Wednesday, February 08, 2012

Baixa na música brega

A música brega sofreu um pesada baixa nesta quarta-feira com a morte do cantor e colecionador de calcinhas Wando. O coração do obsceno (assim ele se intitulava num de seus shows) não resistiu, levando-o a óbito. A Du Loren e outras fábricas de calcinha podiam fazer um homenagem para aquele que tornou essa peça íntima do vestuário feminino, uma de suas marcas registradas durante as apresentações.
Com a morte de Wando acho bom a rapaziada da música brega fazer um check up e ver se está tudo bem. Te cuida Reginaldo Rossi!

É carnaval em Salvador!

Perguntinha básica: diante da possibilidade da greve de PMs se estender a outros estados e lembrando que a Constituição Federal proíbe greve de militares,  as autoridades competentes estão negociando o quê?

Sunday, February 05, 2012

Ainda existe rock'n roll no Brasil

Uma das poucas bandas de rock que ainda prestam nesse país. A banda Velhas Virgens faz um som que transita entre o rock clássico e o blues. Abaixo, um pequena amostra.




Bom é quando faz mal.... às vezes!

Espaço, região e território: elementos basilares da geografia


Por Erick Schunig

A geografia se apresenta como um dos campos científicos mais versáteis em relação a sua área de atuação, oferecendo um importante cabedal para usos diversos que vão desde a análise epistemológica da relação entre o homem e a natureza até o fornecimento de subsídios para o planejamento ambiental.
Entretanto, há temas fundamentais que são pilares na discussão do conhecimento geográfico e que apontam caminhos importantes para entender o mundo atual e suas mudanças. Nesse sentido, há de que seja feita uma discussão sobre as diversas concepções que envolvem três elementos inerentes da geografia: espaço, região e território. É sobre esse tripé que iremos discorrer e que tentaremos fornecer subsídios para melhor entendimento sobre  como cada um se apresenta dentro das escolas de pensamento geográfico e quais as implicações envolvidas.

Geografia tradicional ou clássica
Para geografia tradicional, espaço pode ser apresentado através de uma simples definição como uma porção da superfície do nosso planeta, composta pela natureza e por todos elementos que a caracterizam (clima, relevo, vegetação, hidrografia, etc.), sob influência das ações humanas. Partindo dessa definição simplista, espaço pode ser visto através de uma ótica mais apurada, envolvendo as escolas de pensamento geográfico.
De acordo com Correa (1995), a geografia tradicional ou clássica tratava espaço de uma forma superficial, aparecendo em obras de geógrafos como Friederich Ratzel e Hartshorne. Paisagem e região não tinham uma abordagem mais sofisticada, limitando-se bastante a descrição. Ratzel desenvolve dois conceitos fundamentais envolvendo território e de espaço vital. O primeiro vincula-se à apropriação de uma porção do espaço por um determinado grupo, enquanto o segundo expressa às necessidades territoriais de uma sociedade em função de seu desenvolvimento tecnológico, do total de população e dos recursos naturais. A preservação e ampliação do espaço vital, constitui, na formulação de Ratzel, como a própria razão de ser do Estado.
O espaço na visão de Hartshorne é o espaço absoluto, um conjunto de pontos que tem existência em si, sendo independente de qualquer coisa. É um quadro de referência que não deriva da experiência, sendo apenas intuitivamente utilizado na experiência. Trata-se de uma visão kantiana, por sua vez influenciada por Newton, em que o espaço (e o tempo) associa-se a todas as dimensões da vida. Sob essa ótica o espaço é visto como um receptáculo que contém elementos.
Segundo Gomes (1995), para  essa escola de pensamento, o conceito de região surge da  ideia de que o ambiente tem um certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade. A partir da perspectiva possibilista, as regiões existem como unidades básicas do saber geográfico, não como unidades morfológica e fisicamente pré-constituídas, mas sim como resultado do trabalho humano  em determinado ambiente.
É forte a influência de concepções elaboradas por geógrafos alemães e franceses, onde a região pode preservar a unidade fundamental do campo da geografia, instituída sob o formato de discussão relação homem-meio. A região era vista como um conceito capaz de promover o encontro entre as ciências da natureza e as ciências humanas, o produto-síntese de uma reflexão verdadeiramente geográfica. Trabalha-se com a ideia de regiões homogêneas e regiões funcionais ou polarizadas, o que gerou uma série de críticas a esse pensamento.

O pensamento teorético-quantitativo
Na concepção da geografia teorético-quantitativa, outra escola de pensamento geográfico, o conceito de espaço sofre uma influência da visão epistemológica da ciência, baseada nas ciências naturais como a física. O conceito de paisagem é deixado de lado, enquanto o de região é reduzido ao resultado de um processo de classificação de unidade espaciais, segundo procedimentos de agrupamento e divisão lógica com base em técnicas estatísticas. Lugar e território não são conceitos significativos na geografia teorético-quantitativa.
O espaço é considerado sob duas formas que não são mutuamente excludentes: planície isotrópica e a sua representação matricial.
Críticos a esse pensamento consideram-na  uma visão limitada de espaço, pois, privilegia-se em excesso a distância, vista como variável independente; já as contradições, os agentes sociais, o tempo e as transformações são inexistentes ou relegada a um plano secundário.
A região é vista sob uma abordagem  tecnicista, onde a divisão passa a ser a palavra de ordem.  São estabelecidas regras e critérios  de classificação com o intuito de configurara espaços uniformes. A região é uma classe de área, fruto de uma classificação geral que divide o espaço segundo critério ou variáveis arbitrários que possuem justificativa no julgamento de sua relevância para uma certa explicação (GOMES,1995). São identificados dois tipos fundamentais de regiões: as regiões homogêneas e as regiões funcionais ou polarizadas.

