outra paixão nossa: obrigatoriedade, pena de prisão, pau-de-arara (pau de arara?) e um sem mundo de penas para quem não cumpra o burríssimo e inútil esquema.

Ivan Lessa, jornalista e escritor, escreve para o sítio do serviço brasileiro da BBC, no qual o artigo acima foi originalmente publicado.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/

terça-feira, agosto 11, 2009

Notícias que não saem em jornais

Luiza Erundina acusa empresários de dificultarem realização da Conferência de Comunicação

A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), representante da Câmara na comissão organizadora da primeira Conferência Nacional de Comunicação, afirmou que empresários tentam inviabilizar o evento, dificultando o cumprimento dos prazos para a realização das conferências preparatórias locais e estaduais.

Na última quarta-feira (5), os ministros das Comunicações, Hélio Costa; da Secretaria-geral da Presidência, Luiz Dulci; e da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, garantiram que farão o possível para trazer o setor empresarial das comunicações de volta ao debate.

Em reunião com representantes dos empresários, foram feitas considerações sobre a permanência deles na Conferência, informou a Agência Câmara. Para os ministros, as premissas apresentadas para o afastamento dos empresários - como o direito de propriedade e liberdade de expressão - já estão garantidas pela Constituição Federal.

Segundo Erundina, "há uma dificuldade enorme para definir o quorum de deliberação no âmbito da própria comissão organizadora, para definir a proporção de delegados em relação aos vários setores que vão compor essa conferência nacional. Enfim, a atitude dos empresários durante todo o tempo foi de resistência, de protelar as decisões, sem as quais não dá para cumprir o calendário que ficou definido para as conferências preparatórias".

O calendário prevê que a conferência será realizada de 1º a 3 de dezembro deste ano. As conferências estaduais deverão ser promovidas até 31 de outubro e as locais até 20 dias antes da conferência estadual.
Fonte:Portal Imprensa

segunda-feira, agosto 10, 2009

No tempo em que Fagner fazia coisa que prestasse



Num passado não tão distante assim, existia um cantor chamado Raimundo Fagner que tinha um repertório variado,dotado de forte influência nordestina, passando também por ritmos latinos, samba, chegando ao ponto de musicar um poema de Cecília Meireles. Músicas como Noturno (esta que está postada), Revelação, Canteiros, dentre outras fazem parte de um dos principais discos da MPB produzidos no anos oitenta. Por onde andará este cantor?

