A música brega sofreu um pesada baixa nesta quarta-feira com a morte do cantor e colecionador de calcinhas Wando. O coração do obsceno (assim ele se intitulava num de seus shows) não resistiu, levando-o a óbito. A Du Loren e outras fábricas de calcinha podiam fazer um homenagem para aquele que tornou essa peça íntima do vestuário feminino, uma de suas marcas registradas durante as apresentações.
Com a morte de Wando acho bom a rapaziada da música brega fazer um check up e ver se está tudo bem. Te cuida Reginaldo Rossi!
Ericknews
Wednesday, February 08, 2012
É carnaval em Salvador!
Perguntinha básica: diante da possibilidade da greve de PMs se estender a outros estados e lembrando que a Constituição Federal proíbe greve de militares, as autoridades competentes estão negociando o quê?
Monday, February 06, 2012
Sunday, February 05, 2012
Ainda existe rock'n roll no Brasil
Uma das poucas bandas de rock que ainda prestam nesse país. A banda Velhas Virgens faz um som que transita entre o rock clássico e o blues. Abaixo, um pequena amostra.
Espaço, região e território: elementos basilares da geografia
Por Erick Schunig
A geografia se apresenta como um
dos campos científicos mais versáteis em relação a sua área de atuação,
oferecendo um importante cabedal para usos diversos que vão desde a análise
epistemológica da relação entre o homem e a natureza até o fornecimento de subsídios
para o planejamento ambiental.
Entretanto, há temas fundamentais
que são pilares na discussão do conhecimento geográfico e que apontam caminhos
importantes para entender o mundo atual e suas mudanças. Nesse sentido, há de
que seja feita uma discussão sobre as diversas concepções que envolvem três
elementos inerentes da geografia: espaço, região e território. É sobre esse
tripé que iremos discorrer e que tentaremos fornecer subsídios para melhor
entendimento sobre como cada um se
apresenta dentro das escolas de pensamento geográfico e quais as implicações
envolvidas.
Geografia tradicional ou clássica
Para geografia tradicional,
espaço pode ser apresentado através de uma simples definição como uma porção da
superfície do nosso planeta, composta pela natureza e por todos elementos que a
caracterizam (clima, relevo, vegetação, hidrografia, etc.), sob influência das
ações humanas. Partindo dessa definição simplista, espaço pode ser visto
através de uma ótica mais apurada, envolvendo as escolas de pensamento
geográfico.
De acordo com Correa (1995), a
geografia tradicional ou clássica tratava espaço de uma forma superficial,
aparecendo em obras de geógrafos como Friederich Ratzel e Hartshorne. Paisagem
e região não tinham uma abordagem mais sofisticada, limitando-se bastante a
descrição. Ratzel desenvolve dois conceitos fundamentais envolvendo território
e de espaço vital. O primeiro vincula-se à apropriação de uma porção do espaço
por um determinado grupo, enquanto o segundo expressa às necessidades territoriais
de uma sociedade em função de seu desenvolvimento tecnológico, do total de
população e dos recursos naturais. A preservação e ampliação do espaço vital, constitui,
na formulação de Ratzel, como a própria razão de ser do Estado.
O espaço na visão de Hartshorne é
o espaço absoluto, um conjunto de pontos que tem existência em si, sendo
independente de qualquer coisa. É um quadro de referência que não deriva da
experiência, sendo apenas intuitivamente utilizado na experiência. Trata-se de
uma visão kantiana, por sua vez influenciada por Newton, em que o espaço (e o
tempo) associa-se a todas as dimensões da vida. Sob essa ótica o espaço é visto
como um receptáculo que contém elementos.
Segundo Gomes (1995), para essa escola de pensamento, o conceito de região
surge da ideia de que o ambiente tem um
certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade. A partir da
perspectiva possibilista, as regiões existem como unidades básicas do saber
geográfico, não como unidades morfológica e fisicamente pré-constituídas, mas
sim como resultado do trabalho humano em
determinado ambiente.
É forte a influência de
concepções elaboradas por geógrafos alemães e franceses, onde a região pode
preservar a unidade fundamental do campo da geografia, instituída sob o formato
de discussão relação homem-meio. A região era vista como um conceito capaz de
promover o encontro entre as ciências da natureza e as ciências humanas, o
produto-síntese de uma reflexão verdadeiramente geográfica. Trabalha-se com a
ideia de regiões homogêneas e regiões funcionais ou polarizadas, o que gerou
uma série de críticas a esse pensamento.
O pensamento
teorético-quantitativo
Na concepção da geografia
teorético-quantitativa, outra escola de pensamento geográfico, o conceito de
espaço sofre uma influência da visão epistemológica da ciência, baseada nas
ciências naturais como a física. O conceito de paisagem é deixado de lado,
enquanto o de região é reduzido ao resultado de um processo de classificação de
unidade espaciais, segundo procedimentos de agrupamento e divisão lógica com
base em técnicas estatísticas. Lugar e território não são conceitos
significativos na geografia teorético-quantitativa.
O espaço é considerado sob duas
formas que não são mutuamente excludentes: planície isotrópica e a sua
representação matricial.
Críticos a esse pensamento
consideram-na uma visão limitada de
espaço, pois, privilegia-se em excesso a distância, vista como variável
independente; já as contradições, os agentes sociais, o tempo e as
transformações são inexistentes ou relegada a um plano secundário.