A concepção da geografia crítica
Com base no pensamento marxista e originada  a partir dos anos 70, a Geografia Crítica entende espaço como o locus de reprodução das relações sócias (CORREA,1995). O espaço é entendido como espaço social, vivido, em estreita correlação com a prática social não deve ser visto como espaço absoluto, nem como produto da sociedade. Santos (apud CORREA, 1995) tem sua obra marcada pela forte presença dessa corrente de pensamento, onde o espaço é analisado através de quatro elemento; forma, função, processo e estrutura.
Santos (2001) é um dos maiores teóricos sobre a interferência do processo de globalização, observando a existência de  verticalidades (pontos interligados dentro de um território que formam um espaço de fluxo, fortemente influenciada por fatores externos) e horizontalidades (áreas de contiguidade que forma extensões contínuas).
Gomes (1995) ressalta que para essa corrente de pensamento, região passa a ser entendida a partir da perspectiva histórica dos processos sociais, produto do meio de produção e reprodução de toda vida social.

Geografia humanista e uma nova visão espacial
De acordo com Correa (1995), essa corrente de pensamento que tem base  nas filosofias do significado, especialmente a fenomenologia e o existencialismo e está assentada no subjetivismo, na intuição, nos sentimentos, na experiência, no simbolismo e na contingência, privilegiando o singular e não o particular ou o universal. A paisagem torna-se um conceito revalorizado, assim como a região, enquanto o conceito de território tem na geografia humanista uma de suas matrizes.
Correa (1995) afirma que existem vários tipos de espaços, um espaço pessoal, outro grupal, onde é vivida a experiência do outro e o espaço mítico-conceitual que extrapola para além da evidência sensorial e das necessidades imediatas e em direção a estruturas mais abstratas.
Em relação a região, Gomes (1995)  destaca que essa corrente trabalha com um novo conceito de região, vista como um quadro de referência fundamental na sociedade. A região ganha  uma espessura e define um código social comum que tem uma base territorial. Passa a ser vista como um produto real, construído dentro de um quadro de solidariedade territorial.

A discussão sobre o território
O debate sobre a definição de território envolve uma discussão referente a sua abrangência, limites e identidades. Souza (1995) trabalha o conceito de território referindo-se a escala nacional e em associação com o Estado como grande gestor, ressaltando que não deve ser reduzido  a associação com a figura do Estado.
Para Souza , a ocupação do território deve ser vista como algo gerador de raízes e identidade: um grupo não pode mais ser compreendido sem o seu território, no sentido de que a identidade sócio-cultural das pessoas estaria inarredavelmente ligada aos atributos do espaço concreto. Dessa forma, os limites do território também tornam-se flexíveis ante disputas e mudanças, na luta pela territorialidade. O autor também cita o papel do território como instrumento ideológico para esconder conflitos sócias dentre de um Estado.
A ideia de território também encaminha reflexões a respeito da influência do processo de globalização. Haesbaert (1995) traça uma abordagem sobre a questão do território, onde é percebida a existência de vastos espaços no mundo contemporâneo que exibem incrível nitidez referente a efeitos dessa “modernização arrasadora”.
De acordo com Haesbaert (1995), esses espaços são moldados sob a ótica de um modelo dominante em que muitos preferem considerar espaços sem história, sem identidade. Com a tecnologia e a velocidade, e transformados num ritmo alucinante, onde a paisagem é incorporada na mesma rede hierarquizada de fluxos alinhavada em escalas que vão muito além dos níveis local e regional.
Haesbaert (1995) chama de “nova desordem mundial”, aquilo que considera a produção de diversos níveis de desterritorialização. Fenômeno incorporado a globalização econômica, estimulada por redes tecnológicas mais sofisticadas, movimentos neoterritorialistas de (re)enraizamento, que muitas vezes promovem a (re)construção de identidades tradicionais e a exclusão socioeconômica e cultural mais violenta.
Sobre a desterritorialização, Santos (2001) tece alguns comentários sobre a ideia de que espaço e tempo foram contraídos graças a velocidade, o que considera um mito.
Na visão de Santos, a ideia de uma humanidade desterritorializada a partir do desaparecimento das fronteiras e de uma cidadania universal, cai por terra quando percebemos que as fronteiras mudaram de significação, mas nunca estiveram tão vivas. A existência das fronteiras, segundo ele, está pautada no fato de que  o próprio exercício das atividades globalizadas não prescinde de uma ação governamental capaz de torná-las efetivas dentro de um território. Portanto, a humanidade desterritorializada seria apenas um mito.