sexta-feira, agosto 07, 2009

Abrindo a caixa de pandora



Tem situações que só mesmo recorrendo à mitologia grega para explicar o que acontece em nosso cotidiano. Numa rápida explanação sobre o mito grego em questão, Pandora era uma mulher dotada de uma enorme curiosidade e que, ao abrir uma caixa que continha todos os males do mundo, libertou-os e fez com que a humanidade fosse punida. Pois bem, senti-me como a personagem do mito ao mexer numa situação.
Desempregado e com vontade de regularizar algumas pendências enquanto tenho tempo, resolvi dedicar-me ao assunto "averbação de aposentadoria". Para isso separei toda minha documentação referente aos lugares que trabalhei, com o intuito de deixar previamente legalizada a minha situação ante a famigerada Previdência Social deste país. Não que eu esteja próximo de aposentar, mas a idéia é evitar o máximo de aborrecimento.
Como resolvi antecipar a aporrinhação fui até a agência do INSS, ciente de que ira perder um bom tempo. De cara descubro que o INSS não faz averbação o que já me deixou preocupado, pois estaria perdendo tempo. Ao conversar com a servidora pública, descobri que no meu cadastro não consta o registro de alguns de meus empregos. Perguntei a ela sobre o motivo e ela me explicou que deveria ir à Caixa Econômica Federal solicitar a cópia do extrato do FGTS de duas dessas empresas, documento este que foi jogado no lixo há muito tempo.
Como se não bastasse isso recebi a inglória notícia de que dois anos trabalhados em uma Prefeitura poderiam ser desconsiderados já que o certificado de contribuição previdenciária não é compatível ao exigido pela lei. Traduzindo num português bem claro: a prefeitura pode não ter convênio com o INSS e trabalhei dois anos de graça para a previdência do município.
E ainda tinha mais: teria que comprovar junto ao instituto de previdência do governo do Estado o período que trabalhei como designação temporária – para quem não sabe é um eufemismo para escravidão – e trazer o documento.
Fui ao tal instituto onde encontrei aquele pessoal encastelado na estabilidade de um mundinho fechado, com total desinteresse para atender ao pedido alheio. Depois de quase dez minutos de explicação, me informaram que o referido documento teria que ser requisitado na Secretaria de Recursos Humanos. Na referida Secretaria fui informado que houve uma mudança na lei e uma parte da documentação poderia ser obtida lá, a outra seria no próprio instituto de previdência – o mesmo que me encaminhou para essa Secretaria. Depois de muita argumentação e tempo perdido a funcionária da Secretaria disse que ambos poderiam ser feitos lá mesmo, mas que o documento solicitado ao instituto de previdência “levaria uma vida” dando como exemplo a situação dela própria.
Não contente com essa peregrinação macabra, resolvi ir á Caixa Econômica e ver a situação do extrato do FGTS. Lá, descubro que tenho que ir ao Ministério do Trabalho para solicitar outro documento. Daí para frente decidir ligar o botão de “foda-se” e não fiz mais nada. Comecei a pensar:Pra que eu fui mexer nessa porra!
O cansaço dado pela burocracia estatal é algo infinito. Parece que quanto mais você quer se organizar perante o Estado, mais aparecem às dificuldades. Fico pensando se todo mundo resolvesse a não se submeter mais a essas situações. A máquina do Estado pararia? Provavelmente não. Entraria em colapso inicialmente, mas o governo daria um jeito rapidinho para simplificar as coisas.
Talvez seja uma boa idéia aquele papo de desobediência civil que tem algum respaldo naquelas comunidades caipiras dos EUA. Na visão deles o Estado é uma máquina opressora que só quer saber de confiscar cada vez mais o seu dinheiro, sem que haja retorno algum.
Loucura? É só ver como era a nossa situação no Brasil colônia, onde o pessoal fazia rebelião contra carga de impostos excessiva. Hoje pagamos mais impostos, com uma burocracia avassaladora e quase ninguém fala nada. Vale aquela máxima: O Estado socializa impostos e privatiza benefícios.
Enquanto isso eu e todos desse país vamos antecipando ou adiando a abertura das nossa caixas de pandora e purgando ante a burocracia.

terça-feira, agosto 04, 2009

Um pouco de Aldir Blanc

Segue abaixo um texto publicado no jornal da ABI, onde o genial Aldir Blanc presta uma homenagem a outra fera, Fauto Wolf

Fauto e os fogos
Fausto Wolff é desses raríssimos brasileiros que merece o epitáfio: “Trabalhou até morrer”.

Já sofrendo de algumas seqüelas do quadro que o matou, as letras do teclado por vezes se embaralhavam, mas Fausto não desistia e ouvia-se sua voz a um quarteirão de distância:

- Cadê a porra do F?

Devo muito ao Fausto. Quando eu ainda estava na fase de leitura capa e espada, Charlie Chan, Sherlock Holmes e tal, um amigo do prédio onde morávamos, na Maia Lacerda, coração do Estácio, me convidou pra ouvir long-plays de jazz na cabine da Loja Palermo, que ficava no Largo da Carioca. De lá, fomos parar na Livraria Civilização Brasileira, rua Sete de Setembro. Não sabia que essa tarde mudaria minha vida. Na Palermo, comprei um LP do Oscar Peterson (aquele no qual a primeira faixa do lado A é uma sutilíssima interpretação de Corcovado), com a foto do trio no palco e me apaixonei pela cintilante bateria. E na Civilização, meio duro, acolhendo as dicas do amigo Gilberto, comprei “Tijolo de Segurança”, do Carlos Heitor Cony e o “Acrobata pede desculpas e cai”, do Fausto Wolff. Devorei os livros. Deu-se o rito de passagem e a meninice foi (quase) definitivamente embora, Sandokan, o Pimpinela Escarlate, O Gavião dos Mares e tantos outros heróis cederam lugar aos personagens dos romancistas brasileiros, na Coleção Vera Cruz, da mesma Civilização. Jamais quitaremos a dívida contraída com Ênio Silveira.