A região é vista sob uma
abordagem tecnicista, onde a divisão
passa a ser a palavra de ordem. São
estabelecidas regras e critérios de classificação
com o intuito de configurara espaços uniformes. A região é uma classe de área,
fruto de uma classificação geral que divide o espaço segundo critério ou
variáveis arbitrários que possuem justificativa no julgamento de sua relevância
para uma certa explicação (GOMES,1995). São identificados dois tipos
fundamentais de regiões: as regiões homogêneas e as regiões funcionais ou
polarizadas.
A concepção da geografia crítica
Com base no pensamento marxista e
originada a partir dos anos 70, a
Geografia Crítica entende espaço como o locus de reprodução das relações sócias
(CORREA,1995). O espaço é entendido como espaço social, vivido, em estreita
correlação com a prática social não deve ser visto como espaço absoluto, nem
como produto da sociedade. Santos (apud CORREA, 1995) tem sua obra marcada pela
forte presença dessa corrente de pensamento, onde o espaço é analisado através
de quatro elemento; forma, função, processo e estrutura.
Santos (2001) é um dos maiores
teóricos sobre a interferência do processo de globalização, observando a
existência de verticalidades (pontos
interligados dentro de um território que formam um espaço de fluxo, fortemente
influenciada por fatores externos) e horizontalidades (áreas de contiguidade
que forma extensões contínuas).
Gomes (1995) ressalta que para
essa corrente de pensamento, região passa a ser entendida a partir da
perspectiva histórica dos processos sociais, produto do meio de produção e
reprodução de toda vida social.
Geografia humanista e uma nova
visão espacial
De acordo com Correa (1995), essa
corrente de pensamento que tem base nas
filosofias do significado, especialmente a fenomenologia e o existencialismo e
está assentada no subjetivismo, na intuição, nos sentimentos, na experiência,
no simbolismo e na contingência, privilegiando o singular e não o particular ou
o universal. A paisagem torna-se um conceito revalorizado, assim como a região,
enquanto o conceito de território tem na geografia humanista uma de suas
matrizes.
Correa (1995) afirma que existem
vários tipos de espaços, um espaço pessoal, outro grupal, onde é vivida a
experiência do outro e o espaço mítico-conceitual que extrapola para além da
evidência sensorial e das necessidades imediatas e em direção a estruturas mais
abstratas.
Em relação a região, Gomes
(1995) destaca que essa corrente
trabalha com um novo conceito de região, vista como um quadro de referência
fundamental na sociedade. A região ganha
uma espessura e define um código social comum que tem uma base
territorial. Passa a ser vista como um produto real, construído dentro de um
quadro de solidariedade territorial.
A discussão sobre o território
O debate sobre a definição de
território envolve uma discussão referente a sua abrangência, limites e
identidades. Souza (1995) trabalha o conceito de território referindo-se a
escala nacional e em associação com o Estado como grande gestor, ressaltando
que não deve ser reduzido a associação
com a figura do Estado.
Para Souza , a ocupação do
território deve ser vista como algo gerador de raízes e identidade: um grupo
não pode mais ser compreendido sem o seu território, no sentido de que a
identidade sócio-cultural das pessoas estaria inarredavelmente ligada aos
atributos do espaço concreto. Dessa forma, os limites do território também
tornam-se flexíveis ante disputas e mudanças, na luta pela territorialidade. O
autor também cita o papel do território como instrumento ideológico para
esconder conflitos sócias dentre de um Estado.
A ideia de território também
encaminha reflexões a respeito da influência do processo de globalização.
Haesbaert (1995) traça uma abordagem sobre a questão do território, onde é
percebida a existência de vastos espaços no mundo contemporâneo que exibem
incrível nitidez referente a efeitos dessa “modernização arrasadora”.
De acordo com Haesbaert (1995),
esses espaços são moldados sob a ótica de um modelo dominante em que muitos
preferem considerar espaços sem história, sem identidade. Com a tecnologia e a
velocidade, e transformados num ritmo alucinante, onde a paisagem é incorporada
na mesma rede hierarquizada de fluxos alinhavada em escalas que vão muito além
dos níveis local e regional.
Haesbaert (1995) chama de “nova
desordem mundial”, aquilo que considera a produção de diversos níveis de
desterritorialização. Fenômeno incorporado a globalização econômica, estimulada
por redes tecnológicas mais sofisticadas, movimentos neoterritorialistas de
(re)enraizamento, que muitas vezes promovem a (re)construção de identidades
tradicionais e a exclusão socioeconômica e cultural mais violenta.
Sobre a desterritorialização,
Santos (2001) tece alguns comentários sobre a ideia de que espaço e tempo foram
contraídos graças a velocidade, o que considera um mito.
Na visão de Santos, a
ideia de uma humanidade desterritorializada a partir do desaparecimento das
fronteiras e de uma cidadania universal, cai por terra quando percebemos que as
fronteiras mudaram de significação, mas nunca estiveram tão vivas. A existência
das fronteiras, segundo ele, está pautada no fato de que o próprio exercício das atividades globalizadas
não prescinde de uma ação governamental capaz de torná-las efetivas dentro de
um território. Portanto, a humanidade desterritorializada seria apenas um mito.
Considerações finais de uma
discussão inacabada
O artigo trouxe elementos para
discutir a visão das diversas correntes geográficas envolvendo espaço e região,
bem como as antigas e novas concepções sobre território. Há de ser considerada
a dificuldade envolvendo a abordagem de fenômenos espaciais e a sua
representação através da escala, instrumento matemático amplamente utilizado
pela geografia e que trabalha com a ideia de apreensão da realidade, através da
representação.