Considerações finais de uma discussão inacabada
O artigo trouxe elementos para discutir a visão das diversas correntes geográficas envolvendo espaço e região, bem como as antigas e novas concepções sobre território. Há de ser considerada a dificuldade envolvendo a abordagem de fenômenos espaciais e a sua representação através da escala, instrumento matemático amplamente utilizado pela geografia e que trabalha com a ideia de apreensão da realidade, através da representação.
Outro aspecto importante e que merece atenção é o papel exercido pelas redes dentro da dinâmica territorial, onde estão implicadas  estratégias de circulação e de comunicação, e o papel do Estado como gestor dentro do território e o seu lugar na geopolítica mundial.
A discussão prossegue e as possibilidades ainda não foram esgotadas.



In memorian

O último dia 2 foi o aniversário da morte daquele que foi  o crítico mais ácido da esquerda brasileira, sendo um dos poucos nesse  país que tinha a capacidade de assumir que era conservador. Mesmo discordando das posições tomadas por Francis, reconheço nele um dos mais brilhantes comentaristas da TV brasileira, de um humor escrachado e corajoso. Ele era o que Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo gostariam de ser, mas nunca conseguiram  devido a mediocridade que impera dentre desses dois seres. Francis tem história na imprensa brasileira e deixou um legado importante para aqueles que gostam de uma boa polêmica.
Minhas primeiras lembranças de Francis estão relacionadas as suas aparições como comentarista no Jornal da Globo, onde, devido o seu jeito pitoresco de falar, chamava bastante a atenção.
No final da vida foi assolado por um processo movido pela Petrobrás. Motivo: Durante um programa de TV, Francis declarou que  os dirigentes da Petrobrás tinham uma conta secreta na Suiça, no valor de 50 milhões, chamando-os de ladrões. Abaixo, um pouco do seu "jeitinho".

Extinguir ou não extinguir?


Sunday, January 22, 2012

Dá uma espiadinha!


Rita stopped

Ao olhar os principais sites de notícias, descubro que Rita Lee anunciou a sua aposentadoria dos shows. Segundo declarações publicadas pela imprensa, ela alega não ter mais condições físicas para isso. em tempos de Luan Santana, Michel Teló, banda de axé e toda essa porcaria que teima em existir, essa não foi uma boa notícia. Pelo menos há um bom registro em vídeo da rainha do rock brasileiro.



Europa über alles


Sacanagem metal

A criatividade do ser humano é algo que impressiona. Principalmente quando se trata de esculhambar e fazer gozação. Acho que nisso nós, brasileiros, somos campeões, dada a quantidade de piadas e situações constrangedoras que produzimos ou que somos vítimas. O brasileiro gosta de sacanear!
Nessa linha de raciocínio, gosto de lembrar sempre aquela turma denominada por um escriba de "expoentes da piada-canção" (não lembro o nome do autor e lá se vão mais de duas décadas). Sou fã confesso do Língua de Trapo, do Premeditando o Breque e de toda o pessoal da música brega, que na minha opinião é uma das faces do povo brasileiro e de certa forma consegue romper com esses padrões impostos pela mídia e indústria fonográfica.
Acredito que o grande problema desse estilo (?) de música é a falta de renovação, já que o  aparecimento de um "Zé Graça" musical  não dura muito, seja pelo desgaste da fórmula ou por outro motivo (caso dos Mamonas Assassinas).
Dos mais recentes, acho interessante o trabalho do Massacration (do grupo humorístico Hermes e Renato), que rende boas risadas. Ao escutar algumas faixas num site de música, lembrei que fui a um show deles aqui em Vitória. Abaixo um pouco dos "cerais metal".


Discutindo o paradigma do desenvolvimento sustentável


O texto abaixo  tem como referência o livro da bióloga Rozely Ferreira dos Santos - o qual indico como livro de cabeceira para aqueles que estudam a temática ambiental. Fiz com o intuito de estudar para prova de mestrado e parece que deu certo.

Considerações sobre o paradigma do desenvolvimento sustentável
Por Erick Schunig

No cerne de debates acalorados, o termo “desenvolvimento sustentável” praticamente virou  palavra de ordem quando o assunto é discussão sobre meio ambiente. Faz referência a exploração de recursos em consonância com a preservação da natureza e desenvolvimento humano. Mas afinal,  no mundo em que vivemos é possível ter desenvolvimento sustentável? A pergunta é incômoda, mas deve ser feita, sob a responsabilidade que paira em todos os seres humanos no tocante a sobrevivência em nosso planeta.