Depois conheci o Fausto no Pasquim. Ele carregava vários livros: “Parque Górki”, de Martin Cruz Smith, no original, e outros em francês e alemão. Jaguar estava sentado, de calça lee e botas, sobre uma pilha enorme de revistas estrangeiras, com uma tesoura na mão, acho que organizando uma espécie de arquivo. Minha amizade crescente com Fausto estreitou-se com a troca de opiniões quando escrevíamos na revista Bundas, no Pasquim 21 e no Caderno B. Fausto tinha sempre uma palavra de estímulo, mas não deixava passar cochilos e sabia bater duro.

Muitos contarão histórias fantásticas sobre o Fausto. Tenho a minha. Mari e eu fomos passar um fim de ano com ele e Mônica, em seu apê, na Avenida Atlântica. Orgulho-me de ter sido o primeiro a chegar e o último a sair. Revi o Claudius, o Pamplona, o Chico Paula Freitas, só gente fina. Na hora dos fogos, Fausto virou duas cadeiras para a janela e disse, peremptório:

- Senta aqui, porra!

Ficamos bebendo, sem dar muita bola para aquela meia hora de luzes e esporro. Quando o show pirotécnico terminou, Fausto deu uma levíssima balançada ao levantar e foi descansar rapidinho. Uns quinze minutos depois, reapareceu de copo em punho, virou duas cadeiras pra janela e me chamou de novo:

- Senta aqui, porra! Vamos ver os fogos juntos!

Até hoje, tamanha a força que Fausto me inspirava, fico pensando se ele havia esquecido dos fogos ou se estava determinado a permanecer ali, bebendo, até o fim do ano que começava. Sou ateu, mas se houver outra vida, já tenho a frase que direi ao rever o Fausto:

- Vim ver os fogos, porra!

E cantaremos a Internacional.

Texto de Aldir Blanc para o Jornal da ABI (pg. 47).

Campanha: E o sarney nada!



A revista e o site M... (de merda mesmo!) está fazendo uma campanha chamada "E o Sarney nada!" cujo objetivo é incentivar os chargistas e pessoas criativas a publicar charges e montagens com a imagem de Sarney nadando literalmente no material que dá nome a revista e site. Como gostei da idéia, resolvi da uma força ao pessoal da M... e divulgar ainda mais a campanha.
Sobre o protagonista dessa campanha, a abertura das seções do Senado deram bem o tom que vai marcar as próximas semanas. O homem tá literalmente balançando! Tá realmente na M... O curioso foi ver o debate entre Pedro Simon, Renam Calheiros e o Collor. Este último teve seu nome citado e num acesso de fúria (o bicho chegava a tremer) mandou que Simon engolhisse as palavras. Imagino o filme de terror que deve ter passado na cabeça do Fernandinho quando Simon falou que Renam mudava de posição conforme o governo e que tinha sido líder do governo Collor no Senado.
É Fernado Collor, o tempo passou, muita gente esqueceu, mas o cheiro de M... ainda está entranhado em você.

Notícias que não saem nos jornais



A Folha quer o fim da TV Brasil
Por Marcelo Salles Agência Carta Maior

Em editorial, a Folha de São Paulo defende o fechamento da TV Brasil para "não desperdiçar o dinheiro do contribuinte". O jornal da família Frias não vê, por outro lado, nenhum problema na existência de um oligopólio privado na televisão aberta. É como se fosse natural que apenas 6 empresas tivessem o direito de se comunicar via tv com 191 milhões de pessoas. O artigo é de Marcelo Salles.