Outro aspecto importante e que
merece atenção é o papel exercido pelas redes dentro da dinâmica territorial,
onde estão implicadas estratégias de
circulação e de comunicação, e o papel do Estado como gestor dentro do
território e o seu lugar na geopolítica mundial.
A discussão prossegue e as
possibilidades ainda não foram esgotadas.
In memorian
O último dia 2 foi o aniversário da morte daquele que foi o crítico mais ácido da esquerda brasileira, sendo um dos poucos nesse país que tinha a capacidade de assumir que era conservador. Mesmo discordando das posições tomadas por Francis, reconheço nele um dos mais brilhantes comentaristas da TV brasileira, de um humor escrachado e corajoso. Ele era o que Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo gostariam de ser, mas nunca conseguiram devido a mediocridade que impera dentre desses dois seres. Francis tem história na imprensa brasileira e deixou um legado importante para aqueles que gostam de uma boa polêmica.
Minhas primeiras lembranças de Francis estão relacionadas as suas aparições como comentarista no Jornal da Globo, onde, devido o seu jeito pitoresco de falar, chamava bastante a atenção.
No final da vida foi assolado por um processo movido pela Petrobrás. Motivo: Durante um programa de TV, Francis declarou que os dirigentes da Petrobrás tinham uma conta secreta na Suiça, no valor de 50 milhões, chamando-os de ladrões. Abaixo, um pouco do seu "jeitinho".
Minhas primeiras lembranças de Francis estão relacionadas as suas aparições como comentarista no Jornal da Globo, onde, devido o seu jeito pitoresco de falar, chamava bastante a atenção.
No final da vida foi assolado por um processo movido pela Petrobrás. Motivo: Durante um programa de TV, Francis declarou que os dirigentes da Petrobrás tinham uma conta secreta na Suiça, no valor de 50 milhões, chamando-os de ladrões. Abaixo, um pouco do seu "jeitinho".
Sunday, January 22, 2012
Rita stopped
Ao olhar os principais sites de notícias, descubro que Rita Lee anunciou a sua aposentadoria dos shows. Segundo declarações publicadas pela imprensa, ela alega não ter mais condições físicas para isso. em tempos de Luan Santana, Michel Teló, banda de axé e toda essa porcaria que teima em existir, essa não foi uma boa notícia. Pelo menos há um bom registro em vídeo da rainha do rock brasileiro.
Sacanagem metal
A criatividade do ser humano é algo que impressiona. Principalmente quando se trata de esculhambar e fazer gozação. Acho que nisso nós, brasileiros, somos campeões, dada a quantidade de piadas e situações constrangedoras que produzimos ou que somos vítimas. O brasileiro gosta de sacanear!
Nessa linha de raciocínio, gosto de lembrar sempre aquela turma denominada por um escriba de "expoentes da piada-canção" (não lembro o nome do autor e lá se vão mais de duas décadas). Sou fã confesso do Língua de Trapo, do Premeditando o Breque e de toda o pessoal da música brega, que na minha opinião é uma das faces do povo brasileiro e de certa forma consegue romper com esses padrões impostos pela mídia e indústria fonográfica.
Acredito que o grande problema desse estilo (?) de música é a falta de renovação, já que o aparecimento de um "Zé Graça" musical não dura muito, seja pelo desgaste da fórmula ou por outro motivo (caso dos Mamonas Assassinas).
Dos mais recentes, acho interessante o trabalho do Massacration (do grupo humorístico Hermes e Renato), que rende boas risadas. Ao escutar algumas faixas num site de música, lembrei que fui a um show deles aqui em Vitória. Abaixo um pouco dos "cerais metal".
Nessa linha de raciocínio, gosto de lembrar sempre aquela turma denominada por um escriba de "expoentes da piada-canção" (não lembro o nome do autor e lá se vão mais de duas décadas). Sou fã confesso do Língua de Trapo, do Premeditando o Breque e de toda o pessoal da música brega, que na minha opinião é uma das faces do povo brasileiro e de certa forma consegue romper com esses padrões impostos pela mídia e indústria fonográfica.
Acredito que o grande problema desse estilo (?) de música é a falta de renovação, já que o aparecimento de um "Zé Graça" musical não dura muito, seja pelo desgaste da fórmula ou por outro motivo (caso dos Mamonas Assassinas).
Dos mais recentes, acho interessante o trabalho do Massacration (do grupo humorístico Hermes e Renato), que rende boas risadas. Ao escutar algumas faixas num site de música, lembrei que fui a um show deles aqui em Vitória. Abaixo um pouco dos "cerais metal".
Discutindo o paradigma do desenvolvimento sustentável
O texto abaixo tem como referência o livro da bióloga Rozely Ferreira dos Santos - o qual indico como livro de cabeceira para aqueles que estudam a temática ambiental. Fiz com o intuito de estudar para prova de mestrado e parece que deu certo.
Considerações sobre o paradigma do desenvolvimento sustentável
Por Erick Schunig
No cerne de debates acalorados, o
termo “desenvolvimento sustentável” praticamente virou palavra de ordem quando o assunto é discussão
sobre meio ambiente. Faz referência a exploração de recursos em consonância com
a preservação da natureza e desenvolvimento humano. Mas afinal, no mundo em que vivemos é possível ter
desenvolvimento sustentável? A pergunta é incômoda, mas deve ser feita, sob a
responsabilidade que paira em todos os seres humanos no tocante a sobrevivência
em nosso planeta.