O início
A discussão sobre a questão ambiental é relativamente nova, tendo ocupado lugar de destaque em fóruns como a conferências como a do clube de Roma (1968) e Estocolmo (1972).
Eventos desse porte deram a tônica das bases envolvendo planejamento ambiental.  Em seu livro “Planejamento Ambiental – teoria e prática”, a bióloga Rozely Ferreira dos Santos lembra que nos pós-guerra, surge nos EUA, uma visão diferenciada de planejamento ambiental, a partir da exigência  de estudos de impactos ambientais, contanto com a participação das universidades e criação de um marco legal.
Na década de 60, ganha destaque no EUA a ideia de não haver um modelo único de desenvolvimento, sendo melhor aquele que a própria sociedade decide, com satisfação de suas necessidades segundo sua representatividade social.  Surgem modelos alternativos de desenvolvimento, considerando  benefícios desvinculados do aspecto puramente econômico, envolvendo qualidade de vida, conforto, higiene, educação, bem como características negativas do chamado mundo desenvolvido, como poluição e degradação ambiental.
O marco das preocupações  do homem moderno com o meio ambiente deu-se em 1968, com o clube de Roma, onde foram incorporadas questões sociais, políticas, ecológicas e econômicas com uso racional dos recursos.  A autora cita  o relatório  chamado “Limites de Crescimento” e o NEPA (elaborado pelos EUA) como instrumentos decisivos para pressionar os governos da época e iniciar a configuração de um marco jurídico para área ambiental.
No fim dos anos 70 retomaram-se os fundamentos de decisão multicriterial desenvolvidos para planejamentos de recursos hídricos na década de 1930. No final dos anos 70 e início da década de 80, a conservação e a preservação dos recursos naturais e o papel do homem integrado ao meio passaram a ter função muito importante na discussão da qualidade de vida da população. Nesse período, os conceitos sobre planejamento, influenciados pelos estudos  de impacto, sofreram uma reformulação, na qual a questão ambiental foi amplamente contemplada.
Rozely lembra  que a questão ambiental tem sua inserção de fato entre os anos 1950 e 1990, por meio de propostas de gerenciamento de recursos naturais, cuja preocupações iniciais eram essencialmente de controle ambiental, elaborado através de regulamentos legais, mas não de mudança de postura diante da utilização dos recursos naturais.
Para a geografa Bertha Becker, a concepção de desenvolvimento sustentável revela uma nova feição da geopolítica mundial. Em sua abordagem, a autora discorre sobre a proposta de cooperação internacional com base em nova relação sociedade-natureza, onde o tema “desenvolvimento sustentável”, exposto no Relatório Bruntland (1987), apresenta uma feição específica da Geopolítica contemporânea, onde revela  uma revalorização da dimensão política do espaço e dos conflitos a ela inerentes em várias escalas geográficas.
Para Becker, essa concepção é uma tentativa de ajustar o sistema capitalista por meio da conciliação das tendências da lógica da acumulação com as da lógica cultural, particularmente os movimentos ambientalistas. Conciliação, contudo, que se torna instrumento de pressão nas relações Norte-Sul, bem como de imposição de uso dos territórios nacionais.
Assume-se então uma postura onde o desenvolvimento sustentável representa um mecanismo de regulação do uso do território que  tenta ordenar a desordem global, constituindo-se num instrumento político.
A ecologia surge como novo parâmetro geopolítico. Sob o novo padrão técnico-econômico e os movimentos políticos são indicativos da desordem global, as relações Norte-Sul atestam a tentativa de manter a ordem, e a ecologia constitui um vetor desse movimento.
A complexidade da questão ambiental envolve não apenas a consciência ecológica (corresponde à preocupação legítima com a crise ambiental), como também a utopia ecológica (fortalecimento do vetor ecológico pesa igualmente o fracasso tanto do progresso capitalista como do socialismo real) e a ideologia ecológica (redução da velocidade do desenvolvimento  no momento em que o mundo gira justamente de acordo com a lógica da velocidade acelerada e a imposição de um novo estilo de desenvolvimento sustentável, cujas bases não estão claramente definidas).
Sob a proposta de harmonia espacial e equidade temporal do discurso, a sustentabilidade reside na busca de uma soma positiva, a sinergia, através de planejamento de processos produtivos miméticos aos ecossistemas, em estreita interconexão, bem como na reutilização que traduz a noção de movimento perene. São identificados três princípios básicos sob esse discurso:
Eficácia –  no uso de recursos através da utilização da informação e de novas tecnologias em atividades e produtos capazes de consumir menos matérias-primas;
Diferença – professa a necessária inovação contínua pela diversidade de mercados e recursos, bem como por condições sociais e políticas que potencializam os recursos locais, gerando valorização máxima e seletiva das potencialidades autóctones em recursos naturais e capital humano;
Descentralização - implica  não apenas na distribuição territorial da decisão, mas em uma nova forma de planejamento do governo.