A Folha quer o fim da TV Brasil. Em editorial publicado hoje argumenta que a audiência é baixa, que sua criação não foi um ato democrático (porque nasceu de um decreto) e que gasta, por ano, 350 milhões de reais do dinheiro do contribuinte. Por isso, encerra o texto da seguinte forma: “Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada – antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte” (veja a íntegra abaixo).

Eu tenho críticas à TV Brasil, mas nenhuma delas tem a ver com a opinião da Folha. Aliás, seria bom a gente perguntar: a quem serve a Folha? No cabeçalho se diz que é um jornal a serviço do Brasil, o que soa como piada pra quem conhece minimamente a história da imprensa do país. Pra não ir muito longe, basta dizer que o jornalão emprestou veículos para a ditadura. Mas talvez isso seja uma questão de ponto de vista: estavam, diria o jornal da “ditabranda”, a serviço do Brasil contra a Comunidade Comunista, que pretendia se instalar no governo federal.

Voltando. A TV Brasil é uma tentativa de cumprir a Constituição, que determina a complementariedade entre os serviços privado, público e estatal. Hoje só existe o privado e, tenho certeza, isto tem a ver com o lixo jogado no ar todos os dias. Sim, amigos, a televisão privada brasileira é um lixo. Não presta. Raríssimos são os programas razoáveis. Na Globo, por exemplo, nada menos que metade da programação entre 12h e 24h é de novela. E de uma novela que dissemina os piores valores morais que existem.

Posso concordar que existem erros graves na TV Brasil, e o primeiro deles foi a entrega dos cargos de direção para jornalistas oriundos das corporações de mídia. Com isso o governo indicou uma conciliação, não uma mudança substancial no jeito de fazer jornalismo. Assim, não é à toa que muito do conteúdo veiculado pela TV Brasil, sobretudo nos telejornais, tem sido muito parecido com aquele das corporações privadas (ver a carta do Mário Augusto Jakobskind à Ouvidoria da emissora).

Por outro lado, não dá pra dizer que é tudo igual. Se pegarmos a programação como um todo, veremos a existência de iniciativas que jamais teriam vez no atual sistema privado de televisão. É o caso dos documentários, que dão voz e vez aos segmentos da sociedade que só aparecem na mídia corporativa como bandidos.

Por isso, o governo precisa se manter firme diante da pressão da Folha. E contra-atacar. Pra começar, coloque em pauta a mudança na lei que criminaliza as rádios comunitárias e determine que sua Polícia Federal vá se preocupar com aqueles que realmente ameaçam a sociedade. Essa babaquice de inimigo interno já fez muito mal ao país. Enquanto calam as vozes do povo, armas e drogas atravessam nossas fronteiras numa boa. O Rio está infestado delas, e boa parte da culpa é da falta de fiscalização.

No Brasil arcaico do século XXI, as emissoras privadas de televisão, todas golpistas, ainda recebem dinheiro grosso do governo (meu, seu, nosso) para veicular campanhas publicitárias de saúde pública. Em países um pouquinho mais civilizados isso não é assim, pois como as emissoras privadas são concessões públicas (decididas pelo meu, seu, nossos representantes no Congresso), trata-se de uma obrigação ceder espaço para veiculação de mensagens de interesse público, sobretudo em relação a epidemias (como, atualmente, a gripe suína). Isso a Folha não critica.

Assim como não vê problemas na existência de um oligopólio privado na televisão aberta. Justo o jornal que faz propaganda dizendo-se democrata (”quem lê a Folha fortalece a democracia”). Deveria ser processado por propaganda enganosa. A Folha não se incomoda com a SS brasileira, a Sociedade Sinistra que congrega TV Globo, RedeTV, Band, CNT, SBT e Record. É como se fosse natural que apenas 6 empresas tivessem o direito de se comunicar via tv com 191 milhões de pessoas. E, pior, é como se fosse natural que esse oligopólio se posicionasse, compacto, pela economia de mercado, pela cultura enlatada, pela política coronelista (Sarney foi “descoberto” com 30 anos de atraso), pelo imperialismo e pela exploração das riquezas e do povo brasileiro. É isso que veiculam, todos os dias, e, se discordam, desafio qualquer diretor de qualquer uma dessas empresas para um debate público, de preferência veiculado em cadeia nacional de rádio e televisão.