O início
A discussão sobre a questão
ambiental é relativamente nova, tendo ocupado lugar de destaque em fóruns como
a conferências como a do clube de Roma (1968) e Estocolmo (1972).
Eventos desse porte deram a
tônica das bases envolvendo planejamento ambiental. Em seu livro “Planejamento Ambiental – teoria
e prática”, a bióloga Rozely Ferreira dos Santos lembra que nos pós-guerra,
surge nos EUA, uma visão diferenciada de planejamento ambiental, a partir da
exigência de estudos de impactos
ambientais, contanto com a participação das universidades e criação de um marco
legal.
Na década de 60, ganha destaque
no EUA a ideia de não haver um modelo único de desenvolvimento, sendo melhor
aquele que a própria sociedade decide, com satisfação de suas necessidades
segundo sua representatividade social.
Surgem modelos alternativos de desenvolvimento, considerando benefícios desvinculados do aspecto puramente
econômico, envolvendo qualidade de vida, conforto, higiene, educação, bem como
características negativas do chamado mundo desenvolvido, como poluição e
degradação ambiental.
O marco das preocupações do homem moderno com o meio ambiente deu-se
em 1968, com o clube de Roma, onde foram incorporadas questões sociais,
políticas, ecológicas e econômicas com uso racional dos recursos. A autora cita
o relatório chamado “Limites de
Crescimento” e o NEPA (elaborado pelos EUA) como instrumentos decisivos para
pressionar os governos da época e iniciar a configuração de um marco jurídico
para área ambiental.
No fim dos anos 70 retomaram-se
os fundamentos de decisão multicriterial desenvolvidos para planejamentos de
recursos hídricos na década de 1930. No final dos anos 70 e início da década de
80, a conservação e a preservação dos recursos naturais e o papel do homem
integrado ao meio passaram a ter função muito importante na discussão da
qualidade de vida da população. Nesse período, os conceitos sobre planejamento,
influenciados pelos estudos de impacto,
sofreram uma reformulação, na qual a questão ambiental foi amplamente
contemplada.
Rozely lembra que a questão ambiental tem sua inserção de
fato entre os anos 1950 e 1990, por meio de propostas de gerenciamento de
recursos naturais, cuja preocupações iniciais eram essencialmente de controle
ambiental, elaborado através de regulamentos legais, mas não de mudança de
postura diante da utilização dos recursos naturais.
Para a geografa Bertha Becker, a
concepção de desenvolvimento sustentável revela uma nova feição da geopolítica
mundial. Em sua abordagem, a autora discorre sobre a proposta de cooperação
internacional com base em nova relação sociedade-natureza, onde o tema
“desenvolvimento sustentável”, exposto no Relatório Bruntland (1987), apresenta
uma feição específica da Geopolítica contemporânea, onde revela uma revalorização da dimensão política do
espaço e dos conflitos a ela inerentes em várias escalas geográficas.
Para Becker, essa concepção é uma
tentativa de ajustar o sistema capitalista por meio da conciliação das
tendências da lógica da acumulação com as da lógica cultural, particularmente
os movimentos ambientalistas. Conciliação, contudo, que se torna instrumento de
pressão nas relações Norte-Sul, bem como de imposição de uso dos territórios
nacionais.
Assume-se então uma postura onde
o desenvolvimento sustentável representa um mecanismo de regulação do uso do
território que tenta ordenar a desordem
global, constituindo-se num instrumento político.
A ecologia surge como novo
parâmetro geopolítico. Sob o novo padrão técnico-econômico e os movimentos
políticos são indicativos da desordem global, as relações Norte-Sul atestam a
tentativa de manter a ordem, e a ecologia constitui um vetor desse movimento.
A complexidade da questão
ambiental envolve não apenas a consciência ecológica (corresponde à preocupação
legítima com a crise ambiental), como também a utopia ecológica (fortalecimento
do vetor ecológico pesa igualmente o fracasso tanto do progresso capitalista
como do socialismo real) e a ideologia ecológica (redução da velocidade do
desenvolvimento no momento em que o
mundo gira justamente de acordo com a lógica da velocidade acelerada e a
imposição de um novo estilo de desenvolvimento sustentável, cujas bases não
estão claramente definidas).
Sob a proposta de harmonia
espacial e equidade temporal do discurso, a sustentabilidade reside na busca de
uma soma positiva, a sinergia, através de planejamento de processos produtivos
miméticos aos ecossistemas, em estreita interconexão, bem como na reutilização
que traduz a noção de movimento perene. São identificados três princípios
básicos sob esse discurso:
Eficácia – no uso de recursos através da utilização da
informação e de novas tecnologias em atividades e produtos capazes de consumir
menos matérias-primas;
Diferença – professa a necessária
inovação contínua pela diversidade de mercados e recursos, bem como por
condições sociais e políticas que potencializam os recursos locais, gerando
valorização máxima e seletiva das potencialidades autóctones em recursos naturais
e capital humano;
Descentralização - implica não apenas na distribuição territorial da
decisão, mas em uma nova forma de planejamento do governo.
O meio
Segundo Rozely Ferreira dos
Santos a estrutura e os procedimentos em um planejamento serão
definidos a partir de um ideário, norteador de todo o seu processo, que
levará os conceitos e premissas de
desenvolvimentos para um certo espaço,
num determinado tempo. A autora aborda a importância do ideário semeado em
1950, através do conceito de desenvolvimento sustentável, onde havia clara
preocupação com a degradação ambiental,
com a condição social dos desprivilegiados, com a falta de saneamento e com
consumo indiscriminado, construindo assim a ideia de ecodesenvolvimento,
presente em conferências das nações Unidas
e na Rio-92.