O meio
Segundo Rozely Ferreira dos Santos  a estrutura  e os procedimentos em um planejamento serão definidos a partir de um ideário, norteador de todo o seu processo, que levará  os conceitos e premissas de desenvolvimentos  para um certo espaço, num determinado tempo. A autora aborda a importância do ideário semeado em 1950, através do conceito de desenvolvimento sustentável, onde havia clara preocupação  com a degradação ambiental, com a condição social dos desprivilegiados, com a falta de saneamento e com consumo indiscriminado, construindo assim a ideia de ecodesenvolvimento, presente em conferências das nações Unidas  e na Rio-92.
Destaque para criação de cinco documentos: Convenção sobre mudanças climáticas, Convenção sobre diversidade biológica, Princípios para manejo e conservação de florestas, Declaração do Rio e Agenda 21.
No Brasil, só a partir  de 1981, com a Política Nacional do Meio Ambiente, é que foi elaborada  uma carta de intensões em relação a conservação do meio. As primeiras medidas visavam a proteção dos recursos hídricos.
Pressões de bancos internacionais provocaram mudança no comportamento governamental, exigindo estudos de impacto ambiental para financiamento de projetos, além de pressões oriundas de sociedades estrangeiras ambientalistas. A partir da década de 80 é que o planejamento  ambiental foi incorporado pelos órgãos governamentais. Metodologicamente estes planejamentos expressavam seu histórico, ou seja, a conjunção entre conceitos e estruturas de planejamento urbano, estudos de impacto ambiental e plano de bacia hidrográfica.
Em 1986 foi aprovada Resolução 001 do Conama que criou a obrigatoriedade  de estudos de impacto ambiental no Brasil para uma vasta gama de atividades humanas. Secretarias  de meio ambiente desenvolveram ferramentas  de planejamento; diagnósticos de APAs.
Na década de 1990, o planejamento  ambiental foi incorporado aos planos diretores municipais.

O fim
Para alcançar o pretendido desenvolvimento sustentável é vital que o processo de planejamento  seja um meio sistemático de determinar em que você está, onde deseja chegar e qual o melhor caminho para chegar lá. É um  direcionador de quantidade, qualidade e da velocidade e natureza das trocas.
Segundo Rozely Ferreira dos Santos, o planejamento ambiental é um processo  contínuo que envolve a coleta, organização e análise sistematizadas  das informações, por meio de procedimentos e métodos, para chegar a decisões ou a escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos disponíveis. Implica também nas previsões, estimativas futuras e que envolvem uma série de variáveis.
Para autora, deve ser feito um questionamento sobre o adjetivo ambiental e diferenciação em relação a gerenciamento ambiental. Deve-se analisar o processo histórico em que o adjetivo se estabeleceu em razão do aumento dramático da competição por terras, água, recursos energéticos e biológicos que gerou a necessidade de organizar o uso da terra.
O planejamento ambiental tem como estratégia estabelecer ações dentro de contextos e não isoladamente, resultando maior aproveitamento do espaço físico e dos recursos naturais, economia de energia, alocação e priorização de recursos para as necessidades mais prementes e previsão de situações.
Por fim, Rozely ressalta que em muitos planejamentos, o resultado é somente uma soma, como a geração de uma metadisciplina, mas não uma interação de fato. Não apresentam de forma eficiente a realidade, nem atingem o ideário a que se propõem. O que nos leva a pensar como e de que forma está sendo utilizado o termo desenvolvimento sustentável pelos gestores.

Porque hoje é domingo

Começo a tarde desse domingo sabendo de um problema na TV a cabo da minha casa. A charge aí de cima mostra a minha alegria ao saber dessa notícia.

Wednesday, January 11, 2012

A geografia física e as taxonomias do planeta Terra


Para aqueles que desconhecem a geografia como ciência, que seguramente vai além daquilo que é ensinado nas escolas, pode-se dizer que a mesma apresenta diversos conceitos e subdivisões, que muitas vezes não tão simples de entender.
De uma forma mais genérica, podemos dizer que a geografia se divide em duas: humana e física. Esta última é que  nos interessa e que tecerei algumas considerações, já que a mesma é uma das bases dos planejamentos ambientais e ocupa lugar privilegiado nas discussões envolvendo a questão ambiental.
Para entender melhor sobre o tema e toda concepção teórica que ele traz, teremos como base o livro Ecogeografia do Brasil, do geógrafo Jurandyr Ross. Ross trabalha nesse livro com conceitos ligados a concepção de ecossistema, que serve de base para o planejamento ambiental.
Em sua abordagem, Ross tece considerações a respeito da visão sistêmica que envolve o estudo da geografia física. Essa visão deriva da Teoria Geral dos Sistemas, de Bertanlanffy, que  pressupõe que na natureza as trocas de energia e matéria se processam por meio das relações de equilíbrio dinâmico. Esse equilíbrio, entretanto, é frequentemente alterado pelas intervenções do homem nos diversos componentes da natureza, gerando um estado de desequilíbrio temporário ou permanente.
Na década de 60, geógrafos russos conceberam a Teoria dos Geossistemas, baseada na existência de geosferas e que estão inter-relacionadas por fluxos de energia. Um conceito aplicado ao planejamento do então Estado soviético, onde era preciso levar em conta as múltiplas interações e transformações. Ross cita contribuições importantes de geógrafos como Sotchava e Gerasimov. Entretanto,  a teoria da escola russa é imprecisa em relação a precisão espacial, já que trabalhava com o conceito de paisagens homogêneas.
A partir da contribuição de geógrafos franceses como Tricart e Bertrand é que a teoria dos Geossistemas ganha o formato atual. O trabalho de Jean Tricart (1965), com a sua classificação ecodinâmica dos meios ambientes, já assinala o aparecimento da teoria sistêmica na Geografia.
Tricart estabeleceu uma classificação dinâmica para as unidades de paisagens identificadas: unidades ecodinâmicas estáveis, unidades ecodinâmicas integradas e unidades ecodinâmicas fortemente instáveis. Cada um desses níveis é caracterizado por estrutura suportada pelas forças específicas. Pressupõem uma harmonia baseada na interdependência que se estabelece entre elementos da natureza, da sociedade e entre ambos.
Outro geógrafo francês, Georges Bertrand otimiza o conceito elaborado pela escola geográfica russa, dando uma conotação mais precisa, possibilitando a classificação do geossistema em função da escala caracterizando como uma unidade, um nível taxônomico na categorização da paisagem, dividida em: zona, domínio e região (unidades superiores), geossistemas, geofaceis e geótopo (unidades inferiores), sendo o geossistema proporcionado pela dinâmica entre o potencial ecológico, exploração biológica e ação antrópica.
Ross também cita a contribuição  das escolas geográficas provenientes da Austrália, com contribuição da escola dos Países Baixos, a partir da concepção do conceito de Sistemas de Terras e Unidades de Terras. Nesse sistema a escala também é fundamental, mas sob uma maior amplitude, onde os Sistemas de Terras são determinados por elementos de caráter geomorfológico e geográficos associados, formando um determinado agrupamento ou conjunto de unidades de terras. Já unidades de terras correspondem à divisão ou partes menores dos sistemas de terras. Para a delimitação, utiliza-se principalmente das formas de relevo, constituídas de sítios ou lugares ou facetas de terras ou site.