Eis a dupla desgraça brasileira. Um sistema de comunicação apátrida, a serviço do capitalismo internacional, e um governo – eleito pelo povo e pelos movimentos sociais organizados – que não se livra disso.

Marcelo Salles, jornalista, é coordenador da Caros Amigos no Rio de Janeiro e editor do Fazendo Media.

Editorial da Folha de S. Paulo, 31 de julho de 2009:

TV que não pega
LANÇADA EM 2007 pelo governo como se fosse uma espécie de versão brasileira da BBC, a TV Brasil já perdeu 6 dos seus 15 conselheiros originais em pouco mais de um ano e meio. Coincidentemente, a TV criada por Lula acabou de ganhar uma nova identidade visual, que, segundo comunicado da emissora, dará “uma cara moderna e atual” ao logotipo. Mas pouca gente ficou sabendo, dado o exíguo alcance do canal.

A TV Brasil integra a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que tem Orçamento de R$ 350 milhões por ano e abarca nove rádios e duas outras emissoras, além de seu carro-chefe.

O governo queria, com a EBC, criar uma grande rede pública nacional. Após a saída de três diretores vinculados ao Ministério da Cultura, o controle ficou nas mãos da Secretaria de Comunicação, do ministro Franklin Martins. A TV que se queria pública é antes de mais nada um cabide de empregos.
O lance mais recente da novela da emissora foi o anúncio feito à Folh a pelo presidente do conselho curador, Luiz Gonzaga Belluzzo, de que entregará o cargo.

Antes dos problemas políticos, a empresa padece de irrelevância técnica. Tem alcance muito restrito pela rede aberta, funcionando basicamente para clientes de operadoras de TV por assinatura. Segundo a emissora, muitos espectadores assistem à programação por antena parabólica, o que também serve como justificativa para não divulgar dados sobre audiência.

O fato é que a TV Brasil já começou mal, através de uma medida provisória, em vez do encaminhamento por projeto de lei. Tem 15 “representantes da sociedade civil” em seu conselho, todos nomeados pelo presidente Lula. Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada -antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Somos apenas números



Recentemente um coleguinha blogueiro escreveu um texto interessante sobre o fato de estar desempregado e ser mais um número nas estatísticas que medem o desemprego nesse país. Achei o texto quase perfeito se não fosse apenas por um detalhe: as estimativas são baseadas em índices como o seguro-desemprego. E quem não está dentro deste ou de outro rol relacionado a emprego, como este vos escreve?
Como não sei o que é carteira assinada há anos, seguro-desemprego, PIS, e outras coisas da CLT não estão a meu alcance a uma década. Fui estatutário e depois prestador de serviço. Sou um número apenas no INSS, enquadrado como “autônomo”.
Apareço como número devido a minha carteira de identidade e CPF, sendo que em relação a este último, era obrigado a me cadastrar na Receita Federal como isento, comprovando que minha renda era insuficiente. Parece que o governo finalmente reconheceu que boa parte da população não tem renda mesmo e liberou a aporrinhação desse cadastramento.
Também sou um número no MEC, através dos meus diplomas de jornalista (rest in place), de geografia e de pedagogia. Ainda faço parte dos números do Detran, sindicato e outras instituições que comprovam a minha existência, a capacidade de exercer algum “direito” como votar, ir viajar para o exterior e outras atividades que certificam que eu sou eu mesmo. Entendem?
Além da dificuldade que temos em decorar esse monte de números, somos obrigados muitas vezes a engolir números de estatísticas governamentais como crescimento do emprego, déficit orçamentário, superávit da balança comercial, crescimento econômico e vários outros índices que fazem a alegria dos economistas, de tecnocratas e pessoas que legitimam tudo a partir de dados numéricos. “Números traduzem fatos e contra fatos não há o que contestar” diriam àqueles que sabem manipulá-los.
O fato é que se eu não for enquadrado em alguma estatística, algum rol, transformar-me em um número, não existo. Não sou parte integrante da sociedade, sou o nada, o chamado zero à esquerda, sem valor, inexistente no computo da soma, da subtração, da divisão e da multiplicação que rege as relações humanas.
Infelizmente sou diferente do meu coleguinha blogueiro no que tange a emprego, onde o mesmo revela a doce vingança de agora receber dinheiro do governo, através do seguro-desemprego, depois de tanto imposto pago. Acredito que eu faço parte de uma grupo que pode ser considerado uma variável "X" nessa estranha matemática governamental. Uma variável difícil de ser equacionada já que não há dados suficientes para a resolução do problema.
Enquanto isso,continuo sofrendo os efeitos dessa lógica perversa onde o governo soma cada vez mais encargos, diminui benefícios, multiplica custos e esquece de dividir os benefícios.