Destaque para criação de cinco
documentos: Convenção sobre mudanças climáticas, Convenção sobre diversidade
biológica, Princípios para manejo e conservação de florestas, Declaração do Rio
e Agenda 21.
No Brasil, só a partir de 1981, com a Política Nacional do Meio
Ambiente, é que foi elaborada uma carta
de intensões em relação a conservação do meio. As primeiras medidas visavam a
proteção dos recursos hídricos.
Pressões de bancos internacionais
provocaram mudança no comportamento governamental, exigindo estudos de impacto
ambiental para financiamento de projetos, além de pressões oriundas de
sociedades estrangeiras ambientalistas. A partir da década de 80 é que o
planejamento ambiental foi incorporado
pelos órgãos governamentais. Metodologicamente estes planejamentos expressavam
seu histórico, ou seja, a conjunção entre conceitos e estruturas de
planejamento urbano, estudos de impacto ambiental e plano de bacia
hidrográfica.
Em 1986 foi aprovada Resolução
001 do Conama que criou a obrigatoriedade
de estudos de impacto ambiental no Brasil para uma vasta gama de
atividades humanas. Secretarias de meio
ambiente desenvolveram ferramentas de
planejamento; diagnósticos de APAs.
Na década de 1990, o
planejamento ambiental foi incorporado
aos planos diretores municipais.
O fim
Para alcançar o pretendido
desenvolvimento sustentável é vital que o processo de planejamento seja um meio sistemático de determinar em que
você está, onde deseja chegar e qual o melhor caminho para chegar lá. É um direcionador de quantidade, qualidade e da
velocidade e natureza das trocas.
Segundo Rozely Ferreira dos
Santos, o planejamento ambiental é um processo
contínuo que envolve a coleta, organização e análise sistematizadas das informações, por meio de procedimentos e
métodos, para chegar a decisões ou a escolhas acerca das melhores alternativas
para o aproveitamento dos recursos disponíveis. Implica também nas previsões,
estimativas futuras e que envolvem uma série de variáveis.
Para autora, deve ser feito um
questionamento sobre o adjetivo ambiental e diferenciação em relação a
gerenciamento ambiental. Deve-se analisar o processo histórico em que o
adjetivo se estabeleceu em razão do aumento dramático da competição por terras,
água, recursos energéticos e biológicos que gerou a necessidade de organizar o
uso da terra.
O planejamento ambiental tem como
estratégia estabelecer ações dentro de contextos e não isoladamente, resultando
maior aproveitamento do espaço físico e dos recursos naturais, economia de
energia, alocação e priorização de recursos para as necessidades mais prementes
e previsão de situações.
Por fim, Rozely ressalta que em
muitos planejamentos, o resultado é somente uma soma, como a geração de uma
metadisciplina, mas não uma interação de fato. Não apresentam de forma
eficiente a realidade, nem atingem o ideário a que se propõem. O que nos leva a
pensar como e de que forma está sendo utilizado o termo desenvolvimento
sustentável pelos gestores.
Porque hoje é domingo
Começo a tarde desse domingo sabendo de um problema na TV a cabo da minha casa. A charge aí de cima mostra a minha alegria ao saber dessa notícia.
Wednesday, January 11, 2012
A geografia física e as taxonomias do planeta Terra
Para aqueles que desconhecem a
geografia como ciência, que seguramente vai além daquilo que é ensinado nas
escolas, pode-se dizer que a mesma apresenta diversos conceitos e subdivisões, que
muitas vezes não tão simples de entender.
De uma forma mais genérica,
podemos dizer que a geografia se divide em duas: humana e física. Esta última é
que nos interessa e que tecerei algumas
considerações, já que a mesma é uma das bases dos planejamentos ambientais e
ocupa lugar privilegiado nas discussões envolvendo a questão ambiental.
Para entender melhor sobre o tema
e toda concepção teórica que ele traz, teremos como base o livro Ecogeografia
do Brasil, do geógrafo Jurandyr Ross. Ross trabalha nesse livro com conceitos
ligados a concepção de ecossistema, que serve de base para o planejamento
ambiental.
Em sua abordagem, Ross tece
considerações a respeito da visão sistêmica que envolve o estudo da geografia
física. Essa visão deriva da Teoria Geral dos Sistemas, de Bertanlanffy, que pressupõe que na natureza as trocas de energia
e matéria se processam por meio das relações de equilíbrio dinâmico. Esse
equilíbrio, entretanto, é frequentemente alterado pelas intervenções do homem
nos diversos componentes da natureza, gerando um estado de desequilíbrio
temporário ou permanente.
Na década de 60, geógrafos russos
conceberam a Teoria dos Geossistemas, baseada na existência de geosferas e que
estão inter-relacionadas por fluxos de energia. Um conceito aplicado ao
planejamento do então Estado soviético, onde era preciso levar em conta as
múltiplas interações e transformações. Ross cita contribuições importantes de
geógrafos como Sotchava e Gerasimov. Entretanto, a teoria da escola russa é imprecisa em
relação a precisão espacial, já que trabalhava com o conceito de paisagens homogêneas.
A partir da contribuição de
geógrafos franceses como Tricart e Bertrand é que a teoria dos Geossistemas
ganha o formato atual. O trabalho de Jean Tricart (1965), com a sua
classificação ecodinâmica dos meios ambientes, já assinala o aparecimento da
teoria sistêmica na Geografia.