E o Brasil?
Nosso país é fortemente influenciado pela escola geográfica francesa e, como tal, os estudos de Tricart e Bertrand.
O desenvolvimento da geografia física aplicada no Brasil deu-se a partir da década de 1980, com a lei 6938/1981, institui a obrigatoriedade dos EIAs e RIMAs. A partir daí observa-se um desenvolvimento e crescimento substancial da geomorfologia.
A partir do surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável, observa-se uma redefinição dos rumos da abordagem ambientalista e de uma visão absolutamente reservacionista para uma abertura mais humanista.
Ross lembra que, para o desenvolvimento da geografia  aplicada, é necessária a compreensão integrada da dinâmica socioeconômica sob a perspectiva da dinâmica dos processos de ocupação e da relações econômicas e sociais.
Partindo da concepção sistêmica, o autor afirma que as intervenções humanas não modificam as leis da natureza, apenas interferem nos fluxos de energia e matéria, alterando suas intensidades, forçando-a a encontrar novos pontos de equilíbrio funcional.
É essa visão sistema que é amplamente difundida – e muitas vezes não alcançada – nos trabalhas de planejamento e estudos ambientais.
No entanto, é bom ressaltar que graças a esses estudos, a visão desenvolvimentista que assolou nosso país nas últimas décadas do século XX, onde crescer era sinônimo de desenvolvimento. Nas palavras de Ross, desenvolvimento econômico deve significar crescimento econômico com aprimoramento  tecnológico, melhoramento social e apropriação dos recursos naturais dentro de uma perspectiva conservacionista e preservacionista dos bens da natureza, com a preocupação de diminuir os impactos ambientais e possibilitar uma convivência mais harmoniosa entre a sociedade e a natureza.

Mais do mesmo


Depois de um período de descanso, retomo as atividades do blog num ano que tem tudo para ser pauleira (mestrado, pouca grana, etc). Para não perder o costume, algumas coisas parecem que continuam iguais como o embate "Casagrande vs Senzala". Essa foto é da última segunda-feira e mostra como estão os ânimos depois do aumento das passagens de ônibus promovido pelo governo estadual (como sempre, na calada da noite).
O que realmente impressiona é a falta de habilidade do atual governo em lidar com esse tipo de situação e a inércia em relação a discussão de mobilidade urbana na Grande Vitória. O ano promete!

Monday, December 19, 2011

Costelão do final do mundo

Depois de um ano tenso e com a perspectiva do mundo acabar em 2012, resolvemos realizar a XI edição do Costelão de Final de ano. Com a presença de quase todos os notórios ébrios,conseguimos realizar aquele evento tradicional, cuja marca é a esculhambação organizada. Em 2012, se o nosso fígado permitir, estaremos lá de novo!

Thursday, December 15, 2011

Considerações sobre a perversidade da globalização

Durante esses últimos dias, estive envolvido num processo de seleção de mestrado  e para  melhor o estudo envolvendo a referência bibliográfica do processo seletivo, resolvi escrever alguns artigos sobre os livros. Começarei a publica-los aqui no blog, pois acho que não ficaram tão ruins e dá uma ideia sobre as discussões envolvendo os temas da prova. O primeiro é sobre o livro "Por uma outra Globalização', do geógrafo Milton Santos.