Rapidinhas




O jornal Estado de São Paulo publicou na última semana que o Tribunal de Justiça de São Paulo consome 91,8% de suas despesas com recursos humanos, que incluem salários, férias, gratificações, passagens para juízes, verba de gabinete, "dentre outros dispêndios", informa o Conselho Nacional de Justiça. A radiografia mostra que a corte paulista, entre 2004 e 2008, aumentou em 37% suas despesas, passando de R$ 3,4 bilhões para R$ 4,6 bilhões.
Isso é o que dá esse negócio de inamobilidade, vitaliciedade e outras coisinhas que tornam essa corja bem próxima de um ser intocável.

A Gráfica Escolar, empresa do Grupo Mirante de Comunicação, pertencente à família Sarney, conseguiu na Justiça do Maranhão o direito de receber R$ 1 milhão do banco estatal BNB (Banco do Nordeste do Brasil) como ressarcimento pela cobrança de "juros excessivos" e "cláusulas abusivas" em quatro contratos de empréstimo firmados nos anos 1990. A Folha de S.Paulo informa que a gráfica, editora de O Estado do Maranhão, um dos principais jornais do estado, moveu em 2002 uma ação na qual afirmava "inexistir financiamento ou débito de qualquer origem" e pedia a devolução de "todos os ganhos financeiros" que o banco obteve "à custa do dinheiro alheio" com a operação.
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão

Juristas criticaram o fato de o desembargador Dácio Veira, amigo íntimo de Sarney, ter julgado a questão sobre a censura ao Estadão em relação a Fernando Sarney, filho do senador, segundo O Globo.
Logo o Estadão vem falar em censura! Não foi esse um dos jornais que apoiaram o golpe de 64...

O casal de fundadores da Igreja Renascer, Sonia Haddad Hernandes e Estevam Hernandes Filho, retornou nesse sábado ao Brasil dois anos e meio após ter sido preso e condenado nos Estados Unidos sob acusação de contrabando de dinheiro. A notícia é de O Globo e da Folha de S.Paulo.
Vale aquela máxima: Templo é dinheiro

Segundo o Jornal Brasil de Fato, o inquérito que investiga as operações da quadrilha do banqueiro Daniel Dantas, concluído pelo delegado Ricardo Saadi, da Polícia Federal, e entregue ao juiz federal Fausto De Sanctis, comprova tudo aquilo que o antigo presidente do inquérito, delegado Protógenes Queiroz, havia denunciado sobre o grupo Opportunity. A coluna “Fatos em Foco” do referido jornal faz a seguinte pergunta: Será que o Supremo Tribunal Federal vai livrar Daniel Dantas de novo?
Resposta: vai

O site Século Diário lembrou na sua edição da última quinta-feira que a ONG Transparência Capixaba só tem olhos para a crise do Senado, mas parece “esquecer” as questões internas no ES.
Essa Transparência Capixaba vem a muito fazendo olhos e ouvidos de mercador para o que acontece no governo Hartung. É aquela história: transparência nos olhos dos outros é refresco.