Tricart estabeleceu uma
classificação dinâmica para as unidades de paisagens identificadas: unidades
ecodinâmicas estáveis, unidades ecodinâmicas integradas e unidades ecodinâmicas
fortemente instáveis. Cada um desses níveis é caracterizado por estrutura
suportada pelas forças específicas. Pressupõem uma harmonia baseada na
interdependência que se estabelece entre elementos da natureza, da sociedade e
entre ambos.
Outro geógrafo francês, Georges
Bertrand otimiza o conceito elaborado pela escola geográfica russa, dando uma
conotação mais precisa, possibilitando a classificação do geossistema em função
da escala caracterizando como uma unidade, um nível taxônomico na categorização
da paisagem, dividida em: zona, domínio e região (unidades superiores),
geossistemas, geofaceis e geótopo (unidades inferiores), sendo o geossistema
proporcionado pela dinâmica entre o potencial ecológico, exploração biológica e
ação antrópica.
Ross também cita a
contribuição das escolas geográficas
provenientes da Austrália, com contribuição da escola dos Países Baixos, a
partir da concepção do conceito de Sistemas de Terras e Unidades de Terras.
Nesse sistema a escala também é fundamental, mas sob uma maior amplitude, onde
os Sistemas de Terras são determinados por elementos de caráter geomorfológico
e geográficos associados, formando um determinado agrupamento ou conjunto de
unidades de terras. Já unidades de terras correspondem à divisão ou partes menores
dos sistemas de terras. Para a delimitação, utiliza-se principalmente das
formas de relevo, constituídas de sítios ou lugares ou facetas de terras ou
site.
E o Brasil?
Nosso país é fortemente
influenciado pela escola geográfica francesa e, como tal, os estudos de Tricart
e Bertrand.
O desenvolvimento da geografia
física aplicada no Brasil deu-se a partir da década de 1980, com a lei
6938/1981, institui a obrigatoriedade dos EIAs e RIMAs. A partir daí observa-se
um desenvolvimento e crescimento substancial da geomorfologia.
A partir do surgimento do
conceito de desenvolvimento sustentável, observa-se uma redefinição dos rumos
da abordagem ambientalista e de uma visão absolutamente reservacionista para
uma abertura mais humanista.
Ross lembra que, para o
desenvolvimento da geografia aplicada, é
necessária a compreensão integrada da dinâmica socioeconômica sob a perspectiva
da dinâmica dos processos de ocupação e da relações econômicas e sociais.
Partindo da concepção sistêmica,
o autor afirma que as intervenções humanas não modificam as leis da natureza,
apenas interferem nos fluxos de energia e matéria, alterando suas intensidades,
forçando-a a encontrar novos pontos de equilíbrio funcional.
É essa visão sistema que é
amplamente difundida – e muitas vezes não alcançada – nos trabalhas de
planejamento e estudos ambientais.
No entanto, é bom ressaltar que
graças a esses estudos, a visão desenvolvimentista que assolou nosso país nas
últimas décadas do século XX, onde crescer era sinônimo de desenvolvimento. Nas
palavras de Ross, desenvolvimento econômico deve significar crescimento
econômico com aprimoramento tecnológico,
melhoramento social e apropriação dos recursos naturais dentro de uma
perspectiva conservacionista e preservacionista dos bens da natureza, com a
preocupação de diminuir os impactos ambientais e possibilitar uma convivência
mais harmoniosa entre a sociedade e a natureza.
Depois de um período de descanso, retomo as atividades do blog num ano que tem tudo para ser pauleira (mestrado, pouca grana, etc). Para não perder o costume, algumas coisas parecem que continuam iguais como o embate "Casagrande vs Senzala". Essa foto é da última segunda-feira e mostra como estão os ânimos depois do aumento das passagens de ônibus promovido pelo governo estadual (como sempre, na calada da noite).
O que realmente impressiona é a falta de habilidade do atual governo em lidar com esse tipo de situação e a inércia em relação a discussão de mobilidade urbana na Grande Vitória. O ano promete!
O que realmente impressiona é a falta de habilidade do atual governo em lidar com esse tipo de situação e a inércia em relação a discussão de mobilidade urbana na Grande Vitória. O ano promete!
Monday, December 19, 2011
Costelão do final do mundo
Depois de um ano tenso e com a perspectiva do mundo acabar em 2012, resolvemos realizar a XI edição do Costelão de Final de ano. Com a presença de quase todos os notórios ébrios,conseguimos realizar aquele evento tradicional, cuja marca é a esculhambação organizada. Em 2012, se o nosso fígado permitir, estaremos lá de novo!
Thursday, December 15, 2011
Considerações sobre a perversidade da globalização
Durante esses últimos dias, estive envolvido num processo de seleção de mestrado e para melhor o estudo envolvendo a referência bibliográfica do processo seletivo, resolvi escrever alguns artigos sobre os livros. Começarei a publica-los aqui no blog, pois acho que não ficaram tão ruins e dá uma ideia sobre as discussões envolvendo os temas da prova. O primeiro é sobre o livro "Por uma outra Globalização', do geógrafo Milton Santos.
Fábulas e perversões sob os
auspícios da globalização
Como entender e sobreviver ao
mundo do século XXI, em meio a um processo de globalização excludente e cercado
de contradições? O livro “Por uma outra Globalização”, do geógrafo Milton
Santos, fornece algumas pistas e apresenta alguns caminhos que ajudam na
compreensão do mundo e da realidade que vivemos.