Fábulas e perversões sob os auspícios da globalização

Como entender e sobreviver ao mundo do século XXI, em meio a um processo de globalização excludente e cercado de contradições? O livro “Por uma outra Globalização”, do geógrafo Milton Santos, fornece algumas pistas e apresenta alguns caminhos que ajudam na compreensão do mundo e da realidade que vivemos.
Santos percebe o mundo de hoje a partir de um mundo de fabulações, pautado pela construção de um discurso único, cercado de desigualdades alicerçado no poder do dinheiro e na ação das empresas. O ser humano passa a ser entorpecido pelo discurso do consumo, inserido num mundo de fabulações, de uma globalização perversa e de uma perspectiva de outra globalização.
Para o autor, a fabulação reside na construção de ideias que na prática não se configuram ou se restringem a um determinado segmento. Ideias como a de que vivemos em direção a uma aldeia global e da difusão ampla das informações. Santos desconstrói esse paradigma alertando para o poder da máquina ideológica que propaga um mundo onde  os espaços são contraídos e todos podem viajar. O poder avassalador do mercado passa a ser o imperativo desses tempos modernos, onde a exclusão é a palavra de ordem e uma minoria consegue usufruir das benesses de “novos tempos modernos”.
Chama atenção a crítica feita pelo autor sobre o papel dos meios de comunicação como gestores de informações superficiais e players na construção de mundo de fábulas, onde a exclusão é a marca. A ideia de aldeia global cai por terra na medida em que percebemos a ação avassaladora do mercado no aprofundamento das diferenças locais.
O autor nomeia a globalização como uma “fábrica de perversidades”, onde desemprego crescente, pobreza, perda da qualidade de vida, salários baixos, fome, desabrigo, novas enfermidades (e ressurgimento de velhas), são as características desse processo, onde alastram-se e aprofundam-se males espirituais e morais, como os egoísmos, os cinismos, a corrupção.
Ao mesmo tempo, Santos ressalta a possibilidade de construção de um novo mundo, baseado na unicidade das técnicas, na convergência dos momentos e no conhecimento do planeta, onde uma nova narrativa pode ser elaborada, visando se contrapor ao discurso único imposto pelas grandes corporações.

A globalização e suas engrenagens
Aquilo que o historiador Eric Hobsbawn classificou (talvez jocosamente) de “breve século XX”, devido as intensidade dos acontecimentos e das mudanças, Milton Santos, numa narrativa  excepcional, disseca  o dínamo que  impulsiona esses acontecimentos e as suas consequência no século XXI.
Partindo da ideia de que a globalização é a internacionalização do capitalismo, Santos discorre sobre  o papel das técnicas nesse processo. Graças aos avanços da ciência, produziu-se um sistema de técnicas presidido pelas técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e assegurando ao novo sistema técnico uma presença planetária. Sistema que assegura a emergência do mercado global.
Para explicar esse processo de globalização, o autor aponta como fatores primordiais: a unicidade da técnica, a convergência dos momentos, a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na história, representado pela mais-valia globalizada.
Na ótica de Santos, a palavra “crise” ganha um novo contexto no sistema capitalista, onde o que antes era cíclico passa a ser estrutural, estruturado pela associação entre a tirania do dinheiro e a tirania da informação conduz, desse modo, à aceleração dos processos hegemônicos, legitimados pelo "pensamento único".
Sob esse enfoque, o raciocínio de Santos é quase profético, na medida em que observamos países como a Grécia, Portugal, Itália, dentre tantos, serem vitimados  por crises estruturais dentro daquilo que conhecemos como o mais antigo e estruturado bloco econômico existente. Nas palavras de Milton Santos, as soluções para essas crises são inócuas, já que os problemas estruturais não são atacados devido a interesses do mercado. Os governos se tornaram reféns e as decisões são submetidas a apreciação de instituições financeiras internacionais (verdadeiros difusores dessa globalização). Nas palavras do autor “a única crise que os responsáveis desejam afastar é a crise financeira e não qualquer outra”.

Perversidade líquida
O  mundo torna-se unificado em virtude das novas condições técnicas, bases sólidas para uma ação humana mundializada. Esta, entretanto, impõe-se à maior parte da humanidade como uma globalização perversa.
A perversidade se apresenta através da utilização das técnicas de informação em prol dos interesses de alguns atores e a manipulação dessas informações.  Se o cientista político Antonio Gramsci definia os meios de comunicação como aparelhos ideológicos do Estado, Santos vai mais longe. Ele vaticina que o que é transmitido à maioria da humanidade é uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde, desvelando o que muitas vezes se esconde sob o manto da tão propalada liberdade de expressão.
Outro mito desconstruído por Santos é o de que o espaço e o tempo são contraídos graças aos prodígios da velocidade. Virtude que revelaria  uma humanidade desterritorializada, sem  fronteiras e existência de uma cidadania universal. As fronteiras mudaram de significação, mas nunca estiveram tão vivas, na medida em que o próprio exercício das atividades globalizadas não prescinde de uma ação governamental capaz de torná-las efetivas dentro de um território.
Neste mundo globalizado dissecado por Santos, a competitividade, o consumo, a confusão dos espíritos constituem baluartes do presente estado de coisas. A competitividade comanda nossas formas de ação e o consumo comanda nossas formas de inação.
Outro ponto dessa perversidade é o fato de que a ciência passa a produzir aquilo que interessa ao mercado, e não à humanidade em geral e as informações passam a se concentrar nas mãos de um número limitado de firmas.
A política agora passa a ser feita no mercado, só que este mercado global não existe como ator, mas como uma ideologia, um símbolo. Os atores são as empresas globais, que não têm preocupações éticas, nem finalísticas.