Santos percebe o mundo de hoje a
partir de um mundo de fabulações, pautado pela construção de um discurso único,
cercado de desigualdades alicerçado no poder do dinheiro e na ação das
empresas. O ser humano passa a ser entorpecido pelo discurso do consumo,
inserido num mundo de fabulações, de uma globalização perversa e de uma
perspectiva de outra globalização.
Para o autor, a fabulação reside
na construção de ideias que na prática não se configuram ou se restringem a um
determinado segmento. Ideias como a de que vivemos em direção a uma aldeia
global e da difusão ampla das informações. Santos desconstrói esse paradigma
alertando para o poder da máquina ideológica que propaga um mundo onde os espaços são contraídos e todos podem
viajar. O poder avassalador do mercado passa a ser o imperativo desses tempos
modernos, onde a exclusão é a palavra de ordem e uma minoria consegue usufruir
das benesses de “novos tempos modernos”.
Chama atenção a crítica feita
pelo autor sobre o papel dos meios de comunicação como gestores de informações
superficiais e players na construção de mundo de fábulas, onde a exclusão é a
marca. A ideia de aldeia global cai por terra na medida em que percebemos a
ação avassaladora do mercado no aprofundamento das diferenças locais.
O autor nomeia a globalização
como uma “fábrica de perversidades”, onde desemprego crescente, pobreza, perda
da qualidade de vida, salários baixos, fome, desabrigo, novas enfermidades (e
ressurgimento de velhas), são as características desse processo, onde alastram-se
e aprofundam-se males espirituais e morais, como os egoísmos, os cinismos, a
corrupção.
Ao mesmo tempo, Santos ressalta a
possibilidade de construção de um novo mundo, baseado na unicidade das
técnicas, na convergência dos momentos e no conhecimento do planeta, onde uma
nova narrativa pode ser elaborada, visando se contrapor ao discurso único imposto
pelas grandes corporações.
A globalização e suas engrenagens
Aquilo que o historiador Eric
Hobsbawn classificou (talvez jocosamente) de “breve século XX”, devido as
intensidade dos acontecimentos e das mudanças, Milton Santos, numa
narrativa excepcional, disseca o dínamo que
impulsiona esses acontecimentos e as suas consequência no século XXI.
Partindo da ideia de que a
globalização é a internacionalização do capitalismo, Santos discorre sobre o papel das técnicas nesse processo. Graças
aos avanços da ciência, produziu-se um sistema de técnicas presidido pelas
técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre as demais,
unindo-as e assegurando ao novo sistema técnico uma presença planetária.
Sistema que assegura a emergência do mercado global.
Para explicar esse processo de
globalização, o autor aponta como fatores primordiais: a unicidade da técnica,
a convergência dos momentos, a cognoscibilidade do planeta e a existência de um
motor único na história, representado pela mais-valia globalizada.
Na ótica de Santos, a palavra
“crise” ganha um novo contexto no sistema capitalista, onde o que antes era
cíclico passa a ser estrutural, estruturado pela associação entre a tirania do
dinheiro e a tirania da informação conduz, desse modo, à aceleração dos
processos hegemônicos, legitimados pelo "pensamento único".
Sob esse enfoque, o raciocínio de
Santos é quase profético, na medida em que observamos países como a Grécia,
Portugal, Itália, dentre tantos, serem vitimados por crises estruturais dentro daquilo que
conhecemos como o mais antigo e estruturado bloco econômico existente. Nas
palavras de Milton Santos, as soluções para essas crises são inócuas, já que os
problemas estruturais não são atacados devido a interesses do mercado. Os governos
se tornaram reféns e as decisões são submetidas a apreciação de instituições
financeiras internacionais (verdadeiros difusores dessa globalização). Nas
palavras do autor “a única crise que os responsáveis desejam afastar é a crise
financeira e não qualquer outra”.
Perversidade líquida
O
mundo torna-se unificado em virtude das novas condições técnicas, bases
sólidas para uma ação humana mundializada. Esta, entretanto, impõe-se à maior
parte da humanidade como uma globalização perversa.
A perversidade se apresenta
através da utilização das técnicas de informação em prol dos interesses de
alguns atores e a manipulação dessas informações. Se o cientista político Antonio Gramsci
definia os meios de comunicação como aparelhos ideológicos do Estado, Santos vai
mais longe. Ele vaticina que o que é transmitido à maioria da humanidade é uma
informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde, desvelando o que
muitas vezes se esconde sob o manto da tão propalada liberdade de expressão.
Outro mito desconstruído por
Santos é o de que o espaço e o tempo são contraídos graças aos prodígios da
velocidade. Virtude que revelaria uma
humanidade desterritorializada, sem
fronteiras e existência de uma cidadania universal. As fronteiras
mudaram de significação, mas nunca estiveram tão vivas, na medida em que o
próprio exercício das atividades globalizadas não prescinde de uma ação
governamental capaz de torná-las efetivas dentro de um território.
Neste mundo globalizado dissecado
por Santos, a competitividade, o consumo, a confusão dos espíritos constituem
baluartes do presente estado de coisas. A competitividade comanda nossas formas
de ação e o consumo comanda nossas formas de inação.
Outro ponto dessa perversidade é
o fato de que a ciência passa a produzir aquilo que interessa ao mercado, e não
à humanidade em geral e as informações passam a se concentrar nas mãos de um
número limitado de firmas.