Por onde transitam dinheiro e fragmentação
No nosso mundo globalizado, os territórios tendem a uma compartimentação generalizada, onde se associam e se chocam o movimento geral da sociedade planetária e o movimento particular de cada fração, regional ou local, da sociedade nacional, o que origina  movimentos são paralelos a um processo de fragmentação que rouba às coletividades o comando do seu destino.
O dinheiro usurpa em seu favor as perspectivas de fluidez do território, buscando conformar sob seu comando as outras atividades. Por meio da regulação, a compartimentação dos territórios, na escala nacional e internacional, permite que sejam neutralizadas diferenças e mesmo as oposições sejam pacificadas, mediante um processo político que se renova, adaptando-se às realidades emergentes para também renovar, desse modo, a solidariedade.
Ao mesmo tempo percebe-se a competição entre entes federativos em busca desse dinheiro, que na maioria das vezes, sob a direção de técnicas disponíveis, é fluido e praticamente abstrato.

Vertigens provocadas pelas verticalidades e horizontalidades
Milton Santos é um dos maiores teóricos do espaço geográfico e não é exagero dizer que ele colocou a geografia brasileira no mesmo patamar das escolas francesas e alemã. A sofisticação dos conceitos teóricos elaborados por ele traz a tona a discussão envolvendo o espaço e toda a dinâmica  que o cerca.
Dentro dessa dinâmica, Santos tece considerações sobre as verticalidades e horizontalidades que integram o espaço geográfico, bem como a ação de empresas e do Estado se constituem peças fundamentais na engrenagem do processo de  globalização.
Entende-se por verticalidades como um conjunto de pontos formando um espaço de fluxos. Seria, na realidade, um subsistema dentro da totalidade-espaço, já que para os efeitos dos respectivos atores o que conta é, sobretudo, esse conjunto de pontos adequados às tarefas produtivas hegemônicas, características das atividades econômicas que comandam este período histórico.
Nesses pontos do espaço de fluxos, as macroempresas acabam por ganhar um papel de regulação do conjunto do espaço, além da ação explícita ou dissimulada do Estado, em todos os seus níveis territoriais. Regulação frequentemente subordinada porque, em grande número de casos, destinada a favorecer os atores hegemônicos.
No que tange as horizontalidades, Santos as define como zonas da contiguidade que formam extensões contínuas.
Nesse espaço, a ação atual do Estado, além de suas funções igualmente banais, é limitada. Na verdade, mudadas as condições políticas, é nesse espaço banal que o poder público encontraria as melhores condições para sua intervenção. O fato de que o Estado se preocupe sobretudo com o desempenho das macroempresas, às quais oferece regras de natureza geral que desconhecem particularidades criadas a partir do meio geográfico, leva à ampliação das verticalidades e, paralelamente, permite o aprofundamento da personalidade das horizontalidades.

Até onde vai a perversidade da globalização?
Santos fornece algumas pistas  dos caminhos que a humanidade pode percorrer a fim de reverter o processo de perversidade causado pela globalização. Ele é enfático ao afirmar que a vida cotidiana também revela a impossibilidade de fruição das vantagens do chamado tempo real para a maioria da humanidade. A promessa de que as técnicas contemporâneas pudessem melhorar a existência de todos caem por terra e o que se observa é a expansão acelerada do reino da escassez, atingindo as classes médias e criando mais pobres.
Segundo Milton Santos, o momento atual da história do mundo parece indicar a emergência de numerosas variáveis ascendentes cuja existência é sistêmica. Isso, exatamente, permite pensar que se estão produzindo as condições de realização de uma nova história.
Entre os indícios está o fato de que  o projeto racional começa a mostrar suas limitações e uma boa parcela da humanidade, por desinteresse ou incapacidade, não é mais capaz de obedecer a leis, normas, regras, mandamentos, costumes derivados dessa racionalidade hegemônica.
O autor também aponta para o fato de que o nosso tempo consagra a multiplicação das fontes de escassez, seja pelo número avassalador dos objetos presentes no mercado, seja pelo chamado incessante ao consumo. Consumo que cada vez mais dá mostras de que não é para todos.
Outro fator apontado como diferencial é a evolução de uma nova significação da cultura popular, tornada capaz de rivalizar com a cultura de massas. Uma cultura popular capaz de descontruir os símbolos e a estética da cultura de massas existente, produtos da cultura popular, e portadora da verdade da existência e reveladores do próprio movimento da sociedade.
O resgate da significação da cidadania é outra pista apontada por Santos que coloca os países subdesenvolvidos como artífices e protagonistas de reconstrução desse conceito.
Por fim, Milton Santos  fala da importância da obtenção de uma visão sistêmica, com possibilidade de enxergar as situações e as causas atuantes como conjuntos e de localizá-los como um todo, mostrando sua interdependência. A partir daí, a discussão mostra que a história não acabou e que o homem, e não às técnicas e empresas, precisa ocupar o lugar central dentro das discussões  em nosso planeta.


Final de ano intenso

fim de ano chegando, finalmente, e depois de todos esses dias finalmente consigo começar a respirar. Mas os objetivos foram alcançado e estou de volta a vida acadêmica.