A política agora passa a ser
feita no mercado, só que este mercado global não existe como ator, mas como uma
ideologia, um símbolo. Os atores são as empresas globais, que não têm
preocupações éticas, nem finalísticas.
Por onde transitam dinheiro e
fragmentação
No nosso mundo globalizado, os
territórios tendem a uma compartimentação generalizada, onde se associam e se
chocam o movimento geral da sociedade planetária e o movimento particular de
cada fração, regional ou local, da sociedade nacional, o que origina movimentos são paralelos a um processo de
fragmentação que rouba às coletividades o comando do seu destino.
O dinheiro usurpa em seu favor as
perspectivas de fluidez do território, buscando conformar sob seu comando as
outras atividades. Por meio da regulação, a compartimentação dos territórios,
na escala nacional e internacional, permite que sejam neutralizadas diferenças
e mesmo as oposições sejam pacificadas, mediante um processo político que se
renova, adaptando-se às realidades emergentes para também renovar, desse modo,
a solidariedade.
Ao mesmo tempo percebe-se a
competição entre entes federativos em busca desse dinheiro, que na maioria das
vezes, sob a direção de técnicas disponíveis, é fluido e praticamente abstrato.
Vertigens provocadas pelas
verticalidades e horizontalidades
Milton Santos é um dos maiores
teóricos do espaço geográfico e não é exagero dizer que ele colocou a geografia
brasileira no mesmo patamar das escolas francesas e alemã. A sofisticação dos
conceitos teóricos elaborados por ele traz a tona a discussão envolvendo o
espaço e toda a dinâmica que o cerca.
Dentro dessa dinâmica, Santos tece
considerações sobre as verticalidades e horizontalidades que integram o espaço
geográfico, bem como a ação de empresas e do Estado se constituem peças
fundamentais na engrenagem do processo de
globalização.
Entende-se por verticalidades como
um conjunto de pontos formando um espaço de fluxos. Seria, na realidade, um
subsistema dentro da totalidade-espaço, já que para os efeitos dos respectivos
atores o que conta é, sobretudo, esse conjunto de pontos adequados às tarefas
produtivas hegemônicas, características das atividades econômicas que comandam
este período histórico.
Nesses pontos do espaço de
fluxos, as macroempresas acabam por ganhar um papel de regulação do conjunto do
espaço, além da ação explícita ou dissimulada do Estado, em todos os seus
níveis territoriais. Regulação frequentemente subordinada porque, em grande
número de casos, destinada a favorecer os atores hegemônicos.
No que tange as horizontalidades,
Santos as define como zonas da contiguidade que formam extensões contínuas.
Nesse espaço, a ação atual do
Estado, além de suas funções igualmente banais, é limitada. Na verdade, mudadas
as condições políticas, é nesse espaço banal que o poder público encontraria as
melhores condições para sua intervenção. O fato de que o Estado se preocupe sobretudo
com o desempenho das macroempresas, às quais oferece regras de natureza geral
que desconhecem particularidades criadas a partir do meio geográfico, leva à
ampliação das verticalidades e, paralelamente, permite o aprofundamento da
personalidade das horizontalidades.
Até onde vai a perversidade da
globalização?
Santos fornece algumas
pistas dos caminhos que a humanidade
pode percorrer a fim de reverter o processo de perversidade causado pela
globalização. Ele é enfático ao afirmar que a vida cotidiana também revela a
impossibilidade de fruição das vantagens do chamado tempo real para a maioria
da humanidade. A promessa de que as técnicas contemporâneas pudessem melhorar a
existência de todos caem por terra e o que se observa é a expansão acelerada do
reino da escassez, atingindo as classes médias e criando mais pobres.
Segundo Milton Santos, o momento
atual da história do mundo parece indicar a emergência de numerosas variáveis
ascendentes cuja existência é sistêmica. Isso, exatamente, permite pensar que
se estão produzindo as condições de realização de uma nova história.
Entre os indícios está o fato de
que o projeto racional começa a mostrar
suas limitações e uma boa parcela da humanidade, por desinteresse ou
incapacidade, não é mais capaz de obedecer a leis, normas, regras, mandamentos,
costumes derivados dessa racionalidade hegemônica.
O autor também aponta para o fato
de que o nosso tempo consagra a multiplicação das fontes de escassez, seja pelo
número avassalador dos objetos presentes no mercado, seja pelo chamado
incessante ao consumo. Consumo que cada vez mais dá mostras de que não é para
todos.
Outro fator apontado como
diferencial é a evolução de uma nova significação da cultura popular, tornada
capaz de rivalizar com a cultura de massas. Uma cultura popular capaz de
descontruir os símbolos e a estética da cultura de massas existente, produtos
da cultura popular, e portadora da verdade da existência e reveladores do
próprio movimento da sociedade.
O resgate da significação da
cidadania é outra pista apontada por Santos que coloca os países
subdesenvolvidos como artífices e protagonistas de reconstrução desse conceito.
Por fim, Milton Santos fala da importância da obtenção de uma visão
sistêmica, com possibilidade de enxergar as situações e as causas atuantes como
conjuntos e de localizá-los como um todo, mostrando sua interdependência. A
partir daí, a discussão mostra que a história não acabou e que o homem, e não
às técnicas e empresas, precisa ocupar o lugar central dentro das
discussões em nosso planeta.
Final de ano intenso
fim de ano chegando, finalmente, e depois de todos esses dias finalmente consigo começar a respirar. Mas os objetivos foram alcançado e estou de volta a vida acadêmica.